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Executivo da EA diz que ambientes tóxicos nas empresas são inevitáveis

Chris Bruzzo destaca a dificuldade de gerenciar uma empresa com mais de 10 mil funcionários, mas salienta a importância de tomar medidas "significativas"

por Vítor Amorim Heringer
Executivo da EA diz que ambientes tóxicos nas empresas são inevitáveis

Chris Bruzzo, vice-presidente executivo do Positive Play, marketing e comercial da Electronic Arts, afirmou que os ambientes tóxicos nas empresas são inevitáveis. Principalmente quando há mais de 10 mil funcionários na companhia, como é o caso da publisher.

Apesar disso, em entrevista ao site GamesIndustry.biz, o executivo ressalta serem necessárias medidas “significativas” para tentar manter o local de trabalho o melhor possível para todos os profissionais.

Somos uma comunidade de mais de 10.000 funcionários. Nós vamos ter problemas? Haverá lugares onde alguns atores mal-intencionados ou ambientes tóxicos existirão dentro da cultura de empregos da Electronic Arts? Claro. Depois de chegar a esse nível, esse tamanho de quadro, você quase não pode evitar. [Mas] assim como acontece com toxicidades de jogadores, você precisa ter uma equipe que investigue as reclamações e tome medidas. Então tivemos que tomar medidas significativas e demitir funcionários, etc. nos últimos anos.

Executivo da EA diz que ambientes tóxicos nas empresas são inevitáveis
Executivo da EA destaca a dificuldade de criar ambientes saudáveis em grandes empresa. Foto: Reprodução

Bruzzo revelou que os funcionários recebem pesquisas e treinamentos regulares para salientar o código de conduta da empresa. Além disso, os colaboradores contam com uma plataforma interna, onde a equipe de RH e uma companhia externa acompanham, para reportarem comportamentos inadequados.

Talvez, daqui a duas semanas, vamos ouvir que havia alguém que estava se comportando mal na EA por algum tempo? Tenho certeza que isso vai aparecer novamente, apenas em virtude do grande número de pessoas que empregamos. E nosso trabalho será lidar com isso, agir e continuar a melhorar as coisas.

Os ambientes tóxicos são tema recorrente no setor de games, com a Activision Blizzard estando no centro das atenções atualmente. A publisher de Call of Duty e Overwatch foi processada por uma agência governamental da Califórnia (DFEH) devido a assédios e discriminação contra mulheres.

Executivo da EA diz que ambientes tóxicos nas empresas são inevitáveis
Activision Blizzard está no centro das atenções por conta de problemas de discriminação. Foto: Reprodução

O próprio executivo da Electronic Arts relata que um dos problemas da indústria é ser “historicamente super-representada por homens… com uma falta de diversidade em geral“. Ele salienta a importância de contratar mulheres para todos os níveis nas empresas — atualmente, a editora conta com 50% dos líderes do sexo feminino.

Electronic Arts quer melhorar sua reputação e condutas nos jogos

Bruzzo é o líder do projeto Positive Play (Jogo Positivo) da empresa. O objetivo é melhorar os ambientes nos jogos a partir apenas de conteúdos limpos. O mesmo diz que “ninguém quer jogar com um trapaceiro”.

A Carta do Jogo Positivo em linguagem humana muito clara comunica como é importante compartilhar apenas conteúdo limpo, apenas jogar de uma maneira justa. E somos muito, muito claros. Ninguém quer jogar com um trapaceiro. Trate os outros como gostaria de ser tratado. Fomos muito claros sobre isso e o que isso nos permite é responsabilizar os jogadores por isso.

Outro ponto bastante discutido na Electronic Arts é o Ultimate Team de FIFA. Nos últimos anos, governos e instituições declararam o modo como “jogo de azar” por causa da venda de pacotes. Segundo o executivo, a publisher trabalha para melhorar este quesito, ao apontar o recurso FIFA Playtime, que monitora os gastos no game.

Além disso, a editora quer ajudar o setor a tornar os títulos mais inclusivos. Para isso, liberou cinco de suas patentes de acessibilidade gratuitamente para todos os estúdios e pessoas do mundo.