Jogo
Mare
Mesmo sem ter jogado, você certamente deve lembrar do impacto que os jogos de Fumito Ueda tiveram no mercado. Começando com Ico e terminando com The Last Guardian, o universo “espiritual” do designer japonês criou uma fiel legião de fãs.
Não há como ignorar os traços dos games: seus personagens, elementos ambientais e abordagem narrativa são bastante evidentes. E em Mare, novo título de quebra-cabeças do estúdio Lonekite Games, essas ideias se fazem presentes do início ao fim.
O projeto é uma experiência em realidade virtual bastante honesta e carismática. E apesar do curto tempo de campanha e da simplicidade em termos de mecânicas e narrativa, é impossível ser fã de Ueda e não ficar tocado pela aventura do pássaro mecânico.
Após passar por uma intensa tempestade, um pássaro mecânico controlado por uma força benevolente acaba encerrando sua curta jornada em uma ilha remota. Mas o que era para ser o fim se torna apenas o início de uma aventura mágica e intrigante.
À deriva no litoral, uma garota desconhecida sai de um caixão de metal. Imediatamente apegada ao pássaro, ela decide segui-lo para onde for e logo ambos constroem laços de confiança, apesar dela ainda não ser plena.

Agora, diante de um propósito ainda desconhecido, eles devem explorar um mundo em ruínas e trabalhar juntos, à medida que descobrem haver algo maligno e mal-intencionado controlando o que seria o núcleo da região.
Mare é um jogo de aventura e quebra-cabeças com leves sistemas de plataformas. Os jogadores controlam as ações de um pássaro robótico, ao mesmo tempo que dão ordens para a garota trilhar caminhos específicos, sendo guiada por IA.

O game não exige comandos desafiadores: enquanto o modo com os controles Sense utiliza apenas os gatilhos, o modo com rastreamento ocular necessita basicamente do uso da câmera e da tecnologia do headset — e os dois funcionam com perfeição.
Além disso, Mare possui uma estrutura narrativa de capítulos, onde cada um deles termina com um momento importante para a história. São sete ao todo, distribuídos em um tempo máximo de campanha de 4h de duração.
Mare traz algumas inovações em relação aos games de plataformas e quebra-cabeças. Aqui, não há liberdade de movimentação, pois cada comando fará o pássaro pousar em espécies de poleiros eletrificados.
Ao permanecer fixo, você pode girar a câmera para identificar pontos de interação ou simplesmente passear pelos cenários para progredir na história. Tudo isso também pode ser feito através do olho: basta encarar um local específico por um tempo.

O game também conta com um sistema de combate, mas que poderia ser mais profundo. O protagonista é capaz de utilizar raios para controlar bandos de pássaros menores, para controlar estruturas ancestrais e eliminar inimigos em formato de sombras.
Vez ou outra, a menina é atacada ou perturbada por criaturas semelhantes às de Ico e de The Last Guardian. Porém, para derrotá-las é muito simples: basta olhar por um tempo para elas ou apertar os gatilhos, caso você use o modo com os controles Sense.

Os puzzles também exigem total atenção com a menina. No universo, ela é a única que pode abrir portas e destravar mais poleiros. Assim, é preciso não apenas a atrair, mas chamá-la por meio de objetos destacados, como sinos e pétalas.
Apesar dessa simplicidade, Mare tem mecânicas acessíveis e precisas. Elas funcionam bem no contexto minimalista de mundo e ganham ainda mais riqueza devido ao uso eficiente do headset, do feedback tátil, dos gatilhos adaptáveis e do rastreamento ocular.
Mare poderia muito bem se passar no universo de Shadow of the Colossus e Ico. As referências ao trabalho de Fumito Ueda são bastante claras, mas felizmente elas não passam disso, pois o jogo da Lonekite Games é fundamentalmente original.
Ao longo da campanha, os jogadores podem explorar um mundo solitário, onde a vida ainda é pouca e se resume a borboletas e pássaros. Além disso, uma surpresa aguarda os fãs nos momentos finais da campanha — certamente despertará bons momentos.

Desde Ico, a série também chamou a atenção pelos movimentos realistas dos personagens. E é assim que acontece com a garota: ela cai, escala, corre, se equilibra, dá tchau e conversa bastante, perguntando algumas coisas divertidas e em português.
E por falar em localização, Mare conta com menus, textos e áudio em português. O game é bastante silencioso até mesmo no sentido de trilha sonora, mas tudo que você escutar ou ler será no nosso próprio idioma.
Ótimo como um jogo de quebra-cabeças e eficiente como experiência em realidade virtual, Mare é uma ótima aposta para quem está chegando ao PS VR2. Além disso, fãs de Shadow of the Colossus e Ico certamente se apaixonarão por um mundo muito característico.
Personagens carismáticos, universo rico em detalhes, ótimo level design e trilha sonora impactante são apenas alguns elementos que você pode esperar para o game. É um jogo single-player que realmente destaca o potencial dos dispositivos em realidade virtual.
A simplicidade e o curto tempo de campanha podem deixar aquele gosto de “quero mais”, mas nada que atrapalhe de forma significante uma aventura de impacto. O preço de R$ 133,90 na PS Store ainda é acima do sugerido, então vale a pena ficar de olho em uma oferta.
Veredito
76
Desenvolvedor
Lonekite Games
Consoles
PlayStation VR2
Jogadores
1
Veredito
76
Jogo
Mare