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.hack//G.U. Last Recode: Vale a Pena?

O mundo virtual os espera.

por Raphael Batista
.hack//G.U. Last Recode: Vale a Pena?

Existem muito “primeiros”. O primeiro encontro. O primeiro beijo. A primeira formação. Cada um com gostos e sensações inesquecíveis, marcantes no período da vida. A trilogia .hack//G.U. foi o meu primeiro contato com um RPG de mundo semi-aberto no PlayStation 2. E como a arte copia a vida, tornou-se um título marcante na minha infância.

Quando anunciado que uma versão remasterizada sairia para o PlayStation 4, dois sentimentos foram inevitáveis: alegria por poder jogá-lo novamente, e também receio por arriscar perder todas as boas memórias. Contudo, a Bandai Namco entregou uma coletânea de qualidade e ainda ofereceu um novo capítulo inédito para a franquia.

Confira abaixo a análise objetiva e completa de .hack//G.U. Last Recode.

Tetralogia

A coletânea apresenta 4 volumes. Os 3 primeiros, em sequência, Rebirth, Reminisce e Redemption, são as obras originais desenvolvidas para o PlayStation 2. A franquia .hack//G.U. trata-se de um jogo online chamado The World, no qual controlamos o protagonista Haseo. Ao longo de seu primeiro acesso, ele descobre que a vida online é tão dura quanto a real.

Sem dar spoilers, Haseo torna-se um lendário PKK (Player Killer-Killer), ou seja, um caçador de usuários que matam outros usuários, em seu objetivo de vingança contra o Tri-Edge, um PK que assassinou sua amiga e a colocou em coma na vida real. Ao longo de sua jornada, acostumado a aventurar-se sozinho, Haseo descobre formas anômalas de vidas dentro do jogo e precisa aliar-se com outros jogadores para vencê-los e buscar as respostas que procura.

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Haseo. Fonte: captura de tela.

Assim como seriados, a temática da franquia desenrola-se ao longo dos três capítulos citados. Podemos categorizar como Rebirth sendo a temporada 1; Reminisce, temporada 2; e Redemption, temporada 3. Logo, um capítulo termina e o seguinte dá continuidade exatamente no mesmo ponto. Tal fato contribui para a conexão da história de maneira natural.

E, tratando-se especificamente do enredo, é um título poderoso. São múltiplas as revira-voltas apresentadas e, de fato, um universo cheio de personagens e detalhes. Não é fácil acompanhar todos os eventos (parte da culpa atribui-se por causa das legendas disponíveis somente na língua inglesa). Contudo, para os que possuem um inglês intermediário/avançado, ficarão espantados pela narrativa.

Claro que existem furos de roteiro, afinal, o título foi desenvolvido em 2006. Alguns diálogos são desconexos com a história. Mas, a ideia em si do jogo, é bem elaborada e surpreendente. As inspirações de produções de animê são evidentes, como o desenvolvimento do protagonista, exaltação do valor da amizade, a busca pelo poder sem sentido. São características exageradas, em dados momentos, mas não defeituosas.

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A narrativa acontece, em muitos momentos, pelas cutscenes. Fonte: captura de tela.

Já o capítulo 4, chamado de Reconnection, pode ser considerado um DLC. É uma forma de encerrar a saga, definitivamente, na nova geração e amarrando os pequenos pontos soltos deixados em Redemption. A história é tão boa quanto a série original.

The Terror of Death

Conhecido como The Terror of Death (O Terror da Morte), Haseo é um Adept Rogue, uma classe que consegue utilizar-se de várias armas. Claro que só é possível acessá-las ao longo da sua progressão (durante os três títulos). Contudo, conforme a evolução do personagem, é divertido a execução da jogabilidade.

Jogabilidade que funciona bem em quase todos os aspectos. Basicamente, é preciso apenas apertar um botão para comandar os ataques. Entretanto, cada arma contém habilidades especiais e também timing para executar investidas ainda melhores. Somente no capítulo Redemption, Haseo assume sua forma final e desfruta da variação de ataques de diferentes armas.

Mas a jogabilidade não se prende somente no combate de Haseo contra monstros em áreas do jogo. Em inúmeros momentos, o protagonista assume a personalidade de seu Avatar, criatura gigantesca, para enfrentar as anormalidades de data presentes no The World. O combate é frenético e divertido tão quanto na forma humana.

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O combate alternativo é um dos grandes diferenciais. Fonte: captura de tela.

O problema é apresentado, principalmente, na falta de controle do foco dos ataques. A mira é travada nos monstros e alterna automaticamente. Muitas vezes, você irá querer acertar inimigo X, mas o foco estará no monstro Y. Faltou uma funcionalidade que revertesse para manual.

Conteúdo abundante

É preciso destacar que o jogador terá acesso a, no mínimo, 65 horas de conteúdo. A conta foi simples: foi o tempo que levei para terminar os 4 capítulos. Sim, aproximadamente 65 horas de uma história instigante e uma boa jogabilidade. Torna-se um bom investimento, não?

Contudo, essa qualidade possui seu lado defeituoso: a repetitividade. Em determinados momentos, você só avança para determinadas áreas e elimina monstros…até que se depara com um personagem para diálogos. É basicamente isso que acontece em 75% das vezes. Nas últimas horas, apesar da narrativa ser boa, você pode ser tentado somente a avançar.

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O combate é divertido e afinado, porém repetitivo em dosagens altas. Fonte: captura de tela.

Existem sidequests também, porém servem apenas para coletar troféus. Elas não acrescentam em nada para a experiência. Troféus que, também, poderiam ser melhor elaborados. As conquistas se prendem à “fazer determinada ação 200 vezes” e assim por diante.

Então vale?

Colocaremos na balança: de um lado, .hack//G.U. Last Recode é uma coletânea de 4 jogos, com 65 horas de jogo disponíveis, uma boa história e jogabilidade afinada. Os gráficos estão melhores trabalhados e mais coloridos, apesar de não terem mudanças substanciais.

Por outro lado, o título sofre com a repetitividade excessiva, é preciso paciência para repetir e repetir. Problemas técnicos básicos também, como o foco da câmera, são presentes. São fatores que não desmerecem o trabalho, mas que os jogadores precisam estar atentos.5

Não é uma experiência nova para os fãs de longa data, porém, The World parece estar mais belo do que antes com os 60 FPS. Para os novatos dedicados, será uma jornada inesquecível e surpreendente. Em uma conta simples, cada capítulo sai por 50 reais na PlayStation Store. Um custo-benefício bom! Por isso, Recomendado a todos.

Veredito

.hack//G.U. Last Recode
.hack//G.U. Last Recode

Sistema: PlayStation 4

Desenvolvedor: CyberConnect2

Jogadores: 1

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80 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Jogabilidade afinada
  • Cerca de 65 horas de gameplay
Desvantagens
  • Repetitividade excessiva
  • Foco da câmera é falho