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Destroy All Humans!: vale a pena?

Remake é muito divertido, mas apresenta alguns problemas técnicos

por Vinícius Paráboa
Destroy All Humans!: vale a pena?

A humanidade sempre buscou saber: existe vida fora da Terra? Alguém se encontra em outro lugar do espaço? Outra raça observa a nossa civilização? ‘Destroy All Humans!‘ respondeu essas perguntas com bom humor em 2005, quando chegou ao PS2. Agora, a Black Forest Games relembra da experiência em um remake divertido e com belos gráficos, mas que não escapa de problemas técnicos.

A premissa do jogo é bastante simples e lembra diversos filmes e/ou desenhos que envolvem alienígenas: uma civilização desconhecida invade o planeta para aniquilar as formas de vida aqui existentes. Particularmente, Invasor Zim, animação clássica da Nickelodeon, logo vem à cabeça durante a jogatina.

O objetivo é um: destruir todos os humanos!

A história de ‘Destroy All Humans!’ se passa nos EUA dos anos 50 e começa quando um ser da raça Furon, Crypto-136, aterrissa sua nave justamente em um campo de pesquisa espacial norte-americano. Ele desaparece e causa a ira do seu líder, o Imperador Orthopox, e de Crypto-137, o seu irmão. Ambos juram eliminar a humanidade e partem ao local, também para tentarem resgatar o alien perdido.

Não espere nenhum roteiro escrito por Martin Scorsese para o jogo. Na verdade, a narrativa até se mostra repetitiva a cada cidade que o protagonista visita. Ele chega a um lugar nos Estados Unidos, o investiga, toma controle de algo ou alguém e então, devasta as casas e prédios.

Apesar de pouco interessante ou sem grandes reviravoltas, a história amarra o objetivo principal do game: espalhar o caos. É engraçadíssimo ver Crypto aterrorizar a sociedade, e o governo tentar acobertar suas façanhas. A cada destruição em massa, o estado joga a culpa nos “malditos comunistas”, que se infiltraram nos EUA para provocarem a desordem – uma referência à União Soviética, rival dos norte-americanos na Guerra Fria – ou em eventos sem explicações plausíveis.

Destroy All Humans!

Os jogadores gastarão cerca de 8 a 10 horas para completarem a narrativa principal de ‘Destroy All Humans!’. Isto é pouco para games atuais, embora há de se ressaltar que por ser um remake, já era esperado algo nesta linha.

Vaporize e eletrifique humanos

O gameplay de ‘Destroy All Humans!’ é o grande destaque deste remake. A Black Forest Games manteve a jogatina fiel aos fãs que desfrutaram da versão original, mas fez algumas melhorias pontuais para não deixá-la antiquada.

Os controles foram revisados e os jogadores podem combinar poderes e armas, para criar combos alucinantes. Um exemplo é levantar o inimigo no ar com a telecinese e eletrocutá-lo com a pistola. Além disso, agora não há um limite de tempo para o uso de habilidades psíquicas, como o controle mental ou o disfarce com o chamado “Holozé”.

Destroy All Humans!

A arma de Crypto possui variações, que diferenciam o estilo de gameplay de cada jogador. Existe um raio elétrico (que se encadeia entre os inimigos próximos), uma sonda anal (epa!), uma granada (que dá dano em área), e um raio desintegrador (com limite de munição). É divertido alternar a forma de jogo e ver do que o alienígena é capaz.

Além de destruir todos os humanos a pé, o E.T. também tem um disco voador a sua disposição para devastar as cidades. O OVNI detém uma grande variedade de armas para causar estragos, como um raio laser ou um disparo sônico.

Escudos de energia são o que mantém o alienígena de pé. Ser atingido ao perder todos os pontos das barras defensivas é letal, tanto quando se está no chão, quanto dentro do disco voador. O sistema funciona bem na terra, mas no céu é fácil de escapar dos ataques dos humanos. A tarefa se torna ainda mais simples quando os jogadores fazem upgrades nas defesas da nave na árvore de habilidades.

Aliás, os jogadores precisam gastar pontos de DNA para fazerem esses upgrades. Existem duas árvores: uma para Crypto e outra para o disco voador. Elas não são complexas e possuem, no máximo, três melhorias para cada setor, seja em armas, escudos ou outros.

Destroy All Humans!

Completar todas as melhorias de Crypto demanda tempo e obriga os jogadores a cumprirem missões secundárias para conseguirem pontos de DNA suficientes. Algumas incluem o Armaggedon, onde é necessário destruir o máximo de edifícios possíveis, ou a Abdução, em que a tarefa é conseguir certos objetos com um dos raios do disco voador. As sidequests até ajudam a aumentar o tempo de gameplay, mas são descartáveis – a não ser que você goste de dar uma lição nos humanos.

Bonito, mas com problemas técnicos

Outro grande destaque em ‘Destroy All Humans!’ é a parte gráfica, que foi reconstruída. A caracterização dos personagens está bem construída. Vários humanos mostram ter pouca inteligência ao longo da história e suas expressões demonstram isso claramente.

Dito isso, há um contraponto: o áudio. A Black Forest Games optou por pegar a dublagem original de 2005 e implementar no novo game. Embora o fato traga um apelo nostálgico aos fãs, acaba expondo sons agudos e de baixa qualidade nas cutscenes. Em outras palavras, Crypto-137 aparece com um gráfico bonito, mas ao falar, sua voz não se encaixa tão bem com quem vemos na tela.

Destroy All Humans!

Texturas também são problemáticas. Não é raro que em cutscenes diferentes, elas simplesmente percam sua qualidade, para depois voltarem ao normal. Quando isso acontece, o jogador ainda sente um leve declínio no FPS, mesmo se tratando de uma cena fora do gameplay.

A taxa de quadros por segundo se mostrou constante na jogatina, porém sofreu certas quedas. Os travamentos acontecem principalmente em batalhas. O fato é um pouco estranho, até por ser um jogo simples tecnicamente.

Destroy All Humans!: vale a pena?

Destroy All Humans

Em uma era de remakes como Crash Bandicoot, Spyro the Dragon ou no recente Bob Esponja, os gamers têm diversas opções para voltarem a clássicos que marcaram suas respectivas vidas. ‘Destroy All Humans!’ pode não ter tanto nome quanto os anteriores, mas definitivamente é uma experiência nostálgica.

Se você é fã da franquia, provavelmente vai gostar muito do jogo. O gameplay foi melhorado e segue divertido, a história continua a mesma e os gráficos estão bacanas. O título até é atrapalhado por problemas técnicos, no entanto, eles não o arruinaram.

Na PlayStation Store, o game sai por R$ 164,90, um investimento alto para uma narrativa que dura por volta de 10 horas. Por isso, talvez valha a pena esperar uma promoção. A não ser, é claro, que você queira muito reviver a jornada do E.T. Furon pela Terra e destruir todos os humanos!

Veredito

Destroy All Humans!
Destroy All Humans!

Sistema: PlayStation 4

Desenvolvedor: Black Forest Games

Jogadores: 1

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75 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Gameplay divertidíssimo
  • Controles melhorados em relação ao jogo original
  • Gráficos cartunizados e bem feitos
Desvantagens
  • FPS pode cair em batalhas
  • História é curta
  • Áudio datado