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Resident Evil Requiem Destaque Review
Resident Evil Requiem

Resident Evil Requiem: vale a pena?

“Requiem para os mortos. Pesadelo para os vivos”. A palavra requiem carrega um peso inevitável. É um canto fúnebre, uma despedida solene, o descanso eterno. Mas também pode representar encerramento, ruptura, fim de um ciclo. E poucas vezes um slogan encaixou tão bem na proposta de um Resident Evil.

Resident Evil Requiem é, ao mesmo tempo, funeral e renascimento. Ele funciona como o adeus definitivo a um capítulo narrativo que começou lá atrás, com a Umbrella e Raccoon City, mas também estabelece as bases para o futuro da franquia. Não é apenas mais uma sequência. É uma virada de página calculada.

Um belíssimo jogo que combina terror, tensão, quebra-cabeças, sustos, criaturas horripilantes e muita ação com o que há de melhor na franquia. O equilíbrio entre survival e combate é interessante e se entrelaça pela força de seus personagens.

Pesadelo para os vivos

Requiem é um baita pesadelo tanto para Grace Ashcroft quanto para o veterano Leon S. Kennedy.

Ashcroft é uma analista do FBI introvertida e muito competente, mas sem experiência para lidar com situações extraordinárias. Ela é incumbida de investigar uma série de assassinatos estranhos no Hotel Wrenwood, curiosamente o mesmo local onde, oito anos antes, sua mãe foi assassinada.

Sua missão vai além da investigação e adentra o campo emocional, no enfrentamento de fantasmas do passado. E é claro que tudo poderia dar errado, não é mesmo?

Grace é sequestrada por Victor Gideon, um cientista ligado à Umbrella, e enviada a Rhodes Hill, uma espécie de hospital ou centro de cuidados.

Leon, por sua vez, investiga mortes misteriosas relacionadas aos acontecimentos originais de Raccoon City, o que o leva ao mesmo hotel de Grace e, posteriormente, a Rhodes Hill, em uma caçada a Gideon.

Mas desta vez o nosso herói está… diferente.

Leon em Resident Evil Requiem
Leon enfrenta, além de zumbis, outros problemas maiores.

O agente Kennedy parece sofrer de algum tipo de infecção, capaz de lhe tirar a paz e sugar suas energias, fazendo-o correr contra o tempo.

Esse fio condutor conecta os dois protagonistas e se desenrola em um grande arco narrativo, cheio de camadas e circunstâncias que direcionam a franquia pelos próximos anos. Mais do que isso, Resident Evil Requiem entrega uma visão mais completa da criação da Umbrella, das motivações de seus fundadores, das consequências e de certos desdobramentos. Grace, Leon, Victor, Raccoon City e toda a lore se encaixam como peças de um quebra-cabeça.

Em alguns momentos surge a sensação de que Resident Evil pode se perder em sua própria mitologia, transformando tudo em uma colcha de retalhos, e que Requiem poderia ser apenas mais um remendo. No entanto, tudo está bem encaixado, bem montado e interessante.

RE9 se divide em duas frentes: as partes de Grace focadas em survival e as de Leon voltadas para ação, mais ao estilo de Resident Evil 4.

Grace é perfeita para o papel. Ela se encaixa tão bem na proposta que é difícil imaginar outra personagem da série ocupando essa função. Simplesmente não funcionaria da mesma forma.

Grace Ascroft Resident Evil Requiem
Grace deve enfretar seus medos e aprender a lidar com situações extraordinárias.

A analista é desajeitada, medrosa, assusta-se com facilidade, e isso se reflete diretamente na jogabilidade. Ela não se transforma em uma super-heroína no final da jornada. Sai um pouco mais calejada, é verdade, mas continua frágil e humana.

E justamente por ser humana, rapidamente nos identificamos com ela, buscando entender por que Victor Gideon demonstra tanto interesse e como a jovem se encaixa na trama. A história se expande nos moldes tradicionais da série, com cenas e arquivos para leitura. Ler cada documento é essencial para montar o panorama completo. Até os próprios monstros contam suas histórias, o que é um detalhe muito interessante.

Leon é o Leon… que mais posso dizer? O cinquentão está em ótima forma, extremamente experiente e no auge de suas habilidades, agora equipado com uma machadinha dilacerante. Nenhuma criatura ou chefe parece páreo para o agente da DSO. O problema é que, desta vez, o inimigo também é interno, o que complica as coisas.

Requiem para os mortos

Requiem é o nome da arma de Leon, uma poderosa pistola capaz de derrubar qualquer inimigo. É interessante perceber o jogo de palavras que a Capcom faz com o slogan “Requiem para os mortos”, aqui aplicado aos mortos-vivos.

No primeiro encontro entre os dois, Leon empresta a Requiem para Grace, simbolizando não apenas uma conexão entre eles, mas também entregando ao jogador um recurso de gameplay finito, que precisa ser utilizado com sabedoria.

Grace é uma sobrevivente, e isso se reflete totalmente em sua proposta jogável.

Resident Evil Requiem permite alternar entre visão em primeira e terceira pessoa. Ao iniciar, a sugestão padrão é jogar com Grace em primeira pessoa e com Leon em terceira. Sugerida, não imposta. O jogador pode escolher como preferir.

As seções de Grace foram claramente arquitetadas para funcionar melhor no survival horror em primeira pessoa.

O clima é brutal, com a sensação constante de que algo terrível vai acontecer no próximo corredor, seja um encontro com um zumbi, o barulho repentino de uma janela ou um perseguidor à espreita.

RE9 é brilhante ao capturar essa atmosfera opressora e introduzir elementos clássicos como inventário limitado, busca constante por rotas alternativas e muito backtracking.

Grace e o perseguidor
Grace tem a companhia desagradável de uma criatura perseguidora.

Você estará sempre indo e vindo, procurando uma chave, um cartão ou uma pista que leve a uma nova ala, onde surgem mais enigmas, exigindo retorno a áreas anteriores.

Fazer isso com personagens armados até os dentes é uma coisa. Com uma novata assustada, é outra completamente diferente.

Grace é frágil, carrega apenas uma arma simples e uma lanterna. Não há espingardas, rifles ou granadas em abundância, e o inventário comporta poucos itens. A cada momento surge a dúvida: levar mais munição, sucata para fabricar balas, ervas ou aquele objeto necessário para resolver um enigma?

A escuridão é constante. É preciso usar a lanterna com cuidado, pois iluminar zumbis pode atrair atenção indesejada. Uma mordida pode reduzir drasticamente sua vida.

Atirar funciona, mas o barulho chama mais inimigos. E economizar munição é fundamental, mesmo que, com o tempo, seja possível fabricar mais com maior facilidade.

Em boa parte da campanha, há ainda uma criatura perseguidora que circula por áreas específicas. É preciso escapar, seja correndo, desviando ou usando a Requiem para ganhar segundos preciosos.

Escapar sempre traz aquela sensação de alívio e recompensa, mostrando como o jogo extrai emoções genuínas do jogador.

Leon
Leon em Resident Evil Requiem

Também há inimigos inéditos, como uma zumbi “cantora” assustadora, brutamontes e o retorno de figuras clássicas que farão os fãs sorrirem. Sem spoilers por aqui. Vamos preservar as surpresas.

Leon é praticamente o oposto. Enquanto Grace explora ambientes fechados como hotel, hospital e laboratórios, Kennedy transita por áreas mais abertas, passa por Rhodes Hill e segue para Raccoon City, onde os eventos ganham escala maior.

A cidade está devastada após o bombardeio de 1998, logo depois dos acontecimentos de Resident Evil 3, quando o governo dos Estados Unidos ordenou um ataque para conter o vírus-T.

Leon esperava encontrar apenas ruínas, mas se depara com zumbis, outras criaturas e indícios de que alguém esteve ali antes, levantando suspeitas e criando desdobramentos interessantes que conduzem a narrativa de forma cadenciada.

Destaque para a visita à RPD, que resgata lembranças não tão agradáveis para o policial em seu primeiro dia de trabalho, mas memoráveis para quem jogou Resident Evil 2. Fã service dos bons. “Se eu sou fã, eu quero service”.

1

A ambientação de Raccoon City pode causar estranheza por ser muito cinza e opaca, distante do detalhamento vibrante da região rural de RE4. Ainda assim, faz sentido diante da destruição sofrida.

Com Leon, as mecânicas são voltadas à ação. Há variedade de armas, granadas, inventário mais amplo, resistência maior a danos e contra-ataques letais com a machadinha, que permite parry e golpes devastadores.

Ele também pode tomar armas de inimigos, como motosserras, e usá-las. O inverso, porém, também acontece.

No total, são mais de dez armas. Algumas são encontradas naturalmente; outras exigem o acúmulo de pontos, usados em baús espalhados pelo mapa. Certos equipamentos pedem mais investimento e incentivam rejogadas.

Nos mesmos baús é possível aprimorar armas com miras, carregadores estendidos, melhorias de durabilidade e coletes.

O ponto que decepciona um pouco são algumas batalhas contra chefes. No arco de Grace, por exemplo, passamos bastante tempo sendo perseguidos por uma criatura imbatível com armas comuns. Quando chega o confronto final, a resolução é simples demais, sem a grandiosidade esperada.

Com o tempo, a perseguição perde parte do impacto. Talvez seja nostalgia, mas Nemesis (RE 3 – 1999) e Mr. X (RE 2 – 2019) pareciam mais ameaçadores.

Outras lutas com personagens icônicos poderiam ter sido melhor exploradas.

Resident Evil Requiem - tela de aprimoramento de itens
É possível aprimorar equipamentos

A dificuldade pode ser elevada, mas ela está mais ligada às limitações de salvamento. Há três opções iniciais: Casual, Padrão Moderno com saves automáticos e Padrão Clássico, que exige fitas de tinta.

Se você já conhece a série, vá direto para o Padrão Clássico.

No geral, Requiem não apresenta problemas estruturais, técnicos ou gráficos. Visualmente está incrível, com história bem construída, ganchos para o futuro, boas aparições e encerramentos satisfatórios.

Vale destacar a localização em português, incluindo uma excelente dublagem em todas as vozes, um grande acerto da Capcom Brasil.

Minha campanha durou pouco mais de 26 horas, mas sou um jogador lento, que explora tudo, lê cada arquivo, se perde com frequência. Acredito que a média fique entre 15 e 18 horas na primeira jogatina.

Para caçadores de troféus, há um desafio moderado. São 49 conquistas, incluindo concluir em menos de quatro horas, terminar na dificuldade insana e fechar o jogo sem usar cura, estes três últimos podem dar trabalho.

Resident Evil Requiem: vale a pena?

Sim, vale muito.

O equilíbrio entre survival horror e ação funciona perfeitamente. Grace Ashcroft é a peça-chave que conecta o passado ao presente, indo muito além de uma personagem amedrontada.

O gameplay é afiado e funciona de forma exemplar nas duas perspectivas, construídas desde o zero. Diferente de Resident Evil Village, cuja terceira pessoa foi adicionada depois e não ficou tão natural, aqui tudo opera com fluidez.

Faltou apenas explorar melhor certas aparições e tornar algumas lutas mais desafiadoras.

Resident Evil Requiem é o melhor capítulo da série em anos. Supera Village, Biohazard, o remake de 4 e o remake de 3, empatando apenas com Resident Evil 2 (2019).

Mais um grande acerto da Capcom, que segue em excelente fase.

Veredito

93

Ficha Técnica

Desenvolvedor

Capcom

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1 Jogador

Vantagens do jogo Resident Evil Requiem

Vantagens

  • Equilíbrio sólido entre survival horror e ação
  • Protagonistas bem construídos e relevantes para a lore
  • Atmosfera e ambientação marcantes
  • Narrativa que fecha ciclos e abre novos caminhos
  • Qualidade técnica e conteúdo robusto
Desvantagens do jogo Resident Evil Requiem

Desvantagens

  • Algumas batalhas contra chefes decepcionam
  • Perseguidor perde impacto com o tempo
  • Alguns personagens poderiam ser melhor explorados

Veredito

93

capa do jogo Resident Evil Requiem

Jogo

Resident Evil Requiem

Autor

foto do author do artigo Daniel dos Reis

Daniel dos Reis

CEO

Fundador MeuPlayStation, Daniel dos Reis é formado em Ciência da Computação com mais de 15 anos de atuação em tecnologia e games. Especialista no ecossistema Sony, acompanha a marca desde o primeiro console, unindo visão técnica e análise crítica para liderar uma das maiores comunidades de PlayStation do Brasil.

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