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Assassin’s Creed virou RPG para evitar revenda de jogos, segundo ex-diretor

Alex Hutchinson afirmou que a Ubisoft queria aumentar a duração dos jogos para dificultar a revenda

Assassin’s Creed virou RPG para evitar revenda de jogos, segundo ex-diretor

A transição da série Assassin’s Creed para o formato de RPG de ação sempre gerou debates entre os fãs. E agora, uma fala de Alex Hutchinson, diretor de Assassin’s Creed 3, ajuda a explicar os bastidores dessa mudança. Segundo ele, houve uma pressão interna significativa da Ubisoft para aumentar o tempo de jogo, com o objetivo principal de desencorajar a revenda de cópias físicas, algo que beneficiava apenas varejistas como a GameStop.

Em entrevista, Hutchinson contou que, antes do lançamento de Assassin’s Creed Origins, os desenvolvedores eram orientados a “manter o disco no console por mais tempo” e a forma mais barata de fazer isso era inserir elementos de RPG. Designers estavam sendo instruídos a adicionar tempo de jogo como uma solução aparentemente benéfica para os jogadores, mas que na verdade respondia a um problema comercial.

Essa estratégia começou a se consolidar a partir de Assassin’s Creed Origins, lançado em 2017, que marcou o início da era RPG na franquia. Ela foi aprofundada com Odyssey e Valhalla, que ofereceram mundos vastos, sistemas de progressão complexos e múltiplas opções de escolha. Embora esses jogos tenham sido bem recebidos por muitos jogadores, também afastaram quem preferia experiências mais lineares e furtivas, como as dos primeiros títulos.

O interessante é que a própria Ubisoft reconheceu esse apelo nostálgico ao lançar Assassin’s Creed Mirage, em 2023. O jogo foi pensado como um retorno às origens da série, com foco em furtividade, exploração urbana e missões mais contidas. Apesar disso, nem todos os fãs se sentiram plenamente atendidos.

As declarações de Hutchinson revelam como decisões de design muitas vezes são guiadas por necessidades de mercado. No caso de Assassin’s Creed, a transformação em RPG não foi apenas criativa, mas também estratégica. A ideia era aumentar o tempo de engajamento dos jogadores com o disco, adiando ao máximo a sua revenda e garantindo que a Ubisoft tivesse mais controle sobre a longevidade comercial de seus títulos.

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Daniel dos Reis

CEO

Fundador MeuPlayStation, Daniel dos Reis é formado em Ciência da Computação com mais de 15 anos de atuação em tecnologia e games. Especialista no ecossistema Sony, acompanha a marca desde o primeiro console, unindo visão técnica e análise crítica para liderar uma das maiores comunidades de PlayStation do Brasil.

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