Jogo
Master Lemon: The Quest for Iceland
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As palavras têm poder e elas podem construir ou destruir universos inteiros. Em Master Lemon: The Quest for Iceland, o estúdio brasileiro Pepita Digital mostra que as palavras não são só aglomerados de letras, mas possuem propósitos e finalidades profundas, capazes de gerar histórias únicas.
Com uma narrativa sensível e muito profunda, o título se preocupa em ser uma linda homenagem para André Lima, que faleceu num trágico acidente na Europa. Nesta história, justamente acompanhamos a jornada de Limão para se tornar um mestre poliglota.
Em uma campanha de quatro horas, o game aborda temas como sonhos, medos, autoconfiança e até mesmo o luto. Recheado de momentos engraçados, com uma pixel art de encher os olhos e trilhas sonoras gostosas de ouvir, Master Lemon: The Quest for Iceland acerta em cheio numa história que cria identificação com os jogadores e emociona do início ao fim.
A história gira em torno do garoto Limão, que não se encaixa nos padrões do mundo para se tornar médico ou advogado, mas descobre uma verdadeira paixão no estudo das línguas. Seu sonho é virar poliglota e, mais especificamente, aprender o islandês. Contudo, no dia da sua despedida para a Islândia, ele é teletransportado para as Ilhas Bashires, onde os idiomas de todo o mundo estão ameaçados graças a uma praga que atingiu a árvore das línguas.
Limão, então, é o escolhido para restaurar a ordem dos vocabulários, coletando termos que foram perdidos e auxiliando os Bashires, que esqueceram as palavras e, por isso, não conseguem mais comunicar seus sentimentos e o que precisam fazer.

A criatividade da história está justamente no fato de que os personagens, ao esquecerem as palavras, não vivem direito, e quando Limão resgata os termos, é como se uma engrenagem fosse colocada no lugar correto para dar movimento à vida.
A campanha é curtinha, mesmo completando as quests secundárias. Pode parecer pouco, mas é por causa desse ritmo objetivo que a narrativa pega o jogador de jeito e o envolve em sequências que não cansam. Nesse ínterim, a história o faz rir, pensar e, principalmente, chorar.

Quase como Alan Wake, Limão recebe o poder da Ljósta (Iluminar), com o qual ele dispersa as sombras e, ao limpar o terreno, desbloqueia novas palavras de diferentes idiomas. Os termos servem justamente para ajudar os Bashires, que estão perdidos em suas palavras, resolvendo dilemas e colocando a vida para funcionar.
O objetivo é muito simples: passar pelos cenários e limpar as regiões com a luz, conquistando novas palavras que atendem aos pedidos dos NPCs. Para isso, o jogador precisará combinar objetos que encontra pelo caminho com o poder da “Gambiarra”.

Como um jogo interativo, Master Lemon: The Quest for Iceland é muito simples. Afinal, o propósito final do jogo é contar uma história. No entanto, para aumentar a vida útil do game, poderia haver mais puzzles ou alguns outros elementos de interação, porque o jogo se resume a andar e coletar os termos.
Há missões secundárias e mais de 100 itens colecionáveis (com easter eggs e referências muito divertidas) para quem quiser estender um pouco mais da experiência, mas se o jogador não faz muita questão de explorar cada centímetro do jogo para conquistar troféus, então não há muitos incentivos para isso.

A sensibilidade de Master Lemon: The Quest for Iceland vai além da história e abrange também o visual e a trilha sonora. O pixel art do projeto é cheio de detalhes, com gráficos muito bonitos. São quatro áreas principais com características únicas e uma grande variedade de NPCs, cada um com peculiaridades e um design singular. O game é como acompanhar uma história animada dos anos dourados de nossa infância.
A trilha sonora é tão boa quanto o próprio visual, preenchendo todos os momentos com músicas de melodias emocionantes e, em situações mais intensas, as trilhas colocam pitadas de ação que envolvem o jogador.

Algo que devemos mencionar é a dublagem e o design de som. Por mais que seja um projeto de menor escopo feito por um estúdio brasileiro, as interpretações vocais são muito profissionais, como se realmente fosse um filme de alto calibre. Além disso, há um recurso muito legal em que as palavras são ditas em voz alta, até mesmo aquelas que são de outros idiomas. Cada palavra gera uma sensação diferente pelo seu significado e pela forma como aparece. Por isso recomendamos fortemente o uso de um fone de ouvido durante o gameplay.

Um jogo de aventura simples, mas com muito significado, Master Lemon: The Quest for Iceland é um projeto que todo brasileiro deve bater no peito com orgulho por saber que é um produto da nossa terra. Mais do que só um conteúdo brasileiro, é um conteúdo muito bom por si só.
Com uma linda história que acerta no tom e nos temas que tangem à vida humana, o título vale a pena para se jogar numa tarde chuvosa, quando você quer ter uma experiência diferente das encontradas no mercado. É sensível, bem-humorado, divertido e único.
Veredito
80
Desenvolvedor
Pepita Digital
Consoles
PC
Jogadores
1
Veredito
80
Jogo
Master Lemon: The Quest for Iceland