MeuPlayStation | Tudo sobre PlayStation

Como a aquisição bilionária da EA pode transformar a empresa

A EA vive um dos momentos mais incertos de sua história agora que terá novos acionistas poderosos

Como a aquisição bilionária da EA pode transformar a empresa

A EA vive um dos momentos mais incertos de sua história. No fim de setembro, o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), a Silver Lake e a Affinity Partners — empresa liderada por Jared Kushner, genro do ex-presidente dos EUA Donald Trump — anunciaram planos para adquirir a EA por US$ 55 bilhões, em um acordo que tornará a editora privada.

A transação, ainda sujeita à aprovação regulatória, deve ser concluída no primeiro trimestre fiscal de 2027. E o negócio, que já é o maior da história dos videogames, claro, levanta dúvidas profundas sobre o futuro de algumas das franquias e estúdios mais importantes da EA, como BioWare, The Sims, Battlefield e Apex Legends, e o site Polygon ouviu alguns especialistas sobre pontos fundamentais desta negociação bombástica.

Cortes e venda de estúdios menos lucrativos

Segundo analistas do mercado, o impacto imediato do acordo será redução de custos em larga escala e venda de estúdios considerados “secundários”. O presidente da DFC Intelligence, David Cole, afirmou que aquisições alavancadas como essa “são historicamente seguidas por cortes e venda de ativos não essenciais”. Ele acredita que, no curto prazo, a EA deve se concentrar em propriedades altamente rentáveis, como seus jogos esportivos, enquanto busca compradores para projetos de menor retorno.

Já a Freedom Capital Markets vê a operação sob outra ótica: com a saída da bolsa, a EA poderia ter mais liberdade criativa, sem a pressão trimestral de investidores. No entanto, essa liberdade vem com um preço alto — cerca de US$ 20 bilhões em dívidas classificadas como “B-rated”, ou “junk debt”, um tipo de empréstimo de alto risco.

EA Sports deve seguir intacta

As séries EA Sports FC (antigo FIFA) e Madden NFL são consideradas seguras dentro da nova estrutura, devendo até ganhar investimentos adicionais. Contudo, há preocupação com o modelo de negócios baseado em microtransações e lançamentos anuais, visto que esse formato já se mostrou instável em ciclos anteriores.

Apex Legends e Battlefield sob avaliação

Apex Legends, da Respawn Entertainment, continua sendo uma das principais fontes de receita da EA — ultrapassando US$ 2 bilhões desde seu lançamento em 2019. Ainda assim, a queda no número de jogadores e na receita prevista em 2024 deixou o futuro do battle royale em dúvida. Analistas acreditam que, se a performance não melhorar, Respawn pode ser vendida, mesmo com o potencial de crescimento da franquia.

O destino da DICE também dependerá do sucesso de Battlefield 6, descrito como um “teste de sobrevivência” para o estúdio. Caso o novo título não consiga competir com Call of Duty, a venda da DICE é vista como provável.

O dilema de The Sims e a ameaça à diversidade

A comunidade de The Sims demonstrou preocupação após o anúncio do negócio, especialmente por conta das ligações políticas e sociais dos novos investidores. Um estudo interno da Maxis, apresentado em 2022, revelou que 43% dos jogadores de The Sims 4 se identificam como não heterossexuais e 17% como transgêneros ou não binários.

Embora o CEO da EA, Andrew Wilson, tenha garantido que os valores de inclusão não serão alterados, há receio de que elementos de representatividade e diversidade deixem de ser prioridade em futuras atualizações. Mesmo assim, The Sims 4 continua sendo uma das maiores forças econômicas da empresa, com mais de 70 milhões de jogadores e desempenho consistente no modelo free-to-play.

BioWare: principal candidata à venda

Entre todas as subsidiárias, BioWare é vista como a mais vulnerável. Após anos de dificuldades de desenvolvimento e o desempenho abaixo do esperado de Dragon Age: The Veilguard, que teve 50% menos jogadores do que o previsto internamente, analistas afirmam que o estúdio está “na mira” para ser vendido.

Tanto Mass Effect quanto Dragon Age poderiam ser negociadas separadamente ou em conjunto, dependendo das ofertas.

O que vem a seguir na EA

Com o fechamento da aquisição previsto para abril de 2026, os especialistas acreditam que a EA começará a reestruturar e reduzir custos ainda antes do fim do processo, com demissões, fusões internas e venda de IPs. A expectativa é que o impacto total dessas mudanças se estenda até 2028 — e que o novo comando da empresa redefina o papel da EA no cenário global de games.

Em outras palavras, a EA pode ganhar mais independência criativa, mas também corre o risco de perder parte da identidade que a tornou uma das maiores editoras do mundo.

Fonte: Polygon

Mais em Notícias

Autor

foto do author do artigo Thiago Barros

Thiago Barros

Editor-Chefe

Dez anos de MeuPlayStation, 18 de jornalismo e produção de conteúdo. Muitas histórias para contar e muitos jogos para jogar!

Mais artigos de Thiago Barros

icone representando um redirecionamento para outra pagina
Comunicar erro no artigo

Notícias