Por que Ellie foi parar naquela ilha na série de The Last of Us?
Cena foi cortada do jogo, mas Craig Mazin quis incluir esse momento na adaptação
Com brutalidade e novas cenas em relação ao game, season finale é épico
A 2ª temporada de The Last of Us da HBO chega ao seu final com drama, reviravoltas, vingança e gostinho de “quero mais”. O season finale trouxe cenas inéditas em relação ao game — como acontece desde a primeira temporada —, mas, principalmente, ação e brutalidade.
Atenção! Caso não tenha assistido ao episódio ainda, os parágrafos a seguir contêm spoilers pesados! Siga por sua conta e risco!
O 7º episódio começa com Jesse (Young Mazino) e Dina (Isabela Merced). Após se separarem de Ellie (Bella Ramsey) no 6º capítulo, eles retornam ao teatro, para que o rapaz retire a flecha fincada na perna da moça. A cena é bastante gráfica e até perturba quem é um pouco sensível ao chamado gore. Chama atenção também como Dina se recusa a beber álcool, pelo fato de estar grávida.
Ellie chega em seguida, ignorando totalmente Jesse. Ela vai em direção ao camarim, onde encontra Dina descansando. As duas conversam sobre os últimos acontecimentos, enquanto Dina limpa os ferimentos nas costas da protagonista. A personagem de Ramsey até diz que as únicas informações que possui sobre Abby são “baleia” e “roda”, coisas ditas por Nora (Tati Gabrielle) antes de sua morte.

É nesse momento, que Ellie se torna praticamente um “livro aberto” para a companheira. Provavelmente evitando o mesmo caminho de omissão e as mentiras que Joel (Pedro Pascal) seguiu em vida, ela conta como matou Nora e que até foi “fácil” torturá-la, embora dizendo que a inimiga “talvez” não merecesse aquilo. Não só isso, mas também revela o motivo de Abby (Kaitlyn Dever) e seu grupo terem matado e torturado Joel.
Dina fica claramente chocada com a revelação — inclusive, a expressão facial de surpresa de Merced (talvez, a atriz que teve o melhor desempenho cênico na temporada) é ótima aqui. A personagem, então, convence Ellie a desistir da vingança e retornar para Jackson.
O plano, agora, é encontrar Tommy em uma livraria de Seattle. Ellie e Jesse saem nesta jornada, deixando Dina descansando no teatro. O caminho é marcado por discussões acaloradas entre os dois. O rapaz parece muito bravo com toda a situação, especialmente porque percebeu a gravidez de Dina, lá no início do episódio.
Sabendo que será pai, Jesse fica repetindo praticamente o episódio inteiro que precisa sair vivo de Seattle, junto de seus amigos. Mesmo com a fama de “bom moço”, sua ideologia é colocada à prova, quando a dupla presencia soldados da WLF capturando e despindo uma criança serafita. Ellie quer muito ajudar, mas Jesse insiste que aquela guerra “não é deles”.
Neste momento, a cena corta para um posto da WLF, onde Isaac Dixon (Jeffrey Wright) se encontra com Elise Park (Hettienne Park) — aquela comandante que aparece lamentando a morte do seu filho no 5º episódio. Se preparando para a guerra contra os serafitas, eles estranham o sumiço de Abby, com Isaac deixando no ar que, caso morra, a personagem vivida por Dever viraria a nova líder dos lobos.
De volta a Ellie e Jesse, ambos chegam à livraria, mas Tommy não está lá. Por lá, Jesse abre o coração para Ellie, ao falar que ela “ama mais Dina” e até conta um pouco sobre quando se apaixonou verdadeiramente no seu passado. Tentando dar uma lição na amiga (e pagar de bom moço novamente), ele conta que não ficou com o seu antigo amor, pois precisava voltar para Jackson, para cuidar de seu povo — já que ele “pensa nos outros” antes de si mesmo.
Antes de prosseguirem a conversa, o rádio de Ellie capta um sinal de um soldado da WLF desesperado com “um sniper matando lobos”. Como serafitas não usam armas de fogo, a dupla deduz se tratar de Tommy e vão atrás dele uma vez mais.
Dentro de um prédio destruído, Ellie e Jesse observam o ambiente, com vários barulhos de disparos no ar. Tais tiros, revelam a posição de Tommy, porém, outra coisa chama atenção da personagem de Ramsey: uma roda gigante e um aquário. Lembra do início do capítulo, quando ela comenta com Dina sobre uma “roda” e uma “baleia”? Pois bem, ela liga os pontos e conclui que Abby está lá.
Se antes a protagonista estava disposta a abandonar o desejo de vingança contra Abby, ele volta com tudo neste momento. É aí que começa uma nova discussão entre Jesse e Ellie. O rapaz fala de novo sobre como a amiga é egoísta, mas, ela saca sua trap card e fala sobre como Jesse ignorou a criança serafita mais cedo, tornando-o tão ruim quanto ela. Eles se separam.
Já na beira da água, Ellie vê um barco e está preparada para roubá-lo. O problema é que uma dupla de soldados da WLF também aparece por ali, obrigando-a a se esconder. É interessante notar como, pela vingança contra Abby, a protagonista parece disposta a matar ambos — só desistindo da ideia quando inúmeros barcos e membros da WLF surgem.
Ela espera todos irem embora para colocar seu plano em ação. No barco, a personagem ruma para o aquário, no entanto, uma grande onda a engole e a joga em uma ilha próxima — lar dos Serafitas.

Neste momento, temos uma cena inédita em relação ao game — e, honestamente, totalmente desnecessária. Uma criança serafita avista Ellie estirada na costa e avisa seus companheiros, que a capturam e logo a penduram para enforcá-la. Então, eis que surge o grande herói para salvá-la: o roteiro. Um grande barulho de explosão, vindo da direção do vilarejo dos cicatrizes, faz eles abandonarem a garota, sem sequer se preocuparem em finalizá-la com suas foices.
Novamente em um barco, Ellie não desiste de encontrar Abby e vai para o aquário. Lá dentro, ela usa uma bancada de trabalho, em uma clara referência à mecânica de melhorar armas no jogo de The Last of Us. A cena é curta, mas é bem legal.
Não demora muito e a protagonista encontra Owen Moore (Spencer Lord) e Mel (Ariela Barer) discutindo sobre Abby e sobre a possibilidade de fugirem. Em um momento praticamente idêntico ao do jogo, ela tenta obrigá-los a revelarem a posição de Abby. Owen, no entanto, tenta sacar uma arma, mas Ellie atira nele antes disso e o mata. O grande problema (e consequência dessa ação) vem logo depois: o tiro acerta, de raspão, o pescoço de Mel.
Aqui, vemos uma diferença grande em relação a The Last of Us Part II. Como Mel é médica, ela não perde tempo e pede ajuda de Ellie. Por quê? Bem, ela tira o colete e mostra sua gravidez avançada. Seu último pedido é fazer um parto de cesariana ali mesmo, com uma faca. A cena é chocante: desde a frieza com que Mel relata o passo-a-passo de como performar a operação até Ellie não entendendo os termos e, inevitavelmente, falhando. Ariela Barer e Bella Ramsey brilham no diálogo.
Chorando e percebendo como virou “um monstro” como Abby, Ellie é consolada por Tommy e Jesse, que aparecem e já a levam para o teatro.
Se a cena das mortes de Mel e Owen já é brutal, o segmento final do último episódio da temporada segue na mesma linha. Há um pequeno momento de “calmaria antes da tempestade”, com Tommy e Jesse bolando um plano para escaparem de Seattle — isso no palco do teatro.
Ellie e Tommy têm uma conversa curta, porém, profunda sobre vingança e resta a ela aceitar que Abby continua viva. O irmão de Joel deixa o local e vai para a entrada. Jesse também dialoga com a amiga, naquele que seria seu último momento.
Um estrondo vem da entrada do teatro, obrigando Jesse e Ellie a checarem. Ao abrirem a porta, não existe nem tempo pra conversa: Jesse leva um tiro na cabeça e cai morto, em outra cena praticamente idêntica a do jogo. Sim, Abby está ali, com Tommy rendido aos seus pés.
Novamente, o trecho seguinte é muto fiel ao do game. Ellie implora pela vida de Tommy, pois a culpa desta jornada de vingança é dela. Furiosa, a personagem de Kaitlyn Dever aponta a arma para ela e ouvimos o barulho de um tiro, enquanto a tela fica escura.
Na cena seguinte, vemos Abby sendo acordada por Manny (Danny Ramirez) na sede da WLF. Não demora para entendermos que a cena voltou para o passado, naquele fatídico momento de The Last of Us Part II, onde passamos a controlar Abby. Pois bem, aqui é a mesma coisa: estamos novamente em “Seattle, Dia 1”.
Um detalhe interessante é que os créditos começam a subir, junto da canção “Burden in My Hand”, do Soundgarden. A banda é de grunge, estilo popularizado nos anos 90 justamente em Seattle.
O season finale foi construído de maneira espetacular. O episódio de cerca de 1h é marcante, prende o telespectador, conta com cenas de ação gráficas e brutais. Isso sem contar as belas atuações de Bella Ramsey e Young Mazino, que carregam tudo nas costas.
A 3ª temporada da série da HBO já está confirmada, mas ainda não há nenhuma previsão de lançamento. Agora, resta aos fãs ansiosos terem paciência, especialmente depois desse cliffhanger que definitivamente larga o gostinho de “quero mais”.
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