Jogo
Marathon
Marathon é um daqueles jogos que claramente sabem exatamente o que querem ser. O problema é que isso não significa, necessariamente, que vai funcionar para todo mundo. A aposta da Bungie chega tentando ocupar um espaço competitivo no gênero extraction shooter, trazendo o combate intenso, uma progressão baseada em risco e também seu universo sci-fi estiloso, que imediatamente chama atenção.
Este é o novo FPS multiplayer da Bungie, estúdio conhecido por franquias como Halo e Destiny 2, que chegou em março deste ano. O jogo marca a volta da clássica série Marathon, originalmente lançada nos anos 90, mas agora reformulada para uma experiência focada em extração e sobrevivência. Durante as partidas, os jogadores precisam coletar loot e escapar vivos para manter tudo o que encontraram. Caso morram antes da extração, perdem praticamente todos os itens carregados.
Lançado para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, o título aposta em partidas PvPvE, colocando jogadores no controle de mercenários cibernéticos conhecidos como “Runners”. A missão é explorar o planeta Tau Ceti IV em busca de recursos, equipamentos e informações valiosas, enquanto enfrentam tanto inimigos controlados pela inteligência artificial quanto outros jogadores espalhados pelo mapa.
Visualmente, Marathon é um jogo extremamente marcante. A direção de arte foge daquele sci-fi genérico super-realista que domina boa parte da indústria atualmente e aposta em uma identidade muito mais colorida, futurista e agressiva. É um game que conta com personalidade visual própria e consegue criar cenários interessantes, mesmo quando o design estrutural das partidas começa a se repetir.
Os combates também funcionam muito bem. A Bungie continua mostrando por que ainda é uma das referências da indústria quando o assunto é sensação de tiro. As armas têm impacto, movimentação fluida e um ritmo de gameplay viciante nos melhores momentos. O gunplay vai evoluindo e se torna extremamente refinado dentro da tensão constante das partidas, e os mapas e objetivos diferentes ajudam a deixar tudo imprevisível.
Só que é justamente aí que Marathon começa a tropeçar. Ao mesmo tempo que a imprevisibilidade torna as “corridas” emocionantes e desafiadoras, também faz com que seja complicado demais entender o que está acontecendo.

O jogo falha bastante em apresentar caminhos mais claros para os jogadores, principalmente para quem não está acostumado. Existe uma sensação constante de estar sendo jogado em um sistema complexo, sem direcionamento suficiente. Em vez de incentivar um aprendizado natural, Marathon muitas vezes parece simplesmente esperar que você descubra tudo sozinho, na marra. Isso transforma a experiência em algo cansativo. Menus confusos, excesso de informação visual e sistemas que acabam afastando jogadores casuais são grandes problemas.
Outro ponto que decepciona é a narrativa. Existe claramente um universo interessante ali, cheio de mistério e potencial, mas o jogo nunca desenvolve isso da forma que deveria. A lore fica espalhada em fragmentos e conceitos soltos, sem conseguir criar um envolvimento realmente forte ao longo da experiência. Alguns críticos elogiaram o mistério e os elementos enigmáticos do endgame, mas, no geral, a sensação é que Marathon poderia fazer muito mais com sua ambientação.
Também dá para perceber que ele é um jogo extremamente nichado. Isso aparece tanto na proposta quanto na forma como a Bungie construiu sua progressão. Quem gosta de extraction shooters provavelmente vai encontrar aqui um loop extremamente viciante e competitivo. Mas quem procura algo mais acessível ou uma experiência mais guiada pode simplesmente não conseguir se conectar.

E acho que esse acaba sendo o meu caso. Marathon não é um jogo ruim. Muito pelo contrário. Ele tem qualidade técnica, identidade visual forte e talvez um dos melhores combates da indústria atualmente. Só que, no fim das contas, ele parece focado em um público específico, o que acaba deixando muita gente de fora no processo. Especialmente por ser um jogo que custa R$ 150.
Aqui, a qualidade do gunplay é considerada um dos grandes trunfos da Bungie mais uma vez. Movimentação fluida, sensação de impacto das armas e tensão constante das partidas, especialmente pelo sistema de risco e recompensa típico dos extraction shooters, coroam Marathon como um bom título dentro do seu gênero. Tudo isso com uma direção de arte diferenciada e um game design bacana também, com mapas variados e extensos, mecânicas interessantes e uma experiência considerada extremamente viciante para quem gosta do gênero.
Por outro lado, Marathon é pouco amigável para novos jogadores. A interface confusa, a quantidade exagerada de sistemas e a falta de direcionamento acabam tornando as primeiras horas bastante frustrantes. A progressão pode ser repetitiva e cansativa, além da sensação de que o jogo depende demais do grind para manter o interesse a longo prazo. Sem falar que os combates podem ser bem punitivos.
No fim das contas, o resumo é simples. Marathon vale a pena se você tiver bastante tempo para jogar e gostar do gênero. O que provavelmente não é muita gente, tendo em vista que o jogo, mesmo com atualizações constantes e uma comunidade nichada que o abraçou, não fez tanto sucesso assim. Pelo contrário. A Bungie vem passando por dificuldades e dando prejuízo à Sony, muito por causa dele.
Veredito
70
Jogo
Marathon