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the midnight walk
The Midnight Walk

The Midnight Walk: vale a pena?

Não é de hoje que a fantasia sombria tomou conta dos corações do público mais jovem. Com narrativas equilibradas, bons graus de tensão e lições muito valiosas, elas não somem sem deixar rastros na vida de cada um que dá uma chance para explorá-las.

Filmes como Coraline e o Mundo Secreto e O Estranho Mundo de Jack, e jogos como Little Nightmares e Lost in Random deixaram padrões altos, mas ao mesmo tempo inspiraram desenvolvedores e produtores a buscarem seus próprios caminhos nesse meio.

The Midnight Walk, do estúdio sueco MoonHood, fundado por criadores de Fe, é mais uma surpreendente adição à família da fantasia sombria. E dessa vez, temos uma experiência cheia de personalidade e com uma abordagem muito, mas muito emocionante.

Em um ano onde os indies parecem estar levando vantagem em cima dos AAA, o novo game para PS5 e PS VR2 é um título que merece muito sua atenção. E por tudo que foi mostrado neste ano de 2025, nós aparentemente estamos vivendo um próximo surto criativo.

A última chama

Renascida como o Burnt One, uma figura misteriosa desperta em um mundo onde o sol desapareceu, mergulhando tudo em escuridão. Porém, ele não está sozinho: um pequeno pote o acompanha durante a jornada, carregando o que parece ser a última chama.

Agora, eles devem partir em uma aventura por florestas sombrias e desertos congelados, enquanto enfrentam monstros criados pelas trevas e ajudam habitantes excêntricos que precisam de soluções para seus problemas.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

O caminho é cheio de obstáculos, mas o Potboy está pronto para trabalhar ao lado do Burnt One em quebra-cabeças e outros tipos de desafios. Seu fogo ainda aquece o coração e a determinação de ambos — mas até quando ele permanecerá aceso?

The Midnight Walk é uma aventura narrativa de quebra-cabeças baseada em fantasia sombria. O título é compatível tanto com versão plana quanto com dispositivos de realidade virtual, trazendo mecânicas adaptadas para cada uma delas.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

O título possui uma campanha que leva de 6h a 8h para ser concluída, contendo diversos colecionáveis — entre eles alguns que homenageiam o lindo trabalho artesanal dos desenvolvedores.

Enquanto exploram The Midnight Walk, os jogadores coletam bonecos de argila de cada um dos personagens e inimigos no game. Essas versões digitalizadas destacam, com detalhes, o mundo escultural do game, algo que chama a atenção pelo grau de criatividade.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

E isso é o que não falta no jogo: criatividade. A experiência pode ser simples e até mesmo bastante objetiva, mas a arte do mundo e a forma como a história é contada são elementos belíssimos, tornando a aventura muito mais imersiva, caprichada e original.

Além disso, há uma certa musicalidade no jogo. Os diálogos riquíssimos em substância e a narração se destacam por terem um ritmo semelhante ao dos contos de fadas, mas desta vez se distanciando da Disney e se aproximando dos irmãos Grimm.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

Infelizmente, expressões, rimas e trechos podem ser prejudicados devido à ausência de localização em português do Brasil. Isso não afeta tutoriais, que são bem intuitivos, mas pode alterar o impacto da mensagem de acordo com o grau de instrução do jogador.

Carisma e sombras

The Midnight Walk se divide em cinco capítulos principais e um prólogo, onde cada um deles introduz novos sistemas de exploração e de quebra-cabeças. Isso impede que a exploração linear se torne cansativa e desafia os jogadores a se adaptarem constantemente.

Às vezes, os obstáculos são monstros perseguidores; outras são barreiras ambientais. Cada elemento exige sua própria forma de ser solucionado — mas todos os instrumentos estão ali em suas mãos. E um deles é extremamente carismático.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

Potboy tem de tudo para engrenar como um novo mascote. Divertido, ele não apenas dá pistas sobre qual caminho seguir, mas é o catalisador para a resolução de vários problemas.

Suas habilidades incluem esquentar o protagonista em tempestades de neve, remover trevas com sua luz, acender palitos de fósforo e velas e ajudar a interagir com vários NPCs, que parecem estar muito interessados na história e na sobrevivência do personagem.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

As animações do Potboy em The Midnight Walk são muito bonitas e fluidas. Ele dá tchau, chama sua atenção, se esconde de monstros, corre, dorme, grita, sorri… tudo depende do momento em que a trama se encontra. Mas cada uma delas é muito caprichada.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

Além disso, ele funciona muito bem como um companheiro. As histórias do game são melancólicas e alguns cenários são muito claustrofóbicos. Porém, poucos passos à sua frente, uma pequena criatura sorri, te espera e ilumina teu caminho.

Quanto às mecânicas de jogo, você pode correr, atirar, acender palitos de fósforo, abrir portas e compartimentos, e, simplesmente, fechar seus olhos.

Uma realidade para além da visão

Mecânica fundamental de The Midnight Walk, fechar os olhos é o momento em que o jogo destaca todo seu potencial de som. Naturalmente, o design de áudio já excelente, mas aqui a MoonHood foi muito além.

Através de técnicas espaciais, esse recurso permite encontrar segredos, interagir com olhos e encontrar pontos de interesse pelo mundo. Como funciona? Simples. Apenas feche seus olhos e escute de onde o barulho vem.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

Além do trabalho sonoro, a funcionalidade também se integra com os recursos do DualSense e do PS VR2 para garantir uma imersão absurda. E por incrível que pareça, deixar tudo escuro não assusta — mas sim, tranquiliza e dá um conforto quase supremo.

Nessa abordagem, aliás, é onde consiste a principal mensagem de The Midnight Walk. Nem todas as respostas estão diante de seus olhos: às vezes, você precisa aceitar a escuridão e dar um salto da fé para encontrar coisas surpreendentes e inimagináveis.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

A decisão criativa também acompanha muito bem tanto a estética quanto o design do jogo. Claramente não é um recurso largado, mas sim algo que agrega à narrativa e ao conceito de uma caminhada à meia-noite.

Tudo isso, aliado à excelente trilha sonora, deixa a experiência de The Midnight Walk bastante acolhedora. Claro, há momentos assustadores e tensos (com flertes ao terror visual), mas nada que afete a jornada até mesmo dos mais medrosos.

The Midnight Walk: vale a pena?

The Midnight Walk é mais um lançamento surpreendente neste ano onde os jogos indies vêm reinando. A aventura do Burnt One e do Potboy é extremamente carismática, consistente e emocionante, sendo capaz de arrancar umas boas lágrimas e risadas.

Além disso, seu gameplay acessível não contrasta com os elementos de terror, que marcam presença no game, mas de forma pouco apelativa. A todo instante, o título introduz novas histórias e personagens, focando na resolução conjunta e no amplo senso coletivo.

The Midnight Walk
Fonte: André Custodio

Mesmo com a ideia de luz contra trevas, The Midnight Walk é um jogo sobre o bem e sobre a capacidade de ajudar os outros em um mundo onde a esperança é apenas uma fagulha. E tanto como mensagem quanto como jogo, o título funciona muito bem.

Seu preço pode estar um pouco salgado na PS Store, mas com os aumentos de preços e as novas tarifas, infelizmente é uma tendência que acabaríamos por enfrentar. Mas nesse caso, vale a pena você investir um pouco mais em algo que certamente será inesquecível.

E quando toda a luz em seu mundo se apagar, não esqueça que uma pequena chama ainda brilha, mesmo que seja invisível à sua frente. E caso você a encontre, ela se revelará como o sol que tornará tudo belo outra vez. Nunca desista.

Veredito

85

Ficha Técnica

Desenvolvedor

MoonHood

Consoles

PlayStation 5

Jogadores

1

Vantagens do jogo The Midnight Walk

Vantagens

  • Trilha sonora lindíssima
  • Um dos melhores trabalhos de áudio no PS5
  • Excelente ambientação
  • Dublagem de alta qualidade
  • Gameplay acessível e funcional tanto no PS VR2 quanto no PS5
  • Design dos mapas e dos personagens muito caprichado
  • Ótimo ritmo narrativo
  • Boa integração com os recursos do DualSense/controles Sense
Desvantagens do jogo The Midnight Walk

Desvantagens

  • Pequenos bugs visuais
  • Sem localização em português do Brasil

Veredito

85

capa do jogo The Midnight Walk

Jogo

The Midnight Walk

Autor

foto do author do artigo André Custodio

André Custodio

Redator

Fã de jogos de terror e desbravador de soulslike vez ou outra. Consegui me livrar de FIFA por motivos pessoais (ruindade) e hoje me sinto uma pessoa melhor. Também curto platinas, mas não vou atrás de algo que me tira do sério.

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