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Tony Hawk’s Pro Skater 1+2: vale a pena?

Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 é mais um grande trabalho de reconstrução do estúdio Vicarious Visions

por Daniel dos Reis
Tony Hawk's Pro Skater 1+2: vale a pena?

Era uma tarde de terça-feira de outubro de 2000. Eu havia ligado para minha mãe em seu trabalho, avisando que não iria ao curso de programação web – HTML – porque não estava me sentindo bem.

Tudo mentira.

Eu inventei essa história só para ficar em casa jogando Tony Hawk’s Pro Skater 2. Que jogo incrível, que jogabilidade, que trilha sonora! Era tudo tão mágico e divertido que uma mentirinha não faria nenhum mal.

Horas depois, minha mãe veio rapidamente do trabalho só para ver como eu estava, me flagrando jogando videogame. Tentei fingir algo, mas ela não deve ter acreditado, apesar de nunca ter me dito nada.

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Vacilei, mas por uma boa causa.

Agora, 20 anos depois, o jogo volta em uma espécie de remake. E acreditem, “same energy”. Bacana ver como o tempo não foi cruel com a jogabilidade de Tony Hawk’s – o que nos leva a constatar que ela era realmente incrível. Nada melhor melhor do que o tempo para provar, não é?

Voa, Tony

Os primeiros capítulos da série no PlayStation 1 se tornaram icônicos por uma série de qualidades: jogabilidade apurada, visuais bacanas, objetivos muito divertidos e desafiadores, personalizações e, claro, uma trilha sonora absolutamente incrível.

Tudo isso está de volta no PlayStation 4, com um bonito visual, cenários refeitos quase exatamente iguais, alguns detalhes diferentes (melhores) e adições de personagens, personalizações e multiplayer online.

Se você era fã dos jogos, é muito improvável não gostar deste, para não dizer impossível. O mais legal é que o jogo sobreviveu ao tempo como poucos. Funcionou nos anos 90 e continua tão bom quanto, ou até melhor.

Descer a rampa do Armazém pela primeira vez em Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 é como entrar num túnel do tempo. Enquanto o skatista acelera, você magicamente aparece em 1999/2000 fazendo grinds absurdos, adicionando manuais, saltando por gaps, continuando com manuais, vendo a pontuação subindo loucamente… E o som de Papa Roach complementando perfeitamente ao fundo.

Remake de nostalgia? Existe.

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Os skatistas estão em suas idades de hoje.

Mas não é só uma atualização de gráficos. A Vicarious Visions cuidou para que o pacote seja compreendido como sendo apenas um único jogo, não uma separação, como em Crash ou Spyro.

A transição de títulos é muito bem pensada, criando uma sensação de continuidade. A jogabilidade de THPS2 foi adotada como padrão em ambos, por exemplo. As personalizações são unificadas, inclusive os upgrades. O que você conseguiu de melhorias no primeiro é levado para o segundo.

Talvez o maior “problema” do jogo não seja ele mesmo, mas o próprio jogador. Os fãs rapidamente vão conseguir se lembrar de todos os segredos, atalhos, locais dos itens (letras, fichários, spays, tickets, fitas, etc) e com poucas horas todas as fases já estarão desbloqueadas.

Pensando nisso, os desenvolvedores adicionaram desafios extras aos montes (mais de 500), editor de parques e um ótimo online. Nele é possível competir de várias maneiras com outros skatistas.

Destaque para a modalidade onde você vai “pintando o cenário” conforme vai pontuando. Se você faz muitos pontos em um half, ele fica com sua cor e o desafiante tem de fazer mais pontos para tomar o lugar. Bem legal.

Claro, já há jogadores conseguindo pontuações de mais de 15 milhões em apenas uma sessão de jogo. Assustado? É possível! Exige muito treino, conhecimento da pista, manobras e saber emendar tudo com manuais.

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Modo online já conta com ótimos jogadores

Esta é a magia do online. Você pode não ser muito bom, mas basta acompanhar a “linha” adotada pelos melhores e tentar repetir as ideias e ir, aos poucos, criando sua própria trajetória.

Outras adições são mais sutis. Os desenvolvedores até colocaram algumas insinuações relacionadas à pandemia do Coronavírus. Na escola, por exemplo, há menções de que o local está vazio e todas as aulas estão sendo online em razão de um momento difícil.

Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 também traz novos skatistas, como a brasileira Letícia Bufoni, e novas canções, incluindo Confisco de Charlie Brown Jr. Só algumas poucas faixas ficaram de fora, talvez por conta de licenciamentos.

Mesmo assim, as novas são ótimas e vão na mesma linha das clássicas.

Tony Hawk’s Pro Skater 1+2

Até foi lançado um Tony Hawk’s HD em 2012, e se você jogou, esqueça. Ele está muito distante deste de 2020.

Quando rola a abertura com os nomes passando na tela ao som de Guerrilla Radio, você sabe que é algo para atingir em cheio aos fãs. E é isso mesmo. Um remake para resgatar a credibilidade da série após o desastroso jogo de 2015.

O novo THPS chega com tudo aquilo que fez bastante sucesso. Jogabilidade, trilha sonora, desafios, pistas divertidas e muito bem desenhadas e complementa com adições de personalização, opções online, sem microtransações (ainda), mais personagens e canções.

Fica devendo em algo? Talvez a ausência de todos personagens secretos (Alô, Homem-Aranha) ou mesmo a inclusão de Tony Hawk’s 3 e 4 possam ser consideradas, mas não pesam em nada.

O pacote é bem robusto por ter dezenas de ótimos desafios, possibilidades de customização e criação. Mas seu altíssimo fator de replay faz valer a pena. Novatos e experientes e vão se sentir bem servidos.

Quanto a mim, hoje Cientista da Computação e gestor do maior site de PlayStation das Américas, posso chegar para dona Maria e dizer que aquela fugidinha da escola em 2000 acabou se transformando em algo muito maior.

Veredito

Tony Hawk’s Pro Skater 1+2
Tony Hawk’s Pro Skater 1+2

Sistema: PlayStation 4

Desenvolvedor:

Jogadores: 1 - 2

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90 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Gráficos atualizados
  • Trilha sonora incrível
  • Jogabilidade divertidíssima
  • Pacote robusto
  • Nostalgia refeita
Desvantagens
  • Poderia ter todos personagens secretos