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Evil Dead: The Game: vale a pena?

A nova aposta do multiplayer assimétrico é um prato cheio aos fãs de Evil Dead, mas escorrega em pequenos problemas

por Valdecir Emboava
Evil Dead: The Game: vale a pena?

A proposta do multiplayer assimétrico é interessante, pois proporciona duas experiências totalmente distintas em um jogo. Esse gênero se popularizou em Friday the 13th: The Game e se consolidou em Dead By Daylight, mas existe um novo cara na cidade que promete esquentar as coisas: Evil Dead: The Game.

Depois de um longo jejum nos videogames — o último título da série (sem ser no mobile) foi lançado para PS2 em 2005 — Ash Williams de Bruce Campbell retorna à cena para mais matanças desenfreadas, gore e humor escrachado de “tiozão”. E sua volta vem acompanhada de um pacote recheado de novidades, como jogar do lado do mal controlando os vilões.

Os fãs da obra de Sam Raimi ficarão estonteados com a surra de nostalgia que é Evil Dead: The Game. Espere ver conteúdos de toda a saga, como os três filmes de “Uma Noite Alucinante” — tradução em PT-BR — e Ash vs. Evil Dead, assim como todas as versões do protagonista e muitos outros rostos conhecidos.

A adaptação de uma franquia conhecida ao multiplayer assimétrico funcionou muito bem neste caso. A Saber Interactive, estúdio responsável pela produção, conquistou um merecido elogio no game design e soube fazer a junção da lore às mecânicas do gênero. Mas o jogo não é perfeito e tem suas ressalvas.

Carta de amor envelopada com pele humana e escrita com sangue

A qualidade do fanservice em Evil Dead: The Game é digna de qualquer homenagem que possa ser prestada. A representação dos monstros e dos personagens é cirurgicamente detalhada, desde o design até o diálogo ácido que ajudou a popularizar a franquia em outrora.

O título captura bem a essência do produto original e combina elementos de terror autênticos (como a sensação de medo constante) com ação desenfreada e humor sombrio para equilibrar a balança. Olhando para esse lado, a participação de Campbell como Ash Williams também foi muito importante para dar sustância ao pacote — afinal, foi ele mesmo quem popularizou o personagem.

Evil Dead: The Game
(FONTE: Valdecir Emboava)

Apesar do sucesso na representação da série em um multiplayer assimétrico, a nostalgia se destaca nas missões do offline. Porém, essa é a parte que recebeu menos atenção da Saber Interactive, afinal, o foco do produto é o 4 vs. 1.

Essas fases funcionam como uma minicampanha que conta a história dos filmes ao completar tarefas simples. Embora sejam missões repletas de valor nostálgico, já que narram os acontecimentos da trama original, elas podem durar muito tempo, são sobrecarregadas pela dificuldade excessiva e resetam caso você morra — sem direito a nenhum checkpoint. Isso sem mencionar a parte entediante de correr pra cima e pra baixo no mapa.

Evil Dead: The Game
Icônico chalé dos Knowby (FONTE: Valdecir Emboava)

Há uma clara intenção do estúdio em recriar uma atmosfera de survival horror, onde Ash deverá lutar intensamente com a sua motoserra e dificilmente terá munição ou formas de recuperar a vida. Dada a grande desvantagem do jogador e a inexistência do checkpoint, a experiência cai na frustração.

Colabore ou morra tentando

O multiplayer de Evil Dead: The Game é estruturado de duas maneiras: os sobreviventes, com até quatro jogadores, e o time do “mal”, onde é possível encarnar um Demônio Kandariano para derrotar o quarteto.

Para vencer as sessões, que duram cerca de 20/30 minutos, os sobreviventes precisam completar uma série de pré-requisitos e mandar o demônio de volta às profundezas do inferno — simplesmente escapar do mapa não é uma opção. Claro, o trabalho em equipe é crucial para o sucesso.

O grupo deverá encontrar três páginas do Necronomicon, a Adaga Kandariana, expurgar os Sombrios e, por fim, proteger o livro da posse do mal. Tudo isso enquanto dezenas de Deadites, armadilhas e o próprio Demônio, controlado por um jogador, atrapalham as investidas da equipe.

A Saber Interactive tomou decisões inteligentes para diferenciar Evil Deat: The Game de outros jogos do gênero, ao deixar a experiência mais rica e empoderadora. Aqui, é possível escolher entre três classes de sobreviventes, que por si só já dinamizam e muito o gameplay: Líder, Guerreiro, Caçador e Suporte.

Cada uma delas têm uma função específica. O Guerreiro, por exemplo, possui mais vida e causa mais dano no combate corpo a corpo. Já o Líder pode melhorar os atributos, tanto dos aliados quanto dele próprio, além de ser mais resistente ao medo. Cabe ao time escolher as melhores opções de classes que atendam às necessidades no cumprimento dos objetivos.

O medo é uma mecânica que apimenta a jogatina de Evil Dead: The Game. Se o player estiver sozinho, sem uma fonte de luz por muito tempo ou ferido, a barra de fear aumentará, o deixando suscetível à possessão.

Na pele de um Kandariano também é possível assustar os sobreviventes, basta carregar o R1 e atravessá-los com sua alma — criando um momento de jump scare na tela que remete muito aos clássicos de Sam Raimi.

Evil Dead: The Game
Animação do jump scare da classe Necromante (FONTE: Valdecir Emboava)

Todo o lado positivo de Evil Dead: The Game é ofuscado por problemas menores, como o ângulo de visão da câmera que impossibilita ver precisamente a direção dos inimigos. Além disso, a esquiva raramente é efetiva e não existe um botão para pular — e são tantos obstáculos pela floresta que essa opção seria muito bem-vinda.

Ser um Kandariano em Evil Dead: The Game é mais divertido do que parece

Sim, jogar como um Kandariano em Evil Dead: The Game é muito divertido. Do lado do mal, o player percorre o mapa a uma velocidade assustadoramente rápida, coleta orbes para subir de nível e realiza ações na esperança de eliminar um por um do quarteto.

Qualquer um que assistiu Uma Noite Alucinante se lembrará daqueles momentos icônicos quando uma força do mal atravessa a floresta escura, passando por arbustos, cercas e portas para chegar até Ash e seus amigos. É exatamente assim que você se sente ao assumir o papel do Demônio — a Saber Interactive soube adaptar com maestria esse sentimento ao game design.

Evil Dead: The Game
(FONTE: reprodução)

É mais trabalhoso jogar do lado do mal. O player constantemente deverá recolher orbes na floresta que contabilizam pontos para plantar armadilhas, possuir árvores quando algum sobrevivente estiver por perto, assustá-los e por aí vai. Seu nível sobe a cada ação bem sucedida, acelerando o desbloqueio do monstro escolhido para jogar.

São três opções de Kandarianos disponíveis: Lorde de Guerra, Marionetista e Necromante. Cada grupo tem seus lacaios e é representado por um monstro icônico da franquia — como a Henrietta Knowby de Evil Dead 2.

Além disso, todos possuem suas próprias vantagens, seja invocando um Esqueleto Flautista para buffar os aliados, controlando a mente dos oponentes ou simplesmente “descendo a porrada” sem dó no quarteto inimigo.

Enquanto um lado exige muito trabalho em equipe para o sucesso da rodada (aí também vai depender da sua sorte em cair com um time bem coordenado), o outro só depende de você, mas é necessário precisão para dominar as tarefas mencionadas acima — tudo simultaneamente, na maioria das vezes.

A balança é equilibrada para ambos os lados em Evil Dead: The Game, pois não é fácil vencer em nenhum deles. Isso deixa o jogo desafiador e instiga novas jogatinas no início — mas pode enjoar depois de um tempo por conta da mesmice. Para este problema, uma solução: atualizações de pós-lançamento com novidades para manter o público engajado.

Evil Dead: The Game: vale a pena?

Em poucas palavras, Evil Dead: The Game é uma adaptação muito bem feita da saga, que casou bem até demais com o sistema de multiplayer assimétrico. É nítido todo o esforço direcionado à nostalgia — e isso foi importante para a qualidade da produção. Ele vale o seu tempo.

O título revigoriza a fórmula do gênero. Claro, Evil Dead: The Game não reinventa nada e tampouco revoluciona, mas cumpre seu papel em proporcionar uma experiência divertida trazendo novidades.

Evil Dead: The Game
(FONTE: reprodução)

A Saber peca um pouco nos mapas, pois disponibilizou apenas dois nesta ocasião — e bem parecidos, inclusive. Em termos de personagens jogáveis, existem 13 Sobreviventes e três Demônios, uma variedade interessante de início. Mas como fica o futuro?

O estúdio já recorreu a cinco versões diferentes de Ash para completar o elenco — mas até quando ele conseguirá manter os jogadores e os fãs da franquia de “barriga cheia”? Fica aí o questionamento.

Com opções de legendas em PT-BR, Evil Dead: The Game já está disponível para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC com o upgrade gratuito entre gerações. Na PS Store, seu preço é de R$ 199,50 na versão base e R$ 299,90 na Edição Deluxe — que acompanha o Passe de Temporada.

Veredito

Evil Dead: The Game
Evil Dead: The Game

Sistema: PlayStation 4 e PlayStation 5

Desenvolvedor: Saber Interactive

Jogadores: Até 5 jogadores online

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73 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Multiplayer assimétrico casou muito bem com os elementos da saga
  • Carta de amor aos fãs de Evil Dead
  • Jogar de Kandariano é um deleite
  • Poucos bugs e problemas de conexão
  • Gameplay bastante divertido e interativo
Desvantagens
  • Missões do offline são mal exploradas e frustrantes
  • Falta de opções de mapas
  • Ausência de um botão de pular
  • A câmera limita o ângulo de visão
  • Saber Interactive pode encontrar problemas para expandir o conteúdo do jogo
Valdecir Emboava
Valdecir Emboava
Redator
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