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Assassin’s Creed Valhalla: Dawn of Ragnarök: vale a pena?

Maior DLC da história da franquia da Ubisoft cumpre o prometido com gameplay divertido e horas de conteúdo

por Thiago Barros
Assassin's Creed Valhalla: Dawn of Ragnarök: vale a pena?

Dawn of Ragnarök. O nome diz tudo: o começo da maior guerra da história da Mitologia Nórdica. Aquela que acaba com tudo. Mas para Assassin’s Creed, o fim é o começo. De uma série de novas possibilidades que ainda não haviam sido implantadas na franquia, que viveu uma grande transformação em 2017 e parece, cada vez mais, estar disposta a seguir se reinventando.

Carregar o peso de ser “a expansão mais ambiciosa na história da franquia” é uma enorme responsabilidade. Especialmente porque o DLC não é barato – sai por R$ 199,90 na PlayStation Store. Só que muito mais do que um conteúdo extra para Assassin’s Creed Valhalla, Dawn of Ragnarök é um bem-vindo sopro de novidade, combinado ao que todo mundo já espera de um game com esse nome.

Eivor assume o papel, simplesmente, do mais temido e maior deus das lendas nórdicas: Odin, o Pai de Todos. Em um “sonho” enquanto descansa sob uma árvore em Ravensthorpe, o protagonista de Valhalla embarca numa aventura mitológica onde há dois objetivos muito claros: salvar seu filho, Baldr, e derrotar Surtr, um gigante de fogo imortal.

Expansão

Quem comprar Dawn of Ragnarök poderá entrar no jogo de duas formas: seguindo a partir de um save de Assassin’s Creed Valhalla ou jogando apenas o conteúdo da nova expansão. Se sua opção for a primeira, há dois caminhos. Para quem já tem um personagem com o nível 340 ou superior, é só ir até Ravensthorpe e acessar a missão.

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Para quem ainda não chegou, é possível ir até o local e usar um elixir que irá levá-lo temporariamente para esse nível, fazendo upgrade nos seus equipamentos enquanto você explora o mundo fantasioso do DLC. Tudo o que você conquistar lá, ficará no seu arsenal, mas o level voltará ao normal posteriormente.

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Agora, quem não jogou o game ou quer apenas vivenciar a experiência de Dawn of Ragnarök, basta criar um novo jogo e selecionar essa opção. Assim, terá em mãos uma série dos melhores equipamentos, já no nível 340, e poderá partir para cima de Surtr e companhia de forma mais rápida e prática, sem preocupações.

Ragnarök

A temática nórdica entrou em grande evidência com God of War, de 2018, e a palavra Ragnarök, claro, fez parte disso. Desde as menções no jogo até a confirmação de que o nome do segundo título desse “reboot” da saga de Kratos será God of War Ragnarök. E, claro, isso vai ser uma faca de dois gumes em relação à expansão de Assassin’s Creed.

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Pro lado ruim, o fato de muita gente poder querer compará-la com o game da Sony Santa Monica – o que é injusto, mas certamente pode (ou até deve) acontecer. Por lado bom, a questão de que muitos dos personagens e mitos abordados já estarem muito mais populares do que há três/quatro anos. Hoje, “todo mundo” já sabe o que é o Ragnarök, conhece Odin e sabe quem é Baldr.

Aqui, no entanto, a história é um pouco diferente. Se Kratos queria matar Baldr (e vice-versa), Eivor (ou Odin) quer salvá-lo. Afinal, ele é um dos filhos do poderoso Deus, que foi capturado por um gigante de fogo e está sendo torturado. Não seria nada demais porque Baldr é invulnerável, só que os inimigos sabem a única coisa que pode causar dano a ele – o visco.

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Por trás da armação, claro, está Loki, o Deus da Trapaça, que não é aquele da Marvel (que também ajudou demais na popularização desse mito) e nem Atreus. O máximo que dá pra falar da história sem dar spoilers é isso. Mas é um bom background, com uma narrativa bacana e envolvente, que acontece em meio à queda de Svartalfheim, o reino dos anões.

Ah, e uma observação: sabe as Valquírias de God of War? Então… Tem algo bem parecido aqui também.

Svartalfheim

Até chegar, de fato, ao local onde o mundo é aberto e você pode explorar Svartalfheim, demora um pouquinho. O jogo tem um tutorial meio lento (e até levemente chato), com exceção da primeira batalha, logo de cara, com Surtr. São algumas missões daquelas de “siga pessoa X”, o que pode irritar levemente o jogador. Mas é tudo necessário, afinal, são muitas mudanças no gameplay.

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Assassin’s Creed® Valhalla

Esse não é um Assassin’s Creed qualquer. Você até tem seus equipamentos e vai usá-los bastante. Contudo, o que brilha mesmo é o lado mágico dos combates. Com um novo item, chamado Hugr-Rip, você consegue “roubar” habilidades dos inimigos dos diferentes mundos da mitologia. São cinco poderes no total: Jotunheim, Raven, Winter, Muspelheim e Rebirth.

Eles têm diferentes funções, que servem tanto para locomoção quanto para disfarce como, claro, para ataque. É preciso combiná-los em variadas situações para avançar. O de Muspelheim, o Reino do Fogo, por exemplo, permite que você caminhe tranquilamente pela lava – sem usá-lo, Eivor toma bastante dano e morre rapidamente ao passar por ela. O do Corvo te transforma num pássaro para voar por aí.

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A aventura acontece em quatro principais regiões, Eitri, Svaladal, Vangrinn e Gullnamar, e dura cerca de 20 horas na quest principal. As sidequests acrescentam cerca de 15 horas ao tempo de jogo. São muitas as possibilidades, com eventos em tempo real no meio do mapa, sagas heroicas especiais, memórias a serem recuperadas, inimigos especiais espalhados, anões a serem resgatados e muito mais.

Para salvar seu filho, Odin precisa da ajuda dos anões, e só vai conseguir fazer isso explorando Svartalfheim e encontrando os refúgios deles. Fazendo isso e cumprindo missões, vai evoluindo seus equipamentos, conquistando os novos poderes e se preparando para seu destino na batalha final.

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Essa exploração também é outro ponto bem diferente dos Assassin’s Creed mais tradicionais. Você tem que buscar pistas e encontrar os abrigos por si só, para ir liberando as partes seguintes da aventura. É bem bacana e recompensador. Especialmente porque há diversas surpresas e possibilidades no caminho.

Dawn of Ragnarök: vale a pena?

Agora, se por um lado Dawn of Ragnarök traz tantas novidades, por outro ele é Assassin’s Creed purinho – assim como Valhalla, seu jogo base. E isso é para o bem e para o mal. De positivo, a nova pegada de RPG que começou em 2017, o gameplay com combates bacanas e a furtividade, diálogos bem construídos e muito conteúdo, além da localização completa para o nosso idioma.

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De negativo, um pouquinho daquelas missões repetitivas e os pequenos bugs. Personagens travando em alguns lugares, sem poder acessar certas áreas que deveriam estar liberadas e, nos testes do MeuPS, até o elixir para subir de nível em um save de Valhalla não apareceu no inventário – fazendo com que ficasse impossível passar logo da primeira batalha.

Mas, no fim das contas, o saldo é positivo. Certamente haverá patches de correções para os bugs, e o jogo terá um desempenho bacana – e será uma expansão digna de Valhalla, que elogiamos bastante aqui pelos belos gráficos e o conjunto da obra. Por isso, sim, esse DLC vale a pena. Poderia ser mais barato, claro, mas oferece bastante conteúdo e uma experiência fresca para os fãs da saga.

Se você curtiu Assassin’s Creed Valhalla e está disposto a tentar essa nova pegada, pode ir sem medo. Que os corvos de Odin lhe guiem!

Veredito

Assassin's Creed Valhalla: Dawn of Ragnarök
Assassin's Creed Valhalla: Dawn of Ragnarök

Sistema: PlayStation 5

Desenvolvedor: Ubisoft

Jogadores: 1

Comprar na Amazon
83 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Nova abordagem de gameplay é interessante
  • Muitas horas de conteúdo e exploração
  • Narrativa mitológica agrada e traz novos ares
  • Localização completa para o português
  • Não é preciso ter jogado tudo de AC Valhalla
Desvantagens
  • Pequenos bugs (como de costume)
  • Começo é bem lento (e até meio chato)
  • Preço poderia ser um pouco menor
Thiago Barros
Thiago Barros
Editor-Chefe
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Jogando agora: Ghostwire Tokyo
Jornalista, teve PS1, pulou o 2, voltou no 3 e agora tem o 4, o 5 e até o PSVR. Acha God of War III o melhor jogo da história do PlayStation.