Jogo
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered
É inegável a influência de The Elder Scrolls IV: Oblivion. O RPG, lançado em 2005, marcou a era dos jogos de mundo aberto pela variedade de atividades, linhas e linhas de diálogos e, claro, pelo combate cheio de possibilidades. Com um título tão poderoso em mãos, a Bethesda analisou e pensou: “Por que não trazer de volta com uma roupagem moderna e aprimorada?” Assim, recebemos surpreendentemente Oblivion Remastered.
Embora a chegada do game deva ser encarada de modo positivo pela chance de revisitar um universo tão especial e icônico, o projeto é marcado por ambiguidades que só são experimentadas para quem se decide aventurar. Por exemplo, os lindos gráficos de Oblivion Remastered são contrapostos com o desempenho precário. A diversão da exploração precisa lidar com a simplicidade de mecânicas que podiam ser mais desenvolvidas.
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered podia ter sido uma ótima oportunidade para quem nunca jogou o game original (o caso deste redator), mas a dúvida aparece na mente dos jogadores: “Não teria sido melhor dedicar forças e energias para The Elder Scrolls VI que já está anunciado há um bom tempo?”. É como olhar para um prato muito bonito de um restaurante, mas a cada garfada questionar se valeu o preço.
Longe de ser um produto ruim, ele parece mais algo que a Bethesda desejou produzir para os fãs de longa data que continuavam jogando Oblivion, mas agora poderão ter uma experiência melhor adequada para a modernidade. É um título que não tem medo de ser videogame e, por si só, já traz bons momentos. E reforço: quem é fã da franquia, vai curtir. Os novatos? Talvez nem tanto.

O reino de Ciryodill, região central de Tamriel, sofre um golpe duro ao perder seu rei e lida com conspirações mágicas que desejam invocar o reino de Oblivion, conhecido por ser um mundo de monstros, caos e destruição. Nesta tempestade de eventos, o personagem do jogador se vê convocado a defender os povos de Tamriel com base nas suas escolhas que podem salvar a todos.
Como dito anteriormente, Oblivion Remastered é um produto para fãs e a Bethesda, em conjunto com a Virtuos, não mexeu no núcleo da experiência. Temos os mesmos NPCs principais, a mesma narrativa e até mesmo as quests que marcaram a época, como a Arena e o arco da guilda da Irmandade Sombria.

A história principal não se preocupa em ter grandes reviravoltas e um enredo tão envolvente assim, pois Oblivion está mais interessado em narrar as escolhas do jogador. O sistema de consequências traz reações em tempo real, permitindo um minigame de reputação que pode liberar caminhos mais fáceis ou conquistar objetos que não pertencem ao protagonista.
Um dos grandes brilhos de Oblivion é permitir customizar a própria jornada. Cada atributo é personalizável e são desenvolvidos conforme o uso durante a campanha. Por exemplo, quanto mais gazuas são usadas para destravar as trancas, mais XP nessa área é obtida e, consequentemente, há opções de liberar magias e poderes envolvendo a persuasão e furtividade. Os sistemas são bem encaixados.

Por outro lado, a jogabilidade datada é, muitas vezes, desengonçada e pouco precisa. Usar magias e combar com ataques físicos é basicamente uma tarefa ingrata, pois a câmera não ajuda e os movimentos dos personagens são imprevisíveis. Além disso, o gameplay de Oblivion é estruturado para ser de ação/RPG, mas é quase impossível antecipar os ataques dos inimigos, deixando as interações à mercê da sorte ou da própria comparação entre atributos, torcendo para os seus serem maiores que o adversário.
Há a opção de jogar em primeira ou terceira pessoa, mas o jogador fica indeciso em qual optar. Se a primeira opção dá mais controle do boneco, a segunda permite ter uma noção melhor do espaço. Estes dois recursos parecem limitar um ou o outro modo, complicando algo que poderia ser melhor adaptado.

Um dos grandes problemas de Oblivion Remastered é que seus defeitos poderiam não ter vindo diretamente da versão original. Embora seja uma remasterização, parece que a Bethesda e a Virtuos fizeram um trabalho mínimo para adequar o jogo. Por exemplo, o game tem a mecânica de passagem de tempo onde NPCs obrigam o jogador a conversar com eles em determinada hora. Muitas vezes, o sistema existe só por existir, sem implicar em uma estrutura narrativa que faça sentido.
Além disso, a exploração de dungeons, catacumbas, cavernas e outros lugares fechados é confusa e não segue uma lógica intuitiva. Não há nenhum indicativo se a exploração foi concluída totalmente ou se ficou alguma demanda para trás. São coisas mínimas, mas consideradas como melhorias de vida que fazem falta na hora do gameplay.

Falando sobre a exploração, é necessário tocar no ponto do desempenho de Oblivion. Enquanto que em lugares isolados e fechados, o RPG performa tranquilamente durante os combates, o mesmo não pode ser dito no mundo aberto. Andar pelo continente de Tamriel pode ser desastroso com o surgimento de itens aleatoriamente, o processo de renderização acontecendo diante dos seus olhos e a queda constante de frames.
Infelizmente, por mais que os gráficos do jogo estejam poderosamente lindos, o restante da parte técnica é sacrificada e compromete a experiência. Para piorar, os bugs acontecem com uma frequência irritante. Durante as quase 80 horas de jogo, houve crashes e também quests que foram impedidas de continuar porque o game travava ao escolher uma opção específica. Mesmo reiniciando o aplicativo várias vezes, o erro repetia e, então, fui obrigado a pensar em outra alternativa para dar continuidade à atividade.

Direto ao ponto: o fã de Oblivion vai encontrar tudo o que lhe agrada na nova versão. Gráficos modernizados, a mesma história com quests intocáveis e a exploração de Tamriel que varia desde grandes florestas até catacumbas escuras. É reviver o clássico lançado há mais de 20 anos com uma pegada mais moderna e adequada para as plataformas atuais.
No entanto, para os novatos, o título pode soar um pouco mais do mesmo, considerando outras aventuras que vieram e trouxeram melhorias às mecânicas criadas pelo Oblivion original, como Kingdom Come Deliverance 2, The Witcher 3 e, claro, o próprio The Elder Scrolls V: Skyrim.

O que pesa contra a diversão de Oblivion Remastered é o seu desempenho técnico muito precário. Os problemas mancham a imagem do game que é sim um bom jogo, mas pode trazer muita frustração.
Veredito
70
Desenvolvedor
Bethesda
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
70
Jogo
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered