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Cronos: The New Dawn
Cronos: The New Dawn

Cronos: The New Dawn: vale a pena?

Do poço ao topo. A expressão pode resumir muito bem a trajetória da Bloober Team. Embora já tivesse projetos anteriores, a desenvolvedora ganhou notoriedade com o lançamento de The Medium. O jogo de terror até tentou, mas falhou. A redenção chegou com o remake de Silent Hill 2 e, agora, a companhia se estabelece com o ótimo Cronos: The New Dawn.

O novo título é a síntese de todos os experimentos anteriores e, também, se apropria de elementos de projetos alheios. É inegável a semelhança com Dead Space, e, felizmente, o game não fracassa como The Callisto Protocol. Há um clima de terror bem consolidado e uma narrativa de ficção científica bastante cativante. É como se Stranger Things e DARK, ambos da Netflix, tivessem um filho chamado Cronos: The New Dawn.

Um survival horror bastante parrudo, com uma boa dose de dificuldade e sem apelo para puzzles. Aqui, o objetivo é sobreviver enquanto se desvendam mistérios relacionados à viagem temporal, doenças epidêmicas e à destruição da humanidade. Sem enrolação e com uma forte ênfase nos confrontos, o novo game da Bloober Team é ideal para amantes de jogos envolventes.

Sem mais delongas, hora de embarcar nessa viagem.

Essa é a nossa missão!

A Viajante ND-3576 é despertada pelo Coletivo para identificar o porquê de outro Viajante não ter cumprido sua missão. O objetivo é assegurar a missão de extrair a essência de pessoas-chave que se envolveram em uma grande tragédia de uma doença epidêmica na Polônia. No entanto, mais do que apenas uma gripezinha, os efeitos do vírus causaram o colapso da sociedade.

Logo de cara, não dá para negar a forte inspiração na realidade mundial durante o período da pandemia da COVID-19. Cronos: The New Dawn parece até mesmo reproduzir vários dos discursos que foram feitos, desde os mais agressivos até os mais negacionistas. De um jeito ou de outro, toda a temática do jogo remete ao período do coronavírus, recriada em um universo cheio de monstros.

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Coletivo, Viajante, Guardião… São vários elementos próprios desta história muito interessantes. Fonte: tela de captura.

Por causa disso, a trama ganha pontos a mais por despertar a curiosidade do jogador. Com elementos sobrenaturais, a missão da Viajante não é apenas proteger a humanidade de uma simples doença, mas envolve combater criaturas vis que foram consequências de mutações bizarras.

Além da própria temática que gera uma identificação, a lore do game aposta em conceitos muito legais. Algo semelhante a O Mandaloriano, em que o visual do protagonista é carismático sem muito diálogo, a protagonista aqui também é cativante. Ao longo de sua jornada, ela descobre outros personagens que são ligados ao Coletivo, entidade responsável pelos Viajantes, e como isso afeta todo o percurso da humanidade.

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Com um forte apelo para a ficção científica, a narrativa é cheia de momentos tensos. Fonte: tela de captura.

Dead Space, só que sem o Space

Como dito anteriormente, Cronos: The New Dawn é fortemente inspirado em Dead Space, mas não abre mão da sua própria personalidade. Sem equipamentos de corpo a corpo, o combate é inteiramente focado em armas de fogo e com variações de tiro simples e carregado. Acertar o alvo na cabeça gera danos mais efetivos, enquanto há monstros blindados que protegem os membros alheios.

Uma das particularidades de Cronos é que o fogo é um recurso importante na sobrevivência. Os monstros podem se alimentar dos restos mortais dos outros alvejados, tornando as batalhas ainda mais punitivas. Por isso, o jogador precisa saber o momento certo de incinerar os inimigos, seja para enfraquecê-los ou para impedir que ganhem novas mutações.

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O tempo todo estamos lidando com criaturas assustadoras. Fonte: tela de captura.

Como um jogo de tiro em terceira pessoa, o título acerta na movimentação e no uso dos equipamentos. Cada um possui características próprias que podem ser o diferencial na hora em que os monstros partem para cima. Enquanto o jogador explora os cenários, é possível adquirir Núcleos para aprimorar o Traje ou Energia para comprar aprimoramentos dos equipamentos.

Embora o combate seja um dos grandes pontos altos da experiência, não podemos negligenciar o fato de que o projeto é um survival horror maiúsculo. Ou seja, é preciso gerenciar muito bem os recursos. Em vários momentos, durante embates intensos, não havia mais munição para as armas e foi preciso ativar o modo sobrevivência: desferir socos nos monstros e torcer para eles estarem com pouca vida.

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O gerenciamento de espaço e o limite de recursos são elementos desafiadores no game. Fonte: tela de captura.

Mais do que saber o que craftar com os recursos obtidos nos cenários, é necessário ter sabedoria para escolher quando e não desperdiçar os itens. Além disso, errar tiros pode custar a vida da Viajante, já que as munições são escassas.

Além disso, a gestão do espaço é de suma importância. O jogo não tem puzzles como Resident Evil, que exige coletar uma peça para encaixar em outra área, mas há itens importantes, como um pé de cabra, que abre salas secretas e ocupa a mochila. Carregar sem saber onde usar é comprometer o armazenamento.

Em cenários mais abertos, o jogo força a buscar por suprimentos para sobreviver. Fonte: tela de captura.

Cronos: The New Dawn aposta no ‘conceito Dead Space’, mas com áreas mais abertas. Apesar de seguir uma campanha linear de 15 horas, os cenários urbanos devastados oferecem variedade e liberdade limitada para exploração.

Existem segredos e colecionáveis que oferecem mais suprimentos para a Viajante, mas não entregam nenhum tipo de conteúdo secundário.

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Ao mesmo tempo que há muitos lugares apertados, gerando uma sensação claustrofóbica. Fonte: tela de captura.

Belo e mortal

O visual de Cronos: The New Dawn é um pouco ambíguo. Por um lado, temos uma direção de arte bem legal com as criaturas grotescas, cidades destruídas e deformadas. Por outro, há alguns problemas técnicos chatos durante toda a experiência.

A primeira situação é a renderização de texturas e detalhes que demora para acontecer. Em muitas cinemáticas, as coisas ficam com aquele aspecto “lavado” até que, de repente, a cena termina de renderizar e fornece os detalhes apropriados para a cena.

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Em muitos momentos, dá para perceber o carregamento das texturas no meio das cinemáticas, causando um certo desconforto. Fonte: tela de captura.

O segundo problema técnico é a queda de FPS. O jogo tem dois modos: Fidelidade e Desempenho. Neste segundo, há nítidas quedas durante a exploração. Nos momentos de combate, o game performa bem. No entanto, em situações em que a câmera se movimenta bastante, principalmente nos embates que há uma boa quantidade de monstros, acontece aquela famigerada engasgada.

Por mais que sejam problemas mínimos, a constante recorrência deles incomoda.

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A queda de FPS ocorre mais na hora da exploração, mas dá para notar engasgos em confrontos com muitos bichos. Fonte: tela de captura.

É válido mencionar que a trilha sonora cria uma ambientação singular. Com faixas sintéticas, sons graves e músicas que parecem ser criadas para uma grande experiência cinematográfica de ficção científica, o game acerta demais neste quesito.

Cronos: The New Dawn: vale a pena?

Um ótimo jogo linear, com uma dificuldade bem equilibrada e desafiadora, uma trama sci-fi robusta e muitos confrontos legais, Cronos: The New Dawn pode ser considerado o novo Dead Space desta geração.

Embora, para muitos, a duração da campanha possa ser curta, vale destacar que o game já conta com Novo Jogo+ com novas possibilidades de dificuldade. Além disso, certas ações impactam na conclusão do game, oferecendo aos jogadores a curiosidade de descobrir as outras ramificações da história.

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Simples, mas completo, Cronos: The New Dawn pode ser um dos survival horror mais raiz dos últimos anos. Fonte: tela de captura.

Com este novo projeto, a Bloober Team se consolida como uma relevante desenvolvedora do gênero de survival horror, espantando qualquer fantasma que The Medium possa ter deixado.

Veredito

88

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Bloober Team

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Cronos: The New Dawn

Vantagens

  • Combates brutais
  • Survival horror raiz com escassez de recursos
  • Ambientação sci-fi convincente
  • Narrativa instigante
  • Boa variedade de armas, monstros e gadgets
  • Novo Jogo+ incluso com mais opções de gameplay
Desvantagens do jogo Cronos: The New Dawn

Desvantagens

  • Bugs técnicos de renderização e FPS
  • Podia ter mais puzzles

Veredito

88

capa do jogo Cronos: The New Dawn

Jogo

Cronos: The New Dawn

Autor

foto do author do artigo Raphael Batista

Raphael Batista

Produtor de conteúdo em vídeo no MeuPlayStation, com atuação voltada à cobertura de jogos e tendências da indústria. Tem preferência por experiências narrativas e franquias marcantes, como The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel’s Spider-Man, trazendo uma visão próxima da comunidade e do dia a dia dos jogadores.

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