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Crimson Desert
Crimson Desert

Crimson Desert: vale a pena?

Só quem se arrisca merece viver o extraordinário”, e podemos dizer que Crimson Desert realmente resolveu apostar. Desde os primeiros vídeos de revelação até a divulgação pré-lançamento, o título da Pearl Abyss prometeu uma experiência imersiva, variada e extremamente densa, tanto pela quantidade de atividades quanto pela escala do mapa.

Após as primeiras análises no PC, o game se mostrou bastante divisivo. Enquanto muita gente se encantou justamente pela variedade de conteúdo, outros apontavam a superficialidade de várias mecânicas e problemas técnicos. E o mais curioso é que os dois lados têm seus motivos.

Crimson Desert é quase um simulador de fantasia em um universo medieval. Há sistemas de personalização do próprio acampamento, mecânicas de agricultura e minigames variados. O jogador pode entrar no game e decidir apenas explorar uma torre abandonada ou, se preferir, criar seu próprio exército de gatinhos obesos. A liberdade é uma das bases mais fortes do gameplay.

Ao mesmo tempo, o game sofre com a própria estrutura. São tantos comandos, tantas atividades e tanto para fazer que não é difícil se sentir perdido, ou até esquecer elementos aprendidos horas antes por conta do excesso de informação. Sabe aquele paradoxo da escolha, em que quanto mais opções existem, mais difícil fica decidir? Crimson Desert flerta bastante com isso.

Ao longo desta análise, vale um aviso: é difícil recomendar Crimson Desert de forma absoluta, sem pelo menos explicá-lo. Conheci pessoas que amaram e outras que detestaram. E essas reações não estão ligadas apenas aos problemas técnicos, mas principalmente à proposta do jogo e ao tipo de experiência que cada jogador busca.

Após concluir a campanha em mais de 100 horas, escrevo esta análise com sentimentos mistos. Houve momentos bons, até muito bons, mas também existiram várias horas em que eu simplesmente queria abandoná-lo. Nessa montanha-russa de altos e baixos, minha sensação final é de que os acertos pesaram mais. Crimson Desert é tão ambicioso que, mesmo tropeçando, ainda merece reconhecimento.

Ninguém se importa com essa história

Talvez o principal elemento que deixe um gosto amargo em toda a experiência de Crimson Desert seja justamente sua história. Ou melhor, o mosaico de missões que tenta construir a jornada de Kliff. No fim das contas, estamos diante de uma trama de vingança.

O protagonista faz parte dos Jubas Cinzentas, uma facção que arrumou muitos problemas, principalmente com os Ursos Negros. Após uma emboscada, Kliff e seus companheiros são encurralados, mas o herói é salvo por uma força misteriosa. Com um novo poder, seu objetivo passa a ser destruir os Ursos Negros, restaurar seu bando e compreender os mistérios sobrenaturais que surgem pelo caminho. Nesse processo, ele coordena grandes guerras para seus aliados, ajuda seres divinos e encara conspirações.

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Em Crimson Desert, você busca reunir sua tropa. Fonte: tela de captura.

O enredo tenta beber da estrutura de Red Dead Redemption 2, em que Arthur Morgan realiza uma série de missões para consolidar reputação, proteger seu grupo e buscar recursos. O problema é que Crimson Desert sofre justamente da falta de dois elementos que o título da Rockstar Games tem de sobra: personagens carismáticos e uma história realmente interessante.

Aqui, a narrativa sofre com uma cadência arrastada, em que o jogador é empurrado para objetivos aleatórios em nome do progresso. Desde “falar com a criança” até “eliminar um nobre que está contra uma facção aliada”, as atividades surgem sem uma justificativa clara, e várias vezes você se pergunta por que está fazendo aquilo.

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De batalhas entre facções a confrontos sobrenaturais, a história de Crimson Desert vai para todos os lados. Fonte: tela de captura.

Para piorar, Kliff e seu bando têm pouco carisma. São personagens inseridos em situações dramáticas, mas o texto e a direção não conseguem transmitir urgência nem criar conexão. Há um evento importante envolvendo a morte de alguém, e todos os personagens sofrem com isso, mas não se surpreenda se você nem lembrar de quem se trata, justamente pela falta de presença em meio a tantos coadjuvantes e NPCs.

Possivelmente, a Pearl Abyss, acostumada com MMORPGs, tentou replicar esse mesmo modelo em um projeto single-player. Só que a ideia não se sustenta da mesma forma. A estrutura acaba afastando o jogador. Não se trata de exigir uma narrativa complexa, mas sim de criar ligações mais consistentes entre os eventos, em vez de apresentar quests que parecem soltas.

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Em momentos que deveriam ser emocionantes, o jogador está mais preocupado em pular a cena e seguir para o próximo desafio. Fonte: tela de captura.

Se prepara porque aí vem o jogo

Embora a história seja o grande defeito do título, ela não representa tudo o que o jogo tem a oferecer. É importante deixar isso claro porque a campanha gira em torno de 100 horas. Se você decidir se aprofundar ainda mais, é bem possível que o tempo total chegue a 200 ou até 300 horas. E, curiosamente, é justamente aqui que o jogo conquista de vez ou afasta completamente o jogador.

Em Crimson Desert, exploramos o continente de Pywell, dividido em regiões com características bem distintas. Todas as áreas podem ser percorridas da forma que o jogador quiser: a pé, a cavalo, voando ou escalando. Dá para chegar praticamente a qualquer lugar visível, e esse é um dos maiores trunfos da experiência.

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Liberdade define bem a experiência: vá para onde quiser e como quiser. Fonte: tela de captura.

Ao avistar uma torre isolada, um buraco suspeito, um acampamento fortificado ou qualquer ponto que pareça fora do comum, o jogador pode seguir até lá e quase sempre será recompensado. Pode surgir uma missão secundária, um baú escondido, um puzzle ou até uma batalha especial. Quase sempre há algo interessante esperando pela sua curiosidade.

Crimson Desert conta com 76 chefões, mais de 20 montarias, 573 territórios para explorar e 401 criaturas. Esses números ajudam a ilustrar bem a dimensão do conteúdo disponível. E há uma satisfação genuína em descobrir algo novo, encontrar uma caverna escondida ou ativar uma missão secreta.

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A curiosidade do jogador é constantemente provocada e, na maioria das vezes, recompensada. Fonte: tela de captura.

Combate e puzzles desafiadores

Para fazer toda essa exploração valer a pena, o jogo oferece muitos combates e quebra-cabeças. O sistema de batalha é variado, com combos, ataques, defesas e habilidades passivas e ativas. Também é possível desbloquear técnicas específicas que deixam Kliff mais ágil e versátil durante os confrontos.

Embora não seja um soulslike, as batalhas contra chefões são desafiadoras. Ainda assim, existe certa repetição na estratégia, quase sempre baseada em defender, recuperar vida com itens e atacar até derrotar inimigos que absorvem dano demais. Em vários momentos, as lutas se arrastam além do necessário.

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Espere por ótimos confrontos que farão você repensar sua build. Fonte: tela de captura.

Os quebra-cabeças também têm seus tropeços. Alguns são criativos e realmente divertidos, mas outros exigem uma precisão exagerada no uso de habilidades, como a Palma. Caso a execução não aconteça exatamente na posição correta, o comando simplesmente não funciona. Isso expõe limitações técnicas que também aparecem em momentos de coleta de itens.

Mesmo assim, esses problemas não apagam os acertos. O combate é satisfatório, especialmente pelo impacto dos golpes, e resolver puzzles mais complicados entrega uma sensação real de recompensa.

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De quebra-cabeças simples a minigames, o jogo oferece atividades para quase todos os gostos. Fonte: tela de captura.

Dois jogos diferentes

Atualizações normalmente não entram com tanto peso em uma análise, mas Crimson Desert é um caso particular. O jogo chegou em 19 de março e, desde então, recebeu updates relevantes em um intervalo muito curto de tempo.

O modo desempenho no PS5 base apresentava problemas visuais, mesmo rodando a 60 FPS. Depois das atualizações, a qualidade gráfica melhorou de forma perceptível. O modo equilibrado também passou por ajustes para reduzir quedas bruscas de desempenho.

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A resolução estava bem aquém nas primeiras versões, algo que foi amplamente corrigido. Fonte: tela de captura.

Além disso, houve mudanças no sistema de estamina, correções de input lag, adição de montarias e novos recursos sugeridos pela comunidade, como ferramentas de organização.

Tudo isso aconteceu em cerca de 15 dias. Não passa a sensação de um produto incompleto, mas sim de um projeto em evolução constante. A Pearl Abyss demonstra comprometimento em lapidar a experiência.

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A tendência é que Crimson Desert siga melhorando com o passar do tempo. Fonte: tela de captura.

Ainda existem problemas, como um leve input lag e a impossibilidade de remapear controles, mas eles já não incomodam tanto quanto nas primeiras versões e parecem questões plenamente corrigíveis em updates futuros.

O que torna Crimson Desert tão especial e tão criticado

Crimson Desert chama atenção pela liberdade, pela quantidade de conteúdo e pela forma como introduz novas mecânicas o tempo todo. É um prato cheio para quem gosta de explorar, descobrir segredos e investir dezenas, ou até centenas, de horas em um único jogo.

Por outro lado, essa mesma ambição alimenta boa parte das críticas. A experiência nem sempre é fluida, e várias mecânicas acabam sem o aprofundamento que mereciam. O jogo quer abraçar muitas ideias ao mesmo tempo e, em alguns momentos, parece ainda buscar uma identidade própria.

Crimson Desert

Crimson Desert: vale a pena?

Crimson Desert não é um jogo para todo tipo de jogador, e isso fica claro desde o início. Seu ritmo mais lento nas primeiras horas e a forma como apresenta suas mecânicas podem afastar muita gente, especialmente quem busca uma experiência mais direta.

Ainda assim, é impossível ignorar o nível que o jogo alcança diante de tanta ambição. Trata-se de uma aventura de grande escala, comparável a Red Dead Redemption 2 em termos de imersão e volume de conteúdo, capaz de oferecer dezenas, ou até centenas, de horas de gameplay.

Mesmo com problemas na narrativa e algumas mecânicas que poderiam ser mais refinadas, o conjunto da obra é sólido e continua evoluindo. Quando o jogo engrena, ele entrega momentos interessantes, principalmente para quem gosta de explorar, experimentar sistemas e descobrir segredos.

Agora, vale uma observação direta: houve notas bem baixas para Crimson Desert na crítica. Curiosamente, essas mesmas avaliações não refletem a recepção de quem realmente passou dezenas de horas dentro do jogo. Entre jogadores, a percepção tem sido bem mais positiva.

E aí entra um ponto importante. Crimson Desert é o tipo de experiência que não se entende em poucas horas, muito menos em análises apressadas. É um jogo que exige tempo, paciência e envolvimento. Quem não compra essa proposta dificilmente vai enxergar o que ele tem de melhor.

No fim, Crimson Desert é um daqueles títulos que dividem opiniões, mas que fazem bem aquilo que se propõem. Para quem se conecta com sua proposta, a experiência pode ser recompensadora. E, honestamente, esse é o tipo de jogo que pede uma coisa simples: jogue por conta própria e tire suas próprias conclusões.

Veredito

85

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Pearl Abyss

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Crimson Desert

Vantagens

  • A escala do jogo e a grande quantidade de conteúdo
  • A liberdade de exploração e a constante sensação de descoberta
  • O combate satisfatório e puzzles que recompensam o jogador
  • O comprometimento da Pearl Abyss com melhorias rápidas
  • A ambição do projeto, que se destaca no mercado
Desvantagens do jogo Crimson Desert

Desvantagens

  • A história fraca e mal estruturada, com personagens sem carisma
  • A repetição nas batalhas contra chefes
  • O excesso de sistemas, que gera confusão e prejudica a fluidez

Veredito

85

capa do jogo Crimson Desert

Jogo

Crimson Desert

Autor

foto do author do artigo Raphael Batista

Raphael Batista

Produtor de conteúdo em vídeo no MeuPlayStation, com atuação voltada à cobertura de jogos e tendências da indústria. Tem preferência por experiências narrativas e franquias marcantes, como The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel’s Spider-Man, trazendo uma visão próxima da comunidade e do dia a dia dos jogadores.

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