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Quando Bully foi revelado, a reação foi imediata: manchetes inflamadas, campanhas de censura e até tentativas de banimento
A Rockstar Games sempre esteve no centro de discussões sobre violência em videogames. Depois de GTA e Manhunt, a expectativa do público e da mídia era de que qualquer novo projeto do estúdio seguiria o mesmo caminho. Quando, em 2006, o nome Bully foi revelado, a reação foi imediata: manchetes inflamadas, campanhas de censura e até tentativas de banimento surgiram antes mesmo de o título chegar às prateleiras.
No Reino Unido, a pressão foi tão intensa que a distribuidora precisou alterar o nome do jogo para Canis Canem Edit, expressão em latim que significa “cão come cão”. Apenas anos mais tarde, com o lançamento da Scholarship Edition, o título original voltou a ser usado, em um momento em que a polêmica já havia perdido força.
Dentro do estúdio, no entanto, o clima era bem diferente. Andrew Wood, artista de ambientes que trabalhou no projeto, relembrou em entrevista recente à revista Retro Gamer que a equipe não se deixava abalar pelo barulho externo. Pelo contrário, achava curioso que a sociedade reagisse de forma tão intensa sem conhecer o conteúdo do game. Segundo ele, em entrevista ao Retro Gamer, o jogo era, na verdade, uma crítica ao bullying, não uma apologia.
A própria narrativa confirma essa leitura. O protagonista Jimmy Hopkins, apesar de ser retratado como um adolescente rebelde, atua em grande parte da trama defendendo colegas de diferentes grupos sociais e enfrentando aqueles que praticam intimidação dentro da escola.
O que poderia ter sido uma crise para a Rockstar acabou se tornando um impulso comercial. As manchetes polêmicas geraram curiosidade, transformando Bully em um título ainda mais aguardado. “Toda aquela atenção ajudava a vender”, admitiu Wood.
Com o tempo, Bully deixou de ser lembrado apenas pelo alvoroço em torno de seu lançamento e passou a ser reconhecido como um dos jogos mais originais da Rockstar, elogiado pela ambientação escolar, pelo humor e pela forma como subverteu as expectativas. O caso se tornou um exemplo de como a controvérsia pode, em vez de prejudicar, acabar reforçando o impacto cultural de um jogo.
Via: Games Radar
Fonte: Retro Gamer
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