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Phantom Blade Zero 66 DAYS
Phantom Blade Zero

Phantom Blade Zero: vale a pena?

千里之行,始於足下. Você talvez não saiba ler chinês, mas com certeza concorda com o significado deste provérbio: “Uma jornada de mil léguas começa com um único passo”. E que jornada para Phantom Blade Zero e a S-GAME! Anunciado em 2024 por um estúdio que, até então, só havia produzido jogos mobile, o título de ação chamou a atenção desde sua revelação e finalmente está entre nós.

Para um estúdio relativamente pequeno e sem experiência na área, a proposta sempre foi ousada: apresentar um novo gênero, definido como kungfupunk. O conceito é entregar uma jogabilidade ágil, agressiva, intensa e acrobática, com movimentos performáticos, uma trilha sonora potente e desafios cada vez mais letais. Felizmente, podemos dizer que o estúdio conseguiu cumprir essa missão, e com louvor.

Nesta jornada dark fantasy, dá para perceber como cada passo de Phantom Blade Zero foi tratado com carinho. O design dos chefes, a evolução do personagem, as composições e a ambientação das batalhas, além da exploração e da forma como a narrativa é apresentada, mostram que cada decisão da S-GAME foi tomada para entregar um jogo do qual o estúdio se orgulhasse e pelo qual os jogadores desenvolvessem apreço.

Não estamos falando de um game disruptivo ou perfeito, pois há algumas pedras no meio do caminho. Ainda assim, trata-se de um projeto tão competente naquilo a que se propõe que seus defeitos acabam sendo irrisórios e não tiram o brilho da experiência.

Phantom Blade Zero é o mais puro suco do kungfu descolado. Ou melhor, do kungfupunk!

Uma história de vingança sobrenatural

Sem enrolações, a história é apresentada ao jogador por meio de um embate épico entre o protagonista Soul e seu companheiro Zuo Shang. O confronto resulta em um ataque fatal para ambos os espadachins, mas eles recebem do Artífice mais uma chance de viver.

Shang escolhe um Coração Recuperado, que o transforma em uma casca vazia e lhe concede uma vida normal. Soul, porém, prefere o Coração Maculado, que também lhe permite continuar vivendo normalmente, mas por apenas mais 66 dias. Ao fim da contagem, ele morrerá definitivamente. Soul aceita o contrato porque está determinado a não deixar seu adversário sobreviver, mesmo que precise de pouco tempo a mais para cumprir seu objetivo.

Personagem Soul de Phantom Blade Zero.
Uma história de vingança. Fonte: tela de captura.

A partir daí, o jogador descobre conspirações, tramas envolvendo diferentes facções, relações diplomáticas e traições motivadas pela busca de poder, até chegar ao ápice de uma orquestração sobrenatural. A trama vai aumentando as apostas, mas consegue entregar um bom desfecho, inclusive com finais diferentes, dependendo das missões realizadas pelo jogador.

O game consegue conectar as pontas, mas esse é talvez o maior ponto de baixa da experiência. As informações são despejadas em toneladas, com nomes específicos, referências a situações e muitos textos obtidos por meio dos colecionáveis. O jogador pouco se sente encorajado a compreender todas as nuances, já que o excesso de detalhes torna esse processo cansativo e faz a história perder parte de seu impacto.

Personagem de Phantom Blade Zero.
São muitos NPCs, vilões, heróis, organizações e tudo é descrito de modo truncado. Fonte: tela de captura.

Felizmente, os eventos finais conseguem oferecer um panorama geral do que aconteceu e das consequências das ações de Soul. Ainda assim, é um pouco frustrante encontrar tantos personagens, e até chefões, sem compreender suas motivações narrativas.

Menos papo, mais pancadaria

Se a narrativa de Phantom Blade Zero poderia ser mais bem trabalhada, não há muito o que melhorar no combate. É a nata dos jogos de ação. O título da S-GAME se apropria de um sistema de espadas semelhante ao de Sekiro: Shadows Die Twice, mas com uma cadência que também remete a Black Myth: Wukong. Estamos falando de uma jogabilidade responsiva, focada na acrobacia e na agressividade.

Em relação aos comandos, Soul consegue defender e executar defesas perfeitas ao pressionar L1 no momento do flash azul. Há golpes que só podem ser desviados com R1, mas executar a ação no flash vermelho permite realizar um dash perfeito com contra-ataque. Essa dinâmica com os gatilhos exige que o jogador domine muito bem os comandos no DualSense.

Cena de Phantom Blade Zero com o personagem empunhando uma espada e enfrentando inimigos.
O combate é extremamente satisfatório de ser dominado. Fonte: tela de captura.

Em vez de utilizar uma barra de estamina, o estúdio adotou a barra de Shai-Chi, que representa a energia capaz de potencializar os movimentos de kung fu. Ao pressionar triângulo, Soul executa movimentos especiais para atacar os inimigos e reduzir a barra de Shai-Chi dos adversários. Quando ela se esgota, o alvo fica vulnerável e passa a receber danos mais efetivos na barra de vida.

A questão é que o Shai-Chi também é utilizado por Soul para executar defesas. Portanto, é necessário encontrar um equilíbrio entre o uso ofensivo e defensivo da energia para evitar punições. Felizmente, os comandos são fáceis de aprender e apresentam um ritmo muito agradável de dominar. Em poucas horas de gameplay, o jogador já parece estar executando combos de jogos de luta, pressionando vários botões simultaneamente e em rápida sucessão.

Cena do combate de Phantom Blade Zero
O jogador precisa equilibrar o uso do Shai-Chi para não comprometer a estratégia de combate. Fonte: tela de captura.

Um dos pontos fortes de Phantom Blade Zero é a variedade de equipamentos, acessórios e itens especiais que permitem construir diferentes estilos de combate. Há espadas, empunhaduras duplas, lanças e até leques. Os equipamentos podem ser aprimorados e ganhar novos combos conforme sobem de nível. Também existem as Armas Fantasmas, utilizadas rapidamente para mudar o rumo das batalhas, seja por meio de ações ofensivas e defensivas ou da invocação de soldados aliados para auxiliar Soul.

O segundo ponto forte, que reforça diretamente o primeiro, é a variedade de chefões, que oferecem suas próprias armas como recompensa. São mais de 30 chefões e, consequentemente, mais de 30 armas. Cada adversário apresenta comportamentos próprios, uma ambientação particular, trilhas sonoras marcantes e uma boa dose de dificuldade. Claro que muitos são opcionais, mas o jogador se sente encorajado a enfrentar todos para ampliar seu arsenal e ter mais recursos para vencer os desafios.

Um machado como equipamento do jogo Phantom Blade Zero
Há uma enorme variedade de equipamentos de uso rápido ou contínuo, contando com modificações próprias. Fonte: tela de captura.

Repete com a gente: não é soulslike

Falando em dificuldade, é necessário repetir: Phantom Blade Zero não é um soulslike. Ou seja, nada de dificuldade punitiva. Zerei o game no Modo Difícil, e a experiência foi bastante equilibrada, sem desafios apelativos ou extremamente estressantes. Além disso, levei 44 horas para concluir a jornada e alcancei 89% de conclusão, faltando apenas dois troféus para a platina.

É um jogo que permite concluir praticamente tudo em 50 horas, sem grandes dificuldades. Ainda assim, há o Modo Novo Jogo+, que apresenta um desafio excepcional: o Modo 66 Dias. Nele, a cada morte, o jogador perde um dia. Quando o contador chega a zero, é game over definitivo.

Cena de combate do jogo Phantom Blade Zero enfrentando um inimigo.
Os desafios são cada vez mais crescentes. Fonte: tela de captura.

Enquanto os chefões são extremamente criativos e cativantes, com batalhas memoráveis, o mesmo não pode ser dito dos inimigos comuns, que seguem padrões bastante evidentes. A variedade entre eles é limitada, fazendo com que funcionem apenas como uma espécie de respiro entre um chefe e outro.

Felizmente, esses intervalos são preenchidos por uma exploração que reserva coisas interessantes para quem deseja desvendar todos os mistérios. Desde regiões completamente escondidas até recompensas únicas, o jogador é incentivado a vasculhar cada seção para encontrar novos equipamentos, testar acessórios que afetam os atributos ou simplesmente admirar ambientes criativos, que combinam elementos tradicionais orientais com uma atmosfera fantasiosa.

Cena do jogo Phantom Blade Zero com Soul de frente para uma instalação.
Há uma grande variedade de cenários com características únicas. Fonte: tela de captura.

Outro fator que contribui positivamente para os intervalos entre as batalhas principais são as missões secundárias. Elas quase sempre levam a uma boss fight especial, e sua estrutura oferece recompensas interessantes, seja um novo equipamento ou um item-chave para desbloquear outras regiões. Infelizmente, as narrativas dessas missões são ainda mais confusas, com diálogos repletos de enigmas.

Ação no melhor estilo kung fu

Se no bloco anterior detalhamos as mecânicas de Phantom Blade Zero, foi para mostrar o quanto a jogabilidade pode ser satisfatória. Visualmente, Soul realiza movimentos acrobáticos e letais, muitas vezes com um comportamento completamente diferente dependendo do equipamento escolhido.

Essa combinação proporciona ao jogador a satisfação de executar combos e montar builds com base na própria habilidade. Assim como em Sekiro, não há pontos de nível para distribuir. Tudo depende da destreza dos dedos e da capacidade de memorizar os padrões dos adversários. É claro que existem colecionáveis que aumentam atributos e a barra de vida, por exemplo, mas, na hora do combate, o confronto depende do jogador e de sua capacidade de superar o desafio.

Cena de combate do jogo Phantom Blade Zero com efeitos visuais na tela com inimigo e personagem principal.
Os combates são exigentes e muito dinâmicos. Fonte: tela de captura.

A experiência poderia ser ainda melhor se a câmera não assumisse ângulos que dificultam a visualização do que está acontecendo. Como há muitas ações simultâneas na tela, existem momentos em que o jogador precisa praticamente adivinhar o que fazer. O game conta com uma técnica interessante que permite à câmera “enxergar através” das paredes, mas isso não impede que a visão fique comprometida em determinadas situações.

Por fim, há outros dois pontos negativos que merecem ser mencionados. As cenas pré-renderizadas não parecem apresentar a mesma qualidade visual do restante do jogo. Enquanto o próprio game é bonito, as cutscenes deixam a desejar, o que é curioso, já que geralmente acontece o contrário.

Cena de personagens de Phantom Blade Zero com um monge careca usando amarela e o protagonista Soul.
Em muitos momentos, o aspecto do game no Modo Desempenho fica lavado. Fonte: tela de captura.

O segundo ponto afeta quem prefere jogar no Modo Gráficos, cuja taxa de quadros estava bastante defasada. Jogamos no Modo Desempenho e encontramos poucos momentos de instabilidade na taxa de quadros por segundo, mas a apresentação visual ficou um pouco lavada.

Phantom Blade Zero: vale a pena?

Sim. De forma direta, Phantom Blade Zero vale a pena porque não tenta ser um soulslike para agradar ao público hardcore nem um hack and slash voltado exclusivamente para quem é vidrado em combos. O título da S-GAME entrega um jogo de ação e aventura completo, capaz de agradar a diferentes tipos de público.

Agressivo, intenso, acrobático e muito recompensador, o game oferece um combate primoroso, sustentado por batalhas muito bem elaboradas. Na PS Store, o título custa R$ 229,90, um preço bastante condizente com a qualidade e a quantidade de conteúdo oferecidas.

Em um mundo no qual muitos videogames parecem pasteurizados, é uma alegria sem fim ver projetos como Phantom Blade Zero serem desenvolvidos com tanto empenho e qualidade.

Veredito

92

Ficha Técnica

Desenvolvedor

S-GAME

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo Phantom Blade Zero

Vantagens

  • Combate ágil, acrobático e extremamente satisfatório
  • Grande variedade de armas, equipamentos e possibilidades de builds
  • Chefões criativos, com batalhas memoráveis e recompensas próprias
  • Exploração recompensadora, com áreas secretas e equipamentos exclusivos
  • Trilha sonora impactante durante as batalhas
  • Direção artística marcante e ambientação kungfupunk
Desvantagens do jogo Phantom Blade Zero

Desvantagens

  • Narrativa cansativa com excesso de informações
  • Pouca variedade de inimigos comuns
  • Aspecto lavado no Modo Desempenho

Veredito

92

capa do jogo Phantom Blade Zero

Jogo

Phantom Blade Zero

Autor

foto do author do artigo Raphael Batista

Raphael Batista

Produtor de conteúdo em vídeo no MeuPlayStation, com atuação voltada à cobertura de jogos e tendências da indústria. Tem preferência por experiências narrativas e franquias marcantes, como The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel’s Spider-Man, trazendo uma visão próxima da comunidade e do dia a dia dos jogadores.

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