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Não contavam com a minha astúcia! México quer criar imposto para jogos violentos

Proposta prevê taxa de 8% sobre serviços digitais ligados a games com violência

Não contavam com a minha astúcia! México quer criar imposto para jogos violentos

A Secretaria da Fazenda do México (Hacienda) apresentou uma proposta “inusitada” no novo pacote econômico para 2026: aplicar um imposto especial de 8% sobre serviços digitais relacionados a jogos violentos. A ideia aparece dentro de um conjunto de medidas chamadas de “impostos saudáveis”, que também atingem apostas online, refrigerantes e produtos derivados do tabaco.

De acordo com o governo, o objetivo seria desestimular o consumo de itens considerados prejudiciais à saúde física e mental. No caso dos jogos, a justificativa se baseia em estudos que apontariam uma ligação entre jogos violentos e comportamentos agressivos, isolamento e ansiedade, algo que já foi questionado e desmentido por diversas vezes.

O que está em jogo

Segundo o documento enviado ao Congresso mexicano:

  • Serviços digitais ligados a jogos violentos seriam taxados em 8%
  • Apostas online subiriam de 30% para 50%
  • Bebidas açucaradas e até mesmo adoçadas artificialmente teriam reajuste de imposto por litro
  • Produtos com nicotina também entrariam na lista de maiores tributações

O governo afirma que os recursos arrecadados ajudariam a compor um fundo para a saúde pública, especialmente para lidar com doenças ligadas ao consumo desses produtos.

Games violentos: o velho vilão de sempre

Essa não é a primeira vez que os games, especialmente os considerados jogos violentos, são usados como bode expiatório por autoridades públicas. Porém, a ciência mais recente mostra que não existe uma relação comprovada entre esse tipo de entretenimento e o aumento da violência na vida real.

Entidades como a American Psychological Association já afirmaram que os estudos atuais não sustentam a ideia de que jogar títulos violentos leva a comportamentos agressivos. A maioria dos jogadores sabe muito bem distinguir o que é ficção e o que é realidade, e, francamente… violência nos games existe desde os tempos do fliperama.

Mais imposto, menos acesso

Tributar jogos dessa forma tende a prejudicar diretamente o consumidor, encarecendo produtos como jogos completos, expansões e assinaturas. Além disso, iniciativas como essa desestimulam o crescimento do setor, atrapalham desenvolvedores menores e criam um ambiente de negócios instável.

Ao invés de promover educação digital, incentivar classificações etárias claras e fortalecer o diálogo com as famílias, a resposta sugerida foi simples: cobrar mais imposto. No fim das contas, trata-se de uma medida de fácil execução, mas que não resolve a raiz de nenhum dos problemas apontados.

O apetite voraz do Estado

Mesmo disfarçada de preocupação com a saúde pública, a proposta também pode ser interpretada como mais um movimento do Estado para aumentar sua arrecadação em cima de setores que crescem com o tempo e com a tecnologia. No caso dos games, a indústria movimenta bilhões e reúne comunidades apaixonadas e criativas.

Taxar esse ecossistema é, na prática, desestimular a economia local e empurrar consumidores para soluções alternativas, como o uso de contas estrangeiras ou opções paralelas. No fim, todo mundo perde: o consumidor, os estúdios locais e até o próprio governo, que arrecada menos.

Esperamos que isso não se espalhe

A proposta ainda será discutida pelos parlamentares mexicanos e pode ser alterada antes de ser aprovada. Ainda assim, é um sinal de alerta para toda a comunidade gamer, especialmente na América Latina, onde medidas semelhantes podem ser copiadas com facilidade.

Diante de tantas pautas urgentes no universo dos games como acessibilidade, educação digital e incentivo à indústria, jogar mais imposto na conta do jogador não parece ser o melhor caminho.

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Autor

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Daniel dos Reis

CEO

Fundador MeuPlayStation, Daniel dos Reis é formado em Ciência da Computação com mais de 15 anos de atuação em tecnologia e games. Especialista no ecossistema Sony, acompanha a marca desde o primeiro console, unindo visão técnica e análise crítica para liderar uma das maiores comunidades de PlayStation do Brasil.

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