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Lost in Random: vale a pena?

História sombria, mundo macabro e gameplay de jogo de tabuleiro se destacam, mas há alguns problemas

por Vítor Amorim Heringer
Lost in Random: vale a pena?

Era uma vez… um mundo macabro, dominado pela tristeza e regrado por uma rainha malvada. Este poderia muito bem ser o começo de Lost in Random, nova aposta da EA Originals, setor da Electronic Arts que investe em estúdios independentes.

Desenvolvido pela Zoink, o título traz uma história sombria e fantasiosa, ao estilo de grandes produções da Pixar e da Disney. No entanto, o seu diferencial está na jogabilidade, ao implementar um gameplay de jogo de tabuleiro e cartas para entreter os jogadores.

História sombria encabeçada por uma Rainha maquiavélica

Não é nenhum mistério que Lost in Random foi inspirado nas produções de Tim Burton, famoso diretor de Alice no País das Maravilhas, A Noiva Cadáver e A Fantástica Fábrica de Chocolate. A história traz uma pitada sombria e gótica, envolvendo ainda questões sociais e um sistema onde todo o futuro de uma pessoa é decidido apenas pela rolagem de um dado.

A narrativa começa com a protagonista Even comemorando o aniversário de 12 anos de sua irmã, Odd, em Onecroft. Todas as crianças com esta idade precisam rolar o dado da maquiavélica Rainha para decidir para qual dos seis reinos farão parte. Como não poderia deixar de ser trágico, ela tira logo um “seis”, indo para Sixtopia, descrito como o “paraíso” de Random e local onde a monarca reside.

Análise de Lost in Random
Foto: Reprodução/Vítor Heringer

Um ano depois, Even tem sonhos estranhos e logo acorda, se deparando com um misterioso fantasma. Acreditando ser um chamado da sua irmã, ela parte em uma aventura para salvá-la. No caminho, encontra diversos personagens com histórias profundas, sofrendo por suas vidas regradas pelas mãos da Rainha.

A história não traz muitas surpresas, mas agrada aqueles que gostam de uma narrativa fantasiosa, mágica e macabra ao mesmo tempo. Explorar todos os diálogos para enriquecer a trama é recompensador, mas a falta de legendas em português do Brasil pode afastar muitos jogadores.

Análise de Lost in Random
Foto: Reprodução/Vítor Heringer

Um destaque que vale chamar a atenção são as dublagens em inglês do elenco de personagens. Todos eles possuem características únicas, digamos, bem estranhas. Isto combina completamente com a proposta do game e fornece mais imersão para o mundo criado.

Ambientação e visuais te levam para dentro do Reino de Random

A história sombria não seria nada sem uma ambientação e visuais adequados — e nisso, a Zoink acertou em cheio em Lost in Random. Cada um dos seis reinos possuem aspectos únicos, como em Fourburg, repleto de luzes e estruturas chamativas, até Onecroft e sua cidade aos pedaços.

Os personagens também possuem aparências enriquecedoras para a trama, principalmente os mais importantes, como a Rainha e sua figura impactante. Eles trazem aquele “toque” bizarro que combina muito bem com o jogo.

Apesar disso, a repetição dos mesmo NPCs por todo o game diminui um pouco da imersão.  Mas, claro, não se trata de um AAA de enorme investimento. É normal um indie focar seus recursos em pontos específicos. Neste caso, a Zoink preferiu se concentrar nos personagens que tinham algum impacto na história.

Quanto à trilha sonora, ela foi muito bem preparada para harmonizar com a proposta de Lost in Random, mas, infelizmente, peca em alguns dos melhores e mais emocionantes momentos da história. Por exemplo, as lutas contra chefes, teoricamente, precisariam de boas doses de adrenalina, mas as músicas não souberam acompanhar tal ritmo.

Além disso, em uma das boss fights, a composição simplesmente sumiu por um bom tempo. Talvez, possa ser um erro passível de correção, mas tirou um pouco da imersão da batalha.

Lost in Random traz o gameplay de um jogo de tabuleiro

Lost in Random traz um inovador combate ao estilo de jogos de tabuleiro e um sistema de cartas com muitas opções para as batalhas. Para isso, Even utiliza o seu companheiro “Dicey”, encontrado logo no início de sua jornada. De primeira, ele somente consegue tirar até o número “dois”, mas o upgrade acontece naturalmente no decorrer da história.

Cada carta possui uma numeração diferente — podendo chegar até três. Dependendo do resultado ao lançar o dado, a protagonista pode usar até todas as cinco cartas de sua mão. A lista de possibilidade do gameplay é bem diversa. Há como partir para a luta ao usar uma espada, lança ou maça. No entanto, pode ser mais estratégico ao incluir envenenamento em suas armas, diminuir a defesa dos inimigos e mais.

As cartas estão espalhadas pelos reinos de Random, mas, principalmente, estão disponíveis por um vendedor que os acompanha em toda a jornada. Conseguir todo o “deck” é bem fácil, principalmente ao completar as missões secundárias, as quais oferecem boa quantia de dinheiro e são simples de completar.

Análise de Lost in Random
Foto: Reprodução/Vítor Heringer

Falando em adversários, o elenco não é muito diverso — novamente, pode estar associado ao fato de ser um indie. As boss fights também estão longe de terem a mesma criatividade do sistema de cartas e dado. Os chefes seguem um padrão de ataque idêntico durante toda a luta. A única mudança é quando surgem hordas de inimigos para dificultar o combate.

Uma mecânica que surpreendeu positivamente foi um verdadeiro jogo de tabuleiro in-game. Em muitos momentos, Even precisa adentrar em arenas, onde o objetivo é levar uma peça até o seu destino final, passando pelas casas conforme atira o dado. Cada arena possui objetivos e caminhos diferentes e, certamente, foram alguns das batalhas mais divertidas de Lost in Random.

Análise de Lost in Random
Foto: Reprodução/Vítor Heringer

Para aqueles que estavam esperando mais imersão com o controle DualSense do PlayStation 5, é bom diminuir as expectativas. O suporte às tecnologias do acessório é praticamente nulo. Apenas ao entrar no jogo e em poucas explosões é possível sentir a resposta tátil. Os gatilhos adaptáveis, então, não se fazem presentes em momento algum.

Obviamente, nenhum estúdio é obrigado a introduzir as capacidades do controle em seus jogos — principalmente sem grande investimento. No entanto, a oportunidade era boa de deixar o gameplay ainda melhor. Quem sabe, a Zoink decida incluir o recurso no futuro.

Lost in Random: vale a pena?

O mais novo título da Zoink e da EA Originals certamente vale a pena. Talvez não consiga alcançar o patamar de sucesso de It Takes Two, mas é outra ótima aposta da Electronic Arts. Lost in Random tem o gameplay como o seu grande destaque, ao simular jogos de tabuleiro e um sistema de cartas fácil de aprender, mesmo em outro idioma.

Os momentos de ação são excelentes, falta maior variação de inimigos, mas, novamente, é bom apontar que se trata de um jogo indie. Caso alcance bom resultado, talvez o estúdio invista ainda mais em, quem sabe, uma sequência, ou até mesmo um prequel.

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Foto: Reprodução/Vítor Heringer

A história não possui grandes surpresas, mas é muito bem contada e entretém em grande parte da aventura de 10 a 15 horas. A jornada é ainda mais imersiva graças a ambientação e visuais de personagens, vilões e cidades. No entanto, a falta de legendas em português do Brasil torna a aventura menos inclusiva.

Por R$ 149,90 na PlayStation Store, Lost in Random pode ser aquela aventura mágica e macabra que você sempre sonhou em jogar no PS4 ou PS5.

Veredito

Lost in Random
Lost in Random

Sistema: PlayStation 4/PlayStation 5

Desenvolvedor: Zoink

Jogadores: 1

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75 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Gameplay inovador ao estilo RPG de mesa
  • Ambientação e visuais imersivos
  • História sombria e envolvente
  • Dublagens em inglês excelentes
Desvantagens
  • Suporte praticamente nulo para o DualSense
  • Lutas contra chefes sem muita criatividade
  • Trilha sonora boa, mas "desaparece" em alguns momentos
  • Falta de legendas em português do Brasil
Vítor Amorim Heringer
Vítor Amorim Heringer
Jornalista
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Jornalista e faixa preta de Muay Thai apaixonado por RPGs e jogos japoneses. Estou sempre em busca de experiências incríveis e marcantes com os games.