Por que Ellie foi parar naquela ilha na série de The Last of Us?
Cena foi cortada do jogo, mas Craig Mazin quis incluir esse momento na adaptação
“Gail, em especial, nos deu um momento para explorar não só onde Joel está emocionalmente, mas qual é a história que ele conta para si mesmo”
Neil Druckmann revelou recentemente que, durante a produção da série de The Last of Us, ele e Craig Mazin mantiveram uma “lista contínua” de coisas que são mais fáceis de fazer em cada mídia. E adivinha? As mudanças de perspectiva entraram direto na lista da TV. Ao contrário dos games, onde o jogador está preso ao ponto de vista de quem controla, ela permite pular de uma narrativa para outra com naturalidade.
“Obviamente, nos jogos a perspectiva muda nas cutscenes, mas elas são limitadas por design, precisam ser”, explicou Mazin, em coletiva de imprensa reproduzida pelo Polygon. “Na TV? É só cutscene.”
Essa liberdade narrativa ajudou a dupla a criar Gail, uma personagem original da série: uma terapeuta que ouve os desabafos de Joel. Mas, como era de se esperar, Joel não se abre tão facilmente — afinal, admitir que ele metralhou um hospital para manter Ellie viva não é tarefa simples. Gail, por sua vez, reforça a importância de verbalizar sentimentos difíceis, e ilustra isso dizendo para Joel, sem rodeios, que o odeia.
O motivo? Joel matou Eugene, marido de Gail, depois que ele foi infectado — algo que ela nunca conseguiu superar totalmente.
“Gail, em especial, nos deu um momento para explorar não só onde Joel está emocionalmente, mas qual é a história que ele conta para si mesmo”, disse Mazin. “Do que ele mais tem medo? Qual a opinião dele sobre suas próprias ações? E tudo isso serve para preparar o momento em que ele, a) finalmente vai ter que encarar a verdade e, b) pagar o preço.”
Os fãs sabem que, em The Last of Us Part II, o foco muda para Abby, filha do médico que Joel matou no primeiro jogo — uma reviravolta que pegou muita gente de surpresa. A Naughty Dog foi tão longe para manter isso em segredo que, em prévias estendidas do game, lançaram trailers que faziam parecer que Joel ainda estava vivo na jornada de Ellie. Mas Mazin deixa claro: repetir esse tipo de choque na série é praticamente impossível.
“O que não podemos fazer é reproduzir o impacto de se tornar outra pessoa. No jogo, você é o Joel, você é a Ellie, você é a Abby. E quando essa mudança acontece, é um choque porque você já estava vivendo como alguém. Na série, estamos apenas assistindo todos igualmente na tela. Podemos nos identificar mais ou menos com cada um em diferentes momentos, mas… não somos eles”, concluiu.
A segunda temporada de The Last of Us chegou ao fim neste domingo, e agora resta apenas esperar confirmações oficiais acerca da próxima season.
Fonte: Polygon
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