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Gráficos que tentam cada vez mais simular a "realidade" custam caro e demoram muito para serem desenvolvidos
A busca incessante por gráficos cada vez mais realistas nos games pode estar custando caro à indústria. A discussão ganhou força nas redes sociais após um ex-artista da Naughty Dog, sob o nome de usuário TheCartelDel, afirmar que o foco em ultra-realismo está “desacelerando tudo”. Ele respondia a um post que criticava a demora cada vez maior entre lançamentos de grandes franquias: “Esperamos 10 anos por um jogo novo quando antes saía um por ano”, dizia o tuíte original.
Segundo o artista, aspectos técnicos como animações e shaders se tornam infinitamente mais complexos quando o objetivo é simular a realidade com perfeição. “Cada pequeno detalhe precisa funcionar em todos os estados possíveis do personagem, e isso consome muito tempo”, explicou.
O próprio documentário Making The Last of Us Part II revela o esforço colossal da Naughty Dog em priorizar fidelidade gráfica, muitas vezes acima de outros elementos. O impacto já é visível: a Naughty Dog, que lançou quatro grandes títulos na era do PS3, entregou apenas dois na geração PS4.
E agora, com mais da metade do ciclo do PS5 concluído, ainda não lançou um único novo jogo original. Seu próximo projeto, Intergalactic: The Heretic Prophet, está previsto apenas para 2026 — um hiato de seis anos desde a última IP inédita do estúdio.
Essa desaceleração não é um caso isolado. O cenário AAA inteiro está em marcha lenta, atolado em ciclos de produção de quase uma década e orçamentos que desafiam a lógica financeira. Para alguns desenvolvedores, o futuro aponta para equipes menores e mais eficientes, com foco em estilo e identidade própria — como vem fazendo Clair Obscur: Expedition 33.
O realismo gráfico dificilmente será abandonado, mas cresce o consenso de que a indústria precisa repensar suas prioridades antes que o peso da própria ambição a torne insustentável.
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