Jogo
Control Resonant
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Já faz mais de sete anos, mas me lembro como se fosse ontem. Agosto de 2019. “Gente, se esse jogo não tivesse os bugs e problemas de performance que tem, vinha brigando por GOTY”. Foi mais ou menos assim minha mensagem no grupo do MeuPlayStation após terminar Control para fazer o review. E não é que, no fim do ano, mesmo com as pequenas falhas, lá estava ele entre os finalistas ao cobiçado prêmio de Game of the Year? A surpresa do ano.
E, obviamente, eu uso a carta do “eu avisei” até hoje.
Fast forward para 18 de Setembro de 2026. Hora do famoso “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Jesse Faden se tornou uma das caras da indústria, e a sequência da história dela, agora com seu irmão, Dylan, como protagonista, chega em um cenário totalmente diferente. Não é mais algo que vai pegar todo mundo desprevenido. Pelo contrário. É algo que os amantes de videogames estão esperando. Desde que foi anunciado.
Control Resonant é a continuação natural – e muito bem-vinda – daquela experiência que encantou o mundo. Ainda mais artística. Mais ousada. Mais completa. E muito, muito mais desafiadora.
O próprio título ajuda a traduzir a proposta da sequência. “Resonant” significa “ressonante”, algo que ressoa, reverbera e continua produzindo efeitos mesmo depois do impacto inicial. No universo de Control, marcado por frequências, forças paranormais e fenômenos que alteram a realidade, o termo funciona tanto de forma literal quanto simbólica. Em Resonant, as consequências do que aconteceu antes continuam ecoando sobre Jesse, Dylan, o FBC e o mundo, enquanto uma nova ameaça amplia ainda mais essa ideia de forças invisíveis capazes de transformar tudo ao redor.

Control Resonant se passa cerca de sete anos após os acontecimentos do primeiro jogo e troca a perspectiva de Jesse Faden pela de Dylan, seu irmão, que desperta depois de anos em coma. Com a Antiga Casa incapaz de conter as forças paranaturais sob sua guarda, Manhattan passa a sofrer alterações causadas por fenômenos que distorcem espaço, matéria e realidade. Jesse desapareceu, o Bureau perdeu parte de seu controle sobre a situação e Dylan acaba no centro de uma nova crise enquanto tenta entender o que aconteceu com a irmã e qual é o seu papel naquele mundo.
A mudança de protagonista também altera o tom da sequência. Dylan carrega uma relação muito diferente com o FBC, já que passou boa parte da vida sendo um objeto de estudo e ameaça em potencial. A narrativa trabalha essa bagagem ao mesmo tempo em que coloca o personagem diante da possibilidade de finalmente tomar decisões por conta própria. Jesse continua importante para a história, assim como outros nomes conhecidos do primeiro jogo, mas Resonant é sobre a jornada de Dylan e sua tentativa de reconstruir a própria identidade.
A maior transformação estrutural está no cenário. Em vez de concentrar quase toda a aventura dentro da Antiga Casa, o jogo leva o conflito para uma Manhattan fragmentada em grandes zonas interconectadas. Ruas, prédios, telhados, áreas subterrâneas e espaços paranaturais formam um mapa mais amplo e vertical, mas ainda distante da lógica tradicional de mundo aberto. A exploração continua apoiada em segredos, missões paralelas, quebra-cabeças ambientais e eventos opcionais, agora distribuídos em uma escala bem maior.

O combate também muda radicalmente. Control era construído em torno da Service Weapon e da telecinese, enquanto Resonant coloca o corpo a corpo no centro da experiência. Dylan utiliza a Aberrant, uma arma capaz de assumir diferentes formas, como lâminas, martelos e outros estilos de combate, e pode combinar ataques físicos com poderes sobrenaturais. O resultado é um sistema mais agressivo, baseado em combos, gerenciamento de recursos, execuções e uso constante de habilidades.
Essa mudança vem acompanhada de uma progressão mais próxima de um RPG. Formas da Aberrant, Talentos, Artefatos e poderes permitem montar builds bastante diferentes, e o jogo não foi projetado para que tudo seja desbloqueado em uma única campanha. Parte dessa progressão passa pelos Resonants, grandes inimigos ligados às anomalias que tomaram Manhattan. Derrotá-los pode render novas habilidades, e nem todos precisam necessariamente ser enfrentados, o que abre espaço para rotas e estilos distintos ao longo da campanha.
Resonant também amplia consideravelmente as possibilidades de movimentação. Alterações gravitacionais fazem parte tanto da direção de arte quanto da exploração, permitindo que ruas, paredes e estruturas assumam novas orientações. Habilidades específicas dão a Dylan acesso a áreas mais altas ou distantes, reforçando a verticalidade do mapa e aproximando a movimentação da sensação de poder que já era uma das marcas do primeiro Control.

No PS5, a Remedy oferece modos de desempenho e qualidade, com suporte adicional no PS5 Pro para PSSR, resoluções mais altas e ray tracing em configurações específicas. O DualSense também é utilizado para diferenciar poderes e ações – usando o feedback tátil do controle para fazer as reações a cada movimentação, uso de arma e encontro com inimigo ainda mais intenso.
Prepare-se para ficar com pulso e dedos doendo. Esse é o primeiro recado. Além de fritar a sua mente, enquanto tenta descobrir o que realmente está acontecendo com Jesse, Dylan, Manhattan, FBC, Ressonantes, Falhas, Ruído e tudo mais, você também provavelmente vai criar um possível quadro de tendinite de tanto apertar botão. Os combates de Control são insanos! Quadrado, triângulo, X, R1, R2, você vai precisar usar de tudo para enfrentar as ameaças que tomaram conta de Nova York.

E, dentro deste tema, é bem legal destacar dois pontos. O primeiro é a liberdade que você tem para atacar como quiser. Por causa dos elementos mais RPG que Control Resonant oferece, cada jogador pode personalizar o estilo de luta de Dylan como quiser. Seja na arma, seja nas skills e nos traços de personalidade do protagonista, é possível customizar a experiência do jeitinho que fizer mais sentido para o seu estilo.
Mais do que isso, você consegue personalizar exatamente o quão desafiador você quer que o jogo seja. Literalmente. O modo de assistência de Control Resonant é, provavelmente, o mais completo da história. O jogador pode alterar tudo o que quiser em relação à dificuldade do game. Pode tanto usar algum dos padrões já definidos como ir mexendo em coisinha por coisinha – dá, por exemplo, para ficar imortal ou matar qualquer inimigo com um golpe só. Qualquer inimigo.
Obviamente, esta não é a ideia principal do jogo, porém ter esse tipo de acessibilidade faz com que ele se torne um pouco mais atrativo para qualquer um. Se você não gosta tanto de jogos muito desafiadores, pode customizar um pouquinho, continuar se divertindo e vivenciar a experiência incrível do game sem passar tanta raiva ou perder tanto tempo naquele momento específico em que você está preso (porque, sim, as assistências podem ser customizadas a qualquer momento).

O que não dá para deixar mais fácil é a parte que exige mais cabeça do que dedo: os puzzles. Se a Remedy caprichou no combate, nos quebra-cabeças, então, ela deu a vida. E o mais legal é ver como o game design de Control Resonant guia o jogador de maneira bem equilibrada, com dicas implícitas em determinados pontos, como no layout de algumas regiões, e outras bem explícitas com setas e placas de direção, além de informações extras em colecionáveis e diálogos bem interessantes.
Mas você não tem, por exemplo, um botão para te mostrar o que fazer, sabe? Daqueles que iluminam alguma coisa no cenário ou trazem dicas de para onde ir/interagir para avançar. Em muitas missões, o objetivo é bem genérico e você tem que descobrir por si só o que fazer, o que é algo bastante interessante em termos de adicionar mais uma camada de desafio ao jogo.
Jogo este que tem uma duração que pode ir das 28, 29, 30… até umas 40 ou 50 horas, dependendo do quanto você quiser explorar, quanto tempo perder nas Boss Fights mais duras (algumas delas são épicas, como a da Dançarina e a última) e nos puzzles, além das sidequests. Sim, temos diversas atividades paralelas no mundo aberto de Control Resonant, que podem lhe render experiência, itens para personalizar a aparência de Dylan e muito mais. E se depois de zerar você quiser continuar a aventura, ainda tem um New Game+ bem redondinho também.
Obviamente, não é tudo perfeito. Tem um pouco de Ruído em Control Resonant. Lembra daquela história do desempenho que falei lá em 2019? Ela se repete aqui. Tivemos alguns glitches, bugzinho que fez que o jogo fechasse… Não chega atrapalhar tanto quanto no primeiro jogo, porém não dá para deixar batido. Além disso, é preciso falar do quão punitivos/repetitivos alguns encontros podem ser. O número de inimigos, muitas vezes, parece desproporcional, exagerado, em vários momentos você se vê obrigado a lutar “à toa”, sem qualquer objetivo.
Visualmente, Resonant também não impressiona. Em termos técnicos, no caso. De qualidade gráfica. Porque a direção de arte, assim como no primeiro jogo, é absurda. Todos os elogios a quem criou os cenários e a parte conceitual da coisa. Aquele vermelho característico, as interações do mundo desafiando a gravidade, as aparições de coisas nas mentes do personagens… É tudo incrível. No entanto, principalmente no modo desempenho, ele deixa um pouquinho a desejar para um AAA de PS5.

Dito isso, temos mais um grande jogo nas mãos. Narrativa que prende, combate gostoso, missões épicas (a da música no Sumidouro, por exemplo, é coisa linda), um trabalho conceitual e artístico maravilhoso, sem falar da impressionante relação com a música, que torna o game ainda mais bonito e cativante. Faz lembrar um pouquinho o que vimos em Death Stranding, sabe? Onde a trilha contribui para momentos chave da história e se encaixa perfeitamente.
Por um lado, ele não tem o fator “uau” do primeiro jogo. Afinal, Jesse nos pegou de surpresa e cativou, gerando uma identificação muito maior do que Dylan, principalmente no começo da história dele. Por outro, porém, é uma experiência mais robusta, que claramente é uma evolução dos pontos positivos do seu antecessor, sem medo de arriscar e trazer novidades relevantes ao invés de ser apenas um repeteco.
As movimentações com verticalidade, especialmente a partir do momento em que você consegue interagir com as mudanças de gravidade e “virar” das caminhadas na horizontal para a vertical e vice-versa, por exemplo, são muito legais. As variações da arma também. A forma como toda a história vai se desenvolvendo enquanto o personagem cresce, tanto em poder quanto em conhecimento, idem. É tudo muito bem amarradinho. Ressoa. Reverbera.
E aqui não costumamos falar de preços nas análises, porque todo mundo já sabe que é bem caro ser gamer no Brasil, né? Mas quando um jogo desses custa “só” R$ 230,90, vale o destaque. Entrega tudo o que entrega, vem completamente localizado, e além de tudo, é “barato”. Como dizer, então, que Control Resonant não vale a pena? Impossível. Vai concorrer ao GOTY de novo? Dessa vez, é mais difícil de cravar, até porque se os que forem lançados em novembro concorrerem, esquece, mas pode brigar, por que não?
Veredito
91
Jogo
Control Resonant