Jogo
Black Myth: Wukong
Há muitos anos, quando foi revelado pela Game Science, Black Myth: Wukong parou o mundo ao apresentar um conceito de cair o queixo. Obviamente, tanta ambição gerou desconfiança e muitos acreditaram que tudo aquilo era uma farsa.
Quanto mais o título demorava para ter atualizações, mais os rumores sobre algo incompleto tomavam conta da internet. Felizmente, os desenvolvedores não caíram nesse papo e foram até o fim: até que ele finalmente foi lançado.
E quando mencionamos “finalmente”, é com uma sensação de alívio, satisfação, alegria e demais sentimentos positivos. Black Myth: Wukong chegou abalando tudo e não à toa já é um dos games mais comentados do ano. Isso, sim, que é justiça.
A Jornada ao Oeste é linda, profunda e impactante; possivelmente a melhor adaptação já criada envolvendo o clássico romance de Wu Cheng’en. Em poucos parágrafos é impossível resumir a grandiosidade desse jogo, então precisaremos de mais.
Sun Wukong ascende ao estado de Buda, mas acaba rejeitando a Corte Celestial e decide viver em paz na sua montanha. Incomodado com a rebelião do macaco e temendo uma possível divisão do mundo, Erlang Shen reúne forças para fazê-lo retornar aos céus.
Tudo piora quando o poderoso guerreiro adota um tom de deboche e superioridade. Provocado, Erlang decide enfrentá-lo com os Reis Celestiais ao seu lado. Tanta força só poderia resultar em um fim: Sun Wukong perde a luta e é selado em uma pedra.

O último ato do macaco espalhou seis relíquias por toda a China — cada uma referente aos seus sentidos. E assim, a lenda foi esquecida, enquanto o adeus do Grande Sábio repercutiu pelos reinos e gerou conflitos entre todas as espécies selvagens.
Séculos depois, os símios do Monte Huaguo partem em uma jornada para recuperar as relíquias e reviver Sun Wukong. Um desses macacos, em especial, se aproxima do status de Predestinado, e o destino do continente agora está em suas mãos.

Black Myth: Wukong é um RPG de ação single-player inspirado na obra chinesa, Jornada ao Oeste. O título pode ser considerado um soulslite, possuindo diversas referências aos jogos souls, mas com diversas particularidades.
A aventura é realmente desafiadora e se caracteriza por ser um “soft boss rush”. Basicamente, seu elemento central de gameplay é o combate contra chefes, e aqui temos um trabalho primoroso: a variedade de inimigos e de golpes é surpreendentemente absurda.

Os confrontos são épicos e se favorecem de técnicas fotorrealistas de efeitos e de cenários. E mesmo com alguns problemas de texturas e quedas de FPS, os confrontos são muito bem conduzidos e deixarão os jogadores de boca aberta do começo ao fim.
Além disso, nada em Black Myth: Wukong é de graça. O mundo é constituído por animais selvagens e humanos e respeita fielmente esse conceito através da movimentação, do impressionante design e do contexto narrativo.

A história também é outro ponto que merece elogios. Os seis capítulos, localizados em português do Brasil para menus e textos, possuem encerramentos com diferentes tipos de animação, mas sem deixar de lado a belíssima CGI que ocorre em tempo real na campanha.
Obviamente, a condução narrativa é muito metafórica e pode deixar algumas pessoas perdidas. Porém, o link estabelecido entre personagens e capítulos preenche pontas soltas com perfeição e entrega uma história muito emocionante e cinematográfica.
Black Myth: Wukong não é um jogo fácil. São dezenas de chefes extremamente agressivos, cenários largos repletos de inimigos improváveis e aquela dificuldade quase padrão que entusiastas de jogos souls devem conhecer muito bem.
É muito fácil um jogador casual desistir logo nos primeiros minutos: sem mapa, sem direcionamento de missões e com recursos que sempre aparentam inferiores, o Predestinado precisa confiar ao máximo em suas habilidades.

Felizmente, ele não estará só nesta jornada. Além de contar com habilidades únicas de paralisar inimigos, de criar clones, de ficar invisível e de se tornar pedra, o herói absorve Espíritos de adversários derrotados para usá-los ao seu favor.
O mundo de Black Myth: Wukong está repleto de segredos e oportunidades e garante que nada que você fizer será em vão. Transformar-se em criaturas diversas é extremamente satisfatório, ainda mais quando elas se adequam perfeitamente à build.

Ao longo da campanha, o protagonista também coleta vários tipos de armas e armaduras, artefatos, itens consumíveis e magias. Tudo isso faz parte de uma constituição que pode ser resetada a qualquer hora, caso você se arrependa de como está ou prefira mudá-la.
A acessibilidade do jogo está nisso: o Predestinado é extremamente poderoso e adaptável. A sensação de força pode ser percebida não apenas através do gameplay perfeito que a Game Science oferece, mas também de um sistema de progressão rico e versátil.

E não é conversa: os comandos respondem precisamente às ações. O que é complexo no início se torna familiar em poucos minutos, mesmo com novidades sendo apresentadas a praticamente todo instante. É um projeto volumoso em todos os aspectos.
Black Myth: Wukong também possui sistemas de ferreiro, de criação de tônicos e de colheita de recursos. Além disso, muitas missões secundárias e chefes secretos recompensam os jogadores mais destemidos e atentos, com direito a uma surpresa no capítulo final.

A Game Science também adicionou recursos endgame, Novo Jogo+ e um Modo Foto. Todas essas funções servem para manter o jogador engajado nas aventuras do Predestinado e descobrir onde ela chegará.
A história de Black Myth: Wukong é linda e se favorece muito bem dos personagens carismáticos. Mesmo NPCs e “líderes” de quests secundárias são bem construídos e possuem planos de fundo que prometem emocionar.
A narrativa principal leva cerca de 30h para ser concluída, enquanto uma run completa pode exigir mais de 50h facilmente. Vale a pena conversar com personagens e ver como eles se integram a uma jornada que tem ares de antologia, mas se conectando em algum ponto.

Cada um dos capítulos ocorre em uma região distinta, impactada por condições geográficas extremas: deserto, área vulcânica, montanhas de neve e mais. Além disso, os chefes levam um pouco dessas características, apesar de serem extremamente particulares.
Black Myth: Wukong não possui um mundo aberto, mas sim semiaberto com mapas realmente grandes. Essa é apenas uma das inspirações na série souls, assim como a ideia de descansar e resetar áreas e de haver um hub central com vários ofícios.

Porém, vale pontuar que você não perde nada se morrer. Caso encontre dificuldade em algum canto, vá para o outro lado. Caso sua build esteja errada, mude-a de graça e se adapte. É um belo mundo em construção que oferece todas as ferramentas para o sucesso.
Isso também vai de acordo com a história, que conta a lenda de um ser bastante poderoso. No fim, tudo circula em torno do poder, mas a forma como ele é explorado depende do arco de cada personagem, por mais que sejam metafóricos ou repletos de enigmas.

Porém, não há como negar que Black Myth: Wukong possui uma narrativa coesa. Prepare-se para se emocionar em vários momentos, em especial nos finais de cada capítulo. Um belíssimo trabalho sensível da Game Science.
Nessa altura do campeonato, você já deve saber nosso veredito. Black Myth: Wukong é um dos melhores jogos dos últimos anos. Impactante, profundo e extremamente satisfatório, ele explora o potencial da nova geração para entregar algo de brilhar os olhos.
Gameplay preciso, histórias inesquecíveis, chefes que beiram o absurdo e uma enorme quantidade de conteúdos são motivos para fazer você experimentá-lo até o fim. E por mais que seja frustrante em vários momentos, a satisfação é muito maior.

Na PS Store, Black Myth: Wukong está saindo por R$ 300 em versão padrão. Se você tiver dinheiro sobrando ou já esteja planejando investir em algo de alta qualidade, não pense duas vezes. Esse é o jogo que vem forte para as premiações de melhor do ano.
Veredito
90
Desenvolvedor
Game Science
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
90
Jogo
Black Myth: Wukong