Jogo
Ratshaker
Como simplesmente adoramos jogos criativos, sempre temos espaço para mais um. E quando ele vai muito além do seu conceito, mesmo diante de algumas limitações de desenvolvimento, é ainda mais satisfatório destrinchar tudo.
Dessa vez, estamos falando de Ratshaker, terror psicológico vendido como um “simulador de controle de pragas” na Steam, onde conta com avaliações “extremamente positivas” desde seu lançamento, em novembro de 2024.
Agora, com a disponibilidade no PS5, o título indie da Sunscorched Studios traz algumas novidades que prometem aumentar ainda mais a imersão, apesar de uma dela em específico ser pra lá de controversa e muito incômoda (no bom sentido).
Campos outonais, uma fazenda ao fundo e uma voz em sua cabeça. Vá em direção ao seu destino e descubra tudo que a casa abandonada esconde. Mas você não está só: algo em sua mão parece saber muito mais sobre fatos que até então estavam trancados.
Um rato fala e te acusa de algo inimaginável. Você o escutará ou deixará que sua mente te guie para uma verdade difícil de aceitar? Ou para uma mentira? Independente da sua escolha, o único caminho e espremer o animal e ouvir o que ele tem para dizer.

Ratshaker é uma curtíssima aventura narrativa que reúne elementos de sobrevivência e walking simulator, com foco na exploração. Você controla alguém sem nome e sem identidade e é levado para uma fazenda para chegar a uma resposta sobre isso.
A mecânica fundamental do game consiste em espremer um rato, com viés de tortura, para ativar diálogos. Às vezes eles dão pistas sobre como progredir, enquanto em outras eles apenas surgem como provocação para levar o protagonista ao limite.

Já a campanha de Ratshaker é o maior ponto negativo — se não o único. No clímax, o game encerra após apenas 45 minutos e deixa um gostinho de que há espaço para mais histórias serem contadas.
Apesar de Ratshaker ter a duração de um episódio de série, ele deixa uma sensação bastante condizente com sua proposta. Longe de ser apenas um simulador, o game é um terror psicológico brutal e perturbador, especialmente se jogado com headsets.
Ao longo da jornada, os jogadores verão muita violência gráfica, escuridão e sons incômodos. Além disso, pode ir se preparando para alguns bons jumpscares, que chamam a atenção por serem pontuais e nem um pouco apelativos.

Tecnicamente falando, Ratshaker se revela como um projeto bem realizado. Efeitos de iluminação e sombras são muito bons, enquanto a colisão e física, principalmente após a segunda metade da história, se provam como elementos eficientes de horror.
Os ganchos do gênero são excelentes e mostram que os desenvolvedores entendem muito do terror psicológico. Assim, é possível esperar muitas luzes piscando, sombras falsas, becos sem saída e, óbvio, obstáculos que podem te levar à morte.
É impossível falar sobre Ratshaker sem falar do grande nome do jogo: o rato. Sua participação no game funciona como uma espécie de divindade, por meio de uma voz imponente, de uma ótima oratória e de um conhecimento quase onisciente.
As interações com o animal são sempre muito boas e raramente se repetem. Ele também rivaliza com sua consciência, deixando brechas para interpretações sobre o que realmente seria a voz por trás dos pensamentos perturbadores.

Já a mecânica principal de Ratshaker consiste em espremer o rato. Usar o “R2” para apertá-lo permite “carregar munição”, enquanto pressionar o “L2” realiza ações gastando parte do medidor Sacudidômetro.
Isso quer dizer que não apenas é preciso apertar “R2”, mas sacudir sem parar seu controle DualSense enquanto a barra de ações é preenchida. Logicamente esse processo não é fácil: ele ocorre por meio de muita gritaria e de agonização por parte do animal.

E como se isso não bastasse, apertar o rato o faz brilhar. Assim, ele consegue se transformar em uma lanterna, com sua aura iluminando locais profundamente escuros. Mas cuidado: segurar os botões por muito tempo pode levá-lo à morte; aí é fim de jogo.
Ratshaker é um excelente jogo de terror psicológico. Tudo nele é construído de forma pontual, com a atmosfera rendendo um bom nível de tensão e os sustos te pegando despreparados.
A campanha é curtíssima, mas o suficiente para levá-lo à exaustão mental. E quanto à física, o controle faz isso em poucos instantes, pois a ação de sacudi-lo para interagir com o excêntrico rato é muito bem desenvolvida pela Sunscorched Studios.

Título indie curioso e bastante original, Ratshaker é um choque de realidade devido ao alto grau de gradação narrativa. Definitivamente é algo que em especial os fãs de terror devem testar, pois o game certamente deixará marcas profundas — e algumas boas referências.
Veredito
82
Desenvolvedor
Sunscorched Studios
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
82
Jogo
Ratshaker