Jogo
John's Carpenter Toxic Commando
John Carpenter’s Toxic Commando nasceu de uma ideia curiosa: misturar a logística pesada de um simulador como SnowRunner com o caos de hordas visto em World War Z. A partir dessa premissa improvável, a Saber Interactive construiu um FPS cooperativo focado em sobrevivência, explosões e decisões tomadas em meio ao caos. Com o gameplay estabelecido, o estúdio firmou parceria com o diretor de terror John Carpenter para criar a ambientação. No fim das contas, a colaboração funciona bem.
John Carpenter’s Toxic Commando tem uma premissa simples e bem executada. O jogo é divertido, fácil de aprender e oferece alto fator de rejogabilidade. Ele funciona para quem gosta de jogar sozinho, mas brilha de verdade quando três amigos entram na partida para enfrentar hordas de mortos-vivos. Ainda assim, consegue atender diferentes estilos de jogador.
A ideia inusitada acabou resultando em um bom shooter cooperativo. Toxic Commando entrega uma experiência sólida para quem procura um FPS focado em cooperação. O jogo não tenta reinventar a roda nem apresentar mecânicas revolucionárias. Ele simplesmente executa bem o que se propõe e oferece horas de diversão.
Inspirado em filmes como Um Enigma de Outro Mundo e Príncipe das Sombras, Toxic Commando abraça o clima das produções dos anos 80 e 90. A história é simples, mas cumpre seu papel. Um grupo de mercenários é contratado por um cientista para transportar uma carga importante. O problema é que o responsável pela missão também foi o líder de um experimento que devastou a Terra e libertou o chamado Deus do Lodo. A carga capaz de derrotar a criatura se perde, e agora os mercenários precisam trabalhar ao lado do cientista Leon para encontrar uma solução e salvar o mundo.
A campanha é estruturada em fases. Em cada operação, os jogadores precisam cumprir tarefas simples, como desativar sistemas de defesa para encontrar recursos raros, proteger cientistas durante pesquisas e transportar equipamentos até zonas de defesa, tudo isso enquanto enfrentam grandes hordas de mortos-vivos.

Vale deixar claro desde o início que a história não é o foco. Não espere grandes reviravoltas ou momentos dramáticos. O jogador dificilmente cria conexão com os mercenários ou se preocupa com o destino deles. Essa abordagem lembra bastante os filmes de ação dos anos 80 e 90, nos quais o importante era ver personagens exagerados explodindo tudo pelo caminho.
O problema não está exatamente na superficialidade da história. O incômodo aparece quando o jogo tenta dar profundidade a personagens que pouco importam para a experiência. Eles seguem estereótipos claros e, quando o roteiro tenta ir além disso, o resultado parece um pouco forçado. Assumir o tom exagerado desde o início talvez funcionasse melhor.

Um dos aspectos mais interessantes de Toxic Commando está na estrutura das fases. Cada estágio funciona como uma região aberta com pontos de interesse que podem ser explorados. O jogador pode buscar recursos e equipamentos para aumentar suas chances de sobrevivência ou seguir direto para o objetivo principal, assumindo o risco de enfrentar situações mais difíceis.
Esse formato permite que cada fase seja abordada de maneiras diferentes. Nos níveis Fácil e Normal, é possível avançar diretamente nos objetivos. A partir do modo Difícil, porém, a coleta de recursos se torna essencial. Os jogadores precisam avaliar se vale a pena explorar áreas perigosas para conseguir itens importantes ou economizar tempo e correr mais riscos.

Antes de cada missão, o jogador escolhe uma arma principal, uma secundária, itens utilizáveis e uma das classes disponíveis. Existem quatro classes, cada uma com habilidades sobrenaturais ativas e melhorias passivas que ajudam na sobrevivência. É possível se especializar em uma delas, mas também alternar entre classes para testar estratégias diferentes.
O jogo conta ainda com uma grande árvore de habilidades. Mesmo após concluir a campanha no modo Normal, não é possível liberar todas as melhorias. Nas dificuldades mais altas, as recompensas de experiência e recursos aumentam, mas os inimigos também ficam mais agressivos e as hordas se tornam muito mais intensas.

Durante as fases, o jogador precisa alcançar determinados pontos ou cumprir objetivos específicos para completar o estágio. Veículos com habilidades especiais podem ser encontrados durante a exploração e ajudam tanto no combate quanto na abertura de novos caminhos.
Também é possível coletar armas adicionais, itens de ressurreição e experiência para desbloquear novos perks. Cada fase termina com um momento de defesa, no qual os jogadores precisam ativar armadilhas e resistir a ondas massivas de inimigos.

Esses momentos são caóticos e divertidos, principalmente quando o time utiliza habilidades especiais e explosivos para eliminar as hordas. O gunplay funciona bem, com armas que têm peso e impacto satisfatórios, mas o combate não traz grandes variações ao longo da campanha.
O problema é que praticamente todas as fases seguem a mesma estrutura, o que gera uma sensação constante de repetição.
A variedade de inimigos também poderia ser maior. Existem zumbis comuns e versões mais brutais com comportamentos diferentes, mas a maioria aparece logo nas primeiras fases. Considerando que o jogo possui nove estágios com duração média de 40 a 50 minutos, a diversidade poderia ser melhor trabalhada.

A repetitividade acaba sendo o principal calcanhar de Aquiles de Toxic Commando. Se o jogador não estiver interessado em desbloquear todas as melhorias de armas ou skins de personagens, o incentivo para revisitar o jogo nas dificuldades mais altas diminui bastante.
Visualmente, Toxic Commando não impressiona tanto. Comparado a outros grandes lançamentos recentes, o jogo parece tecnicamente mais simples. Em alguns momentos, lembra produções da geração passada.
Mesmo assim, isso acaba não sendo um problema. Durante o gameplay, a atenção está totalmente voltada para as hordas de inimigos e para a ação intensa. A Saber Interactive conseguiu preencher os cenários com grande quantidade de criaturas, reforçando o clima apocalíptico.

A trilha sonora também merece destaque. Com participação direta de John Carpenter, as músicas utilizam sintetizadores e rock em momentos estratégicos. O resultado combina perfeitamente com a atmosfera de terror e ação, especialmente durante os combates mais intensos.
Toxic Commando mostra que nem sempre é preciso reinventar o gênero para criar uma experiência divertida. Quando o básico é bem executado, isso já pode ser suficiente.

A Saber Interactive acertou na ousada ideia de mesclar universos diferentes e, principalmente, em entregar aquilo que muitos jogadores procuram em um FPS cooperativo: diversão. Mesmo com uma história fraca e certa repetição nas missões, Toxic Commando compensa com combates intensos, boas opções de classes e momentos caóticos que funcionam muito bem em equipe.
O jogo oferece diferentes níveis de dificuldade, uma árvore de habilidades robusta e liberdade para experimentar estratégias variadas, especialmente quando jogado com amigos. É justamente nesse cenário que a experiência brilha e mostra todo o seu potencial.
Custando R$ 229,90 na PS Store, Toxic Commando apresenta um bom custo-benefício dentro do gênero, especialmente para quem busca um shooter cooperativo direto ao ponto e focado na ação. Ele não traz grandes inovações, mas entrega combates intensos e momentos caóticos que funcionam muito bem em equipe.
Para quem pretende jogar sozinho ou espera uma campanha mais variada e profunda, a repetitividade pode pesar com o tempo. Já para quem quer reunir amigos e simplesmente se divertir enfrentando hordas de zumbis, o jogo cumpre bem a proposta.
Veredito
79
Desenvolvedor
Saber Interactive
Consoles
PlayStation 5
Jogadores
1-4
Veredito
79
Jogo
John's Carpenter Toxic Commando