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Iniciativa ‘Stop Killing Games’ ganha opositor inesperado entre os gigantes da indústria

Movimento gamer que pede o direito de continuar jogando jogos comprados após encerramento dos servidores enfrenta resistência de publishers

Iniciativa 'Stop Killing Games' ganha opositor inesperado entre os gigantes da indústria

A iniciativa Stop Killing Games, que ganhou força nos últimos meses com a promessa de proteger o acesso dos jogadores aos games comprados, está enfrentando uma oposição de peso. O grupo Video Games Europe, que representa empresas como Ubisoft, Microsoft, Activision, Take-Two, Warner Bros. e Nintendo, afirmou publicamente que as propostas da campanha são inviáveis economicamente para a indústria.

Liderado pelo youtuber Ross Scott (do canal Accursed Farms), o movimento surgiu em abril de 2024 após o caso polêmico de The Crew, jogo da Ubisoft que teve seus servidores encerrados. Por conta de seu funcionamento sempre online, nem o modo single-player pôde ser jogado após a remoção do suporte. Como se não bastasse, a empresa ainda revogou licenças de jogadores, apagando permanentemente o game da biblioteca de quem já havia comprado.

A proposta da campanha é simples: fazer com que editoras deixem seus jogos em um estado jogável mesmo depois de encerrar o suporte. Isso pode incluir liberar servidores privados, remover dependência de conexão online ou oferecer patches que permitam jogar offline. Com essa pauta, a petição europeia do Stop Killing Games já ultrapassou 1 milhão de assinaturas — número necessário para ser validada e, se tudo der certo, chegar ao Parlamento Europeu.

Enquanto isso, a indústria reagiu. A Video Games Europe, associação que atua como porta-voz de mais de 30 grandes publishers e entidades comerciais do setor, divulgou um comunicado afirmando que manter os jogos ativos indefinidamente ou permitir servidores privados pode sair muito caro. Segundo o grupo, isso limitaria a liberdade criativa dos desenvolvedores, especialmente em títulos feitos para serem sempre online.

A declaração também aponta questões de segurança, alegando que servidores privados podem não contar com sistemas para proteção de dados, moderação de conteúdo ilegal e segurança dos jogadores. Ainda assim, o texto conclui dizendo que a entidade está aberta ao diálogo com os responsáveis pela petição.

Ross Scott, por sua vez, considerou os argumentos da indústria fracos e prometeu uma resposta mais detalhada em vídeo.

Fora da União Europeia, a campanha continua ganhando tração no Reino Unido. Lá, a petição já ultrapassou 150 mil assinaturas, número suficiente para ser considerada para um debate no parlamento britânico.

O que é a iniciativa Stop Killing Games

Criada pelo criador de conteúdo Ross Scott, Stop Killing Games nasceu como uma resposta à prática de publishers que desativam jogos comprados pelos consumidores, tornando-os completamente inacessíveis. O movimento pressiona governos a criarem legislações que obriguem empresas a garantirem formas de preservar o acesso a esses títulos, mesmo após o fim do suporte oficial.

Quem é a Video Games Europe

A Video Games Europe é uma entidade que representa os interesses da indústria de jogos eletrônicos na Europa. Ela atua como um grupo de lobby e de coordenação entre grandes editoras e desenvolvedores, incluindo Ubisoft, Microsoft, Activision Blizzard, Take-Two, EA, Warner Bros., Nintendo, entre outros. Seu papel é dialogar com legisladores, defender políticas favoráveis ao setor e responder a iniciativas como a Stop Killing Games.

A discussão está longe de terminar, e com a possibilidade de a petição ser levada ao Parlamento Europeu, os próximos meses prometem acalorar ainda mais o debate entre preservação dos jogos e os limites comerciais da indústria.

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Daniel dos Reis

CEO

Fundador do MeuPlayStation, apaixonado por games, empreendedorismo e tudo que envolve o universo PlayStation. Sortudo por trabalhar com isso.

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