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007 First Light James Bond
007 First Light

007 First Light: vale a pena?

Aura. Uma das palavras da moda entre os mais jovens, junto com outras bem menos legais, como o inexplicável six-seven, moggar, servir cunt e por aí vai. E se 007 First Light se propõe a trazer um James Bond mais jovem e atual, nada mais justo do que usar uma gíria tão popular nos dias de hoje para descrever o que o agente secreto mais famoso do mundo (por mais contraditório que isso seja) faz a cada passo: farmar aura.

Aparência externa de um estado de espírito. Suposto círculo de luz ou de energia que envolve o corpo. Grupo de características que identifica algo ou alguém. Quando James Bond está usando seu charme para conseguir alguma coisa, usando sua licença para matar um inimigo ou só tomando um martini, batido, não mexido. Uma aura construída há 70 anos. Entre livros, filmes e, claro, outros jogos, formando um personagem icônico no imaginário de muita gente.

O que gerou uma pergunta simples: como será que a IO Interactive vai traduzir isso em um jogo com uma proposta tão ousada quanto criar o passado de James, antes de ele ser o 007? Bom, se tem alguém que sabe fazer game de agente secreto, é claro que é o estúdio de Hitman. A escolha, porém, levou a outro questionamento justo: será que não vai ser só uma skin do Agente 47?

Eu me preocupei, você se preocupou, todo mundo se preocupou. E os desenvolvedores, aparentemente, também. Afinal, 007 First Light entrega tudo o que poderíamos esperar desta combinação fatal entre a aura do personagem e a experiência de uma empresa famosa por fazer uma série de jogos de aventura de alto nível. O nome é Bond. James Bond.

For England, James?

Vamos começar pelo básico: 007 First Light é um jogo de ação e aventura em terceira pessoa focado em narrativa, misturando as mecânicas clássicas de furtividade e ação da IO Interactive com o universo de Bond e do Serviço Secreto Britânico. O enredo é uma história independente, original, sobre como James se torna o 007. Você controla uma versão ainda jovem, engenhosa e às vezes impulsiva do personagem, enquanto ele entra para o programa de treinamento da MI6 e vive os primeiros passos da trajetória do espião mais famoso do mundo.

Depois de um ato heroico, o jovem aviador da Marinha ganha a chance de integrar o recém-reformulado programa “Double-0”. A partir daí, muitas coisas se desenrolam de uma forma digna de James Bond. Tem tudo o que você espera de algo que envolva este nome e sobrenome. Do jeitão único de ser, com seu carisma, charme e um certo desprezo pelas regras, às tramas envolvendo política, tecnologia, informações secretas e, claro, o bem do Reino Unido.

007 First Light

Se você está acostumado com as obras sobre ele, e gosta delas, 007 First Light é um deleite. São muitos os momentos em que a experiência se assemelha demais ao que faz sucesso nas telonas há tantos e tantos anos. A começar pela relação com personagens-chave. M, Q, Moneypenny. Uma base de confiança de Bond que está toda ali, com interpretações excelentes de um baita elenco que faz parte do projeto e bem ajustada para a história que a IO Interactive quer contar.

A seriedade e o foco de M, sempre pensando no bem geral, e muitas vezes causando dúvidas na cabeça de Bond; a relação com papos divertidos e cheios de segunda intenção com Moneypenny; e, claro, as invenções absurdas de Q, com destaque para o seu tradicional relógio, que conta com uma infinidade de gadgets. Está tudo ali. Além, é claro, das famosas Bond Girls. Sim, James é mulherengo, charmoso e ousado desde cedo, e essa característica fundamental da sua personalidade foi muito bem traduzida no jogo.

E se nos cinemas está havendo uma busca pelo próximo 007, depois da “aposentadoria” de Daniel Craig, nos games a escolha por Patrick Gibson foi certeira. Ele lidera um time que merece elogios pelas interpretações de alto nível. Com destaque para Lennie James, que faz Greenway, mentor dos Agentes 00, e Alastair Mackenzie como Q. Lenny Kravitz como Bawma é outra adição bem bacana a 007 First Light.

007 First Light

Temos o 007 que todo mundo conhece muito bem representado, uma história que é simples de entender, mas que prende o jogador e ganha alguns plot twists interessantes, e personagens marcantes. Muita ação, diversas explosões, tiroteios intensos, cenas “mentirosas”, diálogos com aquele humor ácido, tramas pesadas… Tudo isso passando por cenários incríveis, com grande variedade de veículos e armas, mulheres bonitas e trilha sonora de arrasar. O nome é Bond. James Bond.

Licença para jogar

Mas “de nada” adiantaria tudo isso sem uma boa jogabilidade. Afinal, não estamos falando de um simples filme interativo, e sim de um jogo. Por isso, a equipe de desenvolvimento criou um ciclo de gameplay mais dinâmico e “vivo”, combinando o famoso design de fases abertas do estúdio com momentos cinematográficos cheios de grandes cenas de ação e narrativa dirigida.

007 First Light

O mais importante é: você decide como agir. Dá para partir na furtividade total, sair distribuindo socos e tiros, usar gadgets para se infiltrar ou simplesmente blefar até passar pelos guardas. O estilo da missão fica nas suas mãos. Este é o grande diferencial em relação à Hitman, na inevitável comparação que precisa ser feita. O Agente 47 tem que ser silencioso. O 007 não. Inclusive, dá para dizer que os momentos mais legais de 007 First Light são causando grandes explosões e confusões.

Até porque o gameplay de combate é um espetáculo. No corpo a corpo, as coreografias são muito bem executadas, com ótimos movimentos de bloqueio e ataque, sem falar nas incríveis interações com os cenários (pegar objetos para jogar, bater com a cabeça do inimigo na parede, tudo sair quebrando junto quando os corpos acertam as coisas). No gunplay, sensações diferentes de cada arma, reações no DualSense e um sentido de desafio/recompensa muito grande a cada troca de tiros.

Inclusive, dependendo do nível em que você colocar a dificuldade, é bem provável que vá morrer bastante e tomar um sufoco da inteligência artificial dos vilões, o que faz com que seja preciso também tomar decisões estratégicas de quando lutar. Especialmente porque os cenários, aqui bebendo bastante da fonte de Hitman, oferecem várias oportunidades diferentes para chegar ao seu objetivo.

007 First Light

Você pode explorar as regiões, ouvir o que as pessoas estão falando e criar caminhos criativos para fazer o que tiver que fazer. Sem tantos disfarces, sem perder missões porque foi visto, mas podendo (ou melhor, devendo) sempre interagir com o mundo à sua volta e usá-lo ao seu favor. Exatamente como ficamos acostumados com o Agente 47. Com um plus: a tecnologia desenvolvida por Q.

Relógio, óculos, fones de ouvido, caneta… Tudo vira arma. Cada uma delas com especificidades próprias, como envenenar um adversário ou criar uma cortina de fumaça, por exemplo. E você pode testar as suas habilidades e revisitar missões com modificadores extras, garantindo novos desafios e muito conteúdo para quem quiser viver a fantasia de ser um agente secreto em 007 First Light.

A experiência é bem redondinha em termos de jogabilidade. O level design é bacana, o jogo bebe da fonte do grande sucesso do estúdio, mas passa longe de ser “só uma skin” de Hitman, e traz também momentos bem característicos de grandes jogos de ação e aventura que fizeram bastante sucesso nos últimos anos. Com o plus de ser protagonizado por ninguém mais, ninguém menos do que o maior espião da história.

007 First Light

Falando nisso, fique de olho nas referências ao legado dele. Os troféus, os desafios, algumas interações. Se você é fã da franquia, certamente vai se sentir representado. O nome é Bond. James Bond.

007 First Light: vale a pena?

O conceito de videogames como forma de arte é um tema frequentemente debatido na indústria do entretenimento. Quando ele se aproxima tanto da sétima arte, o cinema, como é o caso de 007 First Light, a dúvida deixa de existir. Não há mais espaço para questionar se os games podem ser considerados arte. Claramente são. E, como toda expressão artística, eles não devem ser avaliados apenas com a razão.

Os jogos não são apenas sobre parte técnica. FPS, desempenho, mecânicas de jogabilidade, game design, level design, inteligência dos inimigos… Tudo isso é muito importante, é claro. São bases fundamentais do que é um jogo, assim como uma boa tinta e uma boa tela são vitais para termos um grande quadro. Ou câmeras de qualidade para fazer um filme. Mas o que toda arte tem que fazer é mexer com seu sentimento.

007 First Light

007 First Light faz isso ao honrar o legado de James Bond. E não me entendam mal: a parte técnica também é ótima. Talvez não seja perfeita, é verdade. Os gráficos, por exemplo, parecem muito bons em alguns momentos; em outros, nem tanto; e, no geral, ficam abaixo do que são grandes experiências da atual geração de consoles. Não temos dublagem no português do Brasil. A corrida de James, muitas vezes, é “nerfada” sem necessidade.

Mas o jogo entrega tudo o que você quer sentir com 007. E como a análise está sendo feita por um grande fã dele, talvez ela esteja enviesada, sim. Afinal, um review é isso: a opinião de uma pessoa sobre uma determinada obra, baseada no que ela vê, no que ela joga, sim, mas não apenas nisso. Também no que ela acredita, no que ela vive, no que ela sente. E o que eu senti ao ouvir o famoso “taran taran taranran” enquanto os créditos de 007 First Light rolavam foi uma das melhores sensações que já tive com um videogame.

Como tomar um bom martini, batido, não mexido, numa praia paradisíaca com a mulher dos sonhos ao seu lado. O nome é Bond. James Bond.

Veredito

100

Ficha Técnica

Desenvolvedor

IO Interactive

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo 007 First Light

Vantagens

  • Tudo o que se espera de uma aventura de James Bond
  • Ambientações muito adequadas e com ótimos designs
  • Combate impressionante e sequências de tirar o fôlego
  • Tecnologias do Q dão um charme a mais ao gameplay
  • Diferentes possibilidades de resolver missões agradam
Desvantagens do jogo 007 First Light

Desvantagens

  • Gráficos não são do maior nível do PS5 até hoje
  • Poderia ter dublagem em PT-BR

Veredito

100

capa do jogo 007 First Light

Jogo

007 First Light

Autor

foto do author do artigo Thiago Barros

Thiago Barros

Editor-Chefe

Dez anos de MeuPlayStation, 18 de jornalismo e produção de conteúdo. Muitas histórias para contar e muitos jogos para jogar!

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