Jogo
Elden Ring: Nightreign
Imaginem como seria caso a FromSoftware decidisse pular de cabeça no estilo multiplayer e tivesse o seu próprio Fortnite? Não tem dança e nem skin colorida, mas tem muita melancolia e desafios dignos dos jogos do estúdio. Elden Ring: Nightreign é isso, só que o molho vem com um gosto diferente dessa vez.
Estamos acostumados a ver receitas single-player onde a cooperação aparece em momentos oportunos nos games da companhia, porém, dessa vez, o core é multiplayer mesmo. É juntar um time de três, partir para cima e vencer a noite com estilo.
Elden Ring: Nightreign muda completamente o ritmo da experiência soulslike. Em vez do tradicional mundo aberto e progressão solitária, agora o jogador entra em sessões rápidas, intensas e exclusivamente em trios. A jornada acontece em Limveld, território amaldiçoado que precisa ser superado em três noites consecutivas.

A estrutura é simples e cíclica. O time explora o mapa, derrota inimigos e coleta recursos nas duas primeiras noites. Na terceira, precisa encarar um Nightlord, o chefão final da run. Derrotando o chefe, missão cumprida. Se falhar, tudo volta ao início — mas parte do progresso é permanente.
Entre cada expedição, o jogador retorna ao Roundtable Hold. Lá, é possível interagir com NPCs, comprar itens, ajustar relíquias e montar o trio que enfrentará a próxima tentativa. Há personagens fixos e desbloqueáveis, com funções específicas que impactam diretamente o desempenho do grupo.
Cada personagem, ou Nightfarer, tem atributos únicos. Wylder, por exemplo, é mais ofensivo. Guardian, por outro lado, cumpre o papel de tanque. A escolha da composição é estratégica, já que a ausência de funções básicas — como suporte ou resistência — compromete toda a run.
Para deixar tudo ainda melhor, cada um deles possui uma habilidade básica e uma Ultimate. Enquanto uma carrega mais rápido ao longo da partida, a outra é extremamente potente e demora um pouco, mas pode ser recarregada agilmente com uma build específica com runas e equipamentos certos.
Vale ressaltar: o jogo não é feito para jogar solo ou em dupla. A proposta da FromSoftware exige três personagens em campo, seja por matchmaking ou com um trio formado previamente. Isso torna a experiência cooperativa obrigatória, com ênfase na comunicação, formação tática e adaptação constante.
O jogo até facilita a formação de grupos, mas o desequilíbrio pode surgir se todos optarem por papéis semelhantes. Se o trio exagerar no dano e faltar controle ou defesa, as chances de avançar diminuem drasticamente. O sucesso depende menos de habilidade individual e mais da sinergia coletiva.
A cada tentativa, o time chega a Limveld com o inventário zerado. Armas e equipamentos são obtidos no próprio mapa — derrotando inimigos, abrindo baús ou saqueando áreas. O sistema de loot lembra um battle royale, com distribuição aleatória e incentivo à exploração constante.

A movimentação por Limveld é essencial. As zonas vão encolhendo ao longo do tempo, obrigando o trio a seguir em frente. Isso cria tensão constante. Cada segundo precisa ser aproveitado para coletar recursos, preparar-se para o chefe da noite e decidir qual caminho seguir.

Cada noite traz um chefe intermediário obrigatório. Derrotá-lo garante o avanço para o próximo ciclo. Há boas opções de boss espalhadas pelo mapa, algumas inéditas e outras que retornam do jogo base. A variedade garante dinamismo e exige leitura rápida das habilidades do time.

Na terceira noite, o trio enfrenta um Nightlord, o chefe final da expedição. A batalha é longa, exige coordenação e uso preciso de tudo que foi conquistado nos dias anteriores. Se o grandão for derrotado, a missão é concluída com sucesso. Caso contrário, volta tudo ao começo.
Mesmo após a derrota, parte da evolução se mantém. Nightreign introduz progressão permanente por meio de relíquias e upgrades fixos. Itens colecionáveis, desbloqueios de personagens e melhorias em atributos básicos ajudam a fortalecer o trio para as próximas tentativas.
O sistema de nível lembra Elden Ring, mas é mais automatizado. Em vez de distribuir pontos manualmente, o jogador evolui com base em um nível geral. Isso agiliza o processo e reforça a acessibilidade, sem abrir mão da sensação de progresso que marca os jogos da FromSoftware.
Apesar dessa acessibilidade, a interface ainda é confusa. Há momentos onde o uso de runas, itens e o próprio mapa não são bem explicados, dificultando a compreensão dos objetivos. Falta clareza na navegação entre sistemas, algo que poderia ter sido feito com maior capricho.
A apresentação inicial traz um tutorial obrigatório e dá acesso ao hub central. No Roundtable Hold, estão todos os sistemas principais: personagens, loja, relíquias e opções de matchmaking. É um ponto de descanso entre as runs, mas também o lugar onde se organiza a estratégia e fortalece seu personagem favorito.
O multiplayer é o núcleo da experiência. O jogador pode definir senhas para grupos fechados ou abrir matchmaking para completar o trio. A partida sempre contará com três personagens — o jogo não permite seguir com menos. Isso torna a escolha dos companheiros uma etapa crucial.
Mesmo com a obrigatoriedade do trio, a comunicação limitada pode comprometer a partida. Quando se entra com desconhecidos, o jogo não oferece meios muito eficientes de coordenar decisões. A ausência de chat de voz embutido é sentida, especialmente em momentos de urgência.
As runs são curtas e intensas, mas nem sempre divertidas. A qualidade da experiência depende da composição do time e do loot encontrado. Se o grupo não se encaixa bem, a jornada vira um fardo. Se há sinergia, o jogo mostra seu melhor lado, com batalhas memoráveis.
O combate continua técnico e responsivo. Cada personagem tem golpes específicos, armas únicas e habilidades especiais. A variedade de builds possíveis é boa, mas limitada ao que aparece no mapa em cada tentativa. Isso exige improviso e leitura rápida do que está funcionando.
A progressão se equilibra bem entre tentativa e erro. Mesmo sem vencer, o jogador coleta Murk — a moeda especial de Elden Ring Nightreign— e pode trocá-la por melhorias no Small Jar Bazaar. Essas pequenas vitórias mantêm o interesse vivo, mesmo após falhas seguidas.
Visualmente, apesar de limitações de desempenho notáveis, Elden Ring: Nightreign mantém a identidade melancólica da série. Limveld é uma região sombria, cheia de neblina, ruínas e elementos que remetem ao misticismo de Elden Ring. Apesar da ambientação mais contida, o mapa continua rico em detalhes e recompensas visuais.
No entanto, como de costume, narrativa não é muito o centro aqui. Há até um background para deixar claro que precisamos enfrentar todos os chefões para chegarmos a outro desafio final, então, o foco acaba ficando mesmo é no gameplay.

Fomentando o modelo de rejogabilidade, ausência de checkpoints ou salvamentos entre noites reforça a tensão. Cada escolha pesa. Usar um item cedo demais, seguir por uma área perigosa ou enfrentar um chefe despreparado pode arruinar toda a run. Essa pressão constante faz parte do charme — e da frustração.
A proposta da FromSoftware é clara: transformar o universo de Elden Ring em algo mais direto, experimental e focado no trabalho em equipe. A aposta funciona quando há coordenação e dedicação, mas falha em oferecer suporte suficiente para quem está entrando agora.
Elden Ring: Nightreign não é um spin-off comum, afinal, é quase um multiplayer com mecânicas próprias, ritmo inédito e foco total em runs repetidas. Não é preciso terminar a campanha principal do RPG para jogar e compreender a trama, mas entender o universo ajuda a aproveitar melhor o que está em jogo.
Na ponta do lápis, o jogo exige envolvimento e dedicação. A progressão, os desbloqueios e a própria curva de aprendizado exigem constância. É um jogo para quem quer se dedicar, experimentar diferentes formações e evoluir com cada derrota – ou seja, é um souls de verdade.
Mesmo com seus problemas, Elden Ring: Nightreign traz frescor ao universo soulslike. Ao focar no multiplayer cooperativo e sessões intensas, a expansão abre espaço para um novo tipo de experiência — menos solta, mais tática, mas igualmente exigente e divertida para quem curte games do gênero.
No fim, o que define o sucesso é a formação do trio. Com sinergia, o jogo entrega combates memoráveis, exploração recompensadora e sensação de conquista, que é o mais marcante em título da From e se repete aqui – assim como pequenos detalhes onde poderiam dar mais atenção aos novatos, como na escolha de objetivos via mapa.
Com tudo o que foi dito acima, a mensagem da From é clara: ninguém sobrevive à noite sozinho, então, vale analisar se o game vale os R$ 199,50 para você. É sim uma boa porta de entrada para a franquia, mas a experiência muda bastante, principalmente pelo sistema de nivelamento e balanceamento feito para três. Vai se jogar nesse?
Veredito
82
Desenvolvedor
FromSoftware
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1
Veredito
82
Jogo
Elden Ring: Nightreign