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Stray: vale a pena?

O jogo do gatinho surpreende ao apostar em um conceito diferente e muito bem executado

por Valdecir Emboava
Stray: vale a pena?

Apresentado de forma tímida em meio a grandes AAA do PS5, Stray pode ter passado batido por muitos olhos distraídos, afinal, a ocasião era um showcase da Sony para introduzir os títulos de nova geração.

Com uma proposta bem peculiar, o “jogo do gatinho” introduz os jogadores na aventura de um bichano que se perdeu da família e foi parar em um local misterioso onde existe um segredo milenar. Caso ainda não tenha visto nada sobre ele, confira o trailer:

Por apresentar uma proposta bem diferente, saindo um pouco da mesmice, criou-se um pouco de ceticismo em torno do projeto. Por sorte, ele é uma das boas surpresas de 2022.

O conceito é diferente e muito bem executado

Ao assistir o trailer de anúncio, ficou muito explícita a ideia de que Stray se tratava de um simulador de gatos — afinal, o gênero tem oferecido boas e variadas experiências. Apesar de ser isso, em partes, é algo muito mais além.

Stray
(FONTE: reprodução)

Não entenda errado. Você constantemente fará coisas de gato, como ronronar, miar, arranhar tapetes, pular de muro em muro e muito mais. Mas essas atividades de bichano são apenas maquiagem para um plano de fundo muito envolvente — e que pode te surpreender, no fim das contas.

Um gato como o ponto central da trama causa estranheza, afinal, o que teria de interessante nisso tudo? E é aí que o jogo te fisga.

A história de Stray é surpreendentemente envolvente

O universo de Stray é algo diferente e tem toda uma trama muito bem desenvolvida por trás. O jogo é ambientado centenas de anos à frente, em um futuro distópico onde robôs e inteligências artificiais conscientes vivem em uma espécie de cidade futurista cheia de problemas sociais.

Vivendo a vida boa com seus irmãos e irmãs fora dessa realidade, o gatinho vai parar no lugar misterioso e acaba se envolvendo com um pequeno drone chamado B-12. Além de um amigo muito fiel, ele ajuda o bichano a se comunicar com os estranhos habitantes de lá.

Esses robôs se comunicam em uma língua muito diferente, e como o gatinho só sabe miar, chega a ser engraçado a forma como eles resmungam entre si enquanto o B-12 fica na tela traduzindo tudo o que está acontecendo. É muito simples, não há dublagem alguma, mas funciona que é uma beleza.

Em suma, para não dar spoilers sobre a história, esse local onde os robôs vivem é segregado em camadas sociais. Enquanto os moradores da Favela vivem de forma precária e limitada, os do Centro da Cidade são mais “livres”, mas ainda assim sofrem opressão de uma mega corporação.

Também existem os Zurks, elementos orgânicos que devoram qualquer coisa pela frente, inclusive metal. Esses bichinhos irritantes ficam entre as conexões das cidades e é basicamente por conta deles que a sociedade é repartida.

O conceito é basicamente esse: a história de Stray é sobre um gatinho salvador da pátria em um mundo sem esperanças. Adicione à trama reviravoltas de explodir a cabeça, intrigas e muita fofura. Pronto. Uma aventura única acaba de ser criada.

Os robôs vivem ali há centenas de anos como sociedade e é muito doido a ideia de que o único ser vivo que poderia mudar tudo para sempre é um pequeno gatinho. Isso explica o porquê do protagonista ser uma bolinha de pelos tão charmosa.

Game design é simples, mas cumpre seu papel

Não espere por mecânicas complexas de gameplay em Stray. As únicas coisas que você poderá fazer aqui é pular de muro em muro, arranhar tapetes, miar, dormir e receber o afeto dos robôs. Ponto.

Mas isso não significa que o título não te proporcione desafios à altura. O bichano constantemente deverá realizar uma série de puzzles muito bem pensados e outras tarefas simples para atingir seus objetivos. B-12 passará a jornada te auxiliando, contando histórias sobre o lugar, ajudando a destrancar portas, carregando itens e muito mais.

Esse universo tem um conceito de mundo semi-aberto bem interessante, pois ele parece gigante, mas não é — afinal, estamos falando sobre a perspectiva de um gato. Mesmo dando essa impressão, o jogo sempre te dará dicas sutis para onde ir e te fará explorar cada beco para resolver os problemas.

É possível interagir com a maioria dos robôs e eles te ajudarão com o necessário, desde que não “os coma”. Essa situação é um pouco cômica, mas é completamente plausível. Eles ficaram centenas de anos sem ver um organismo vivo e é óbvio que terão medo. Mas como você é um gatinho, está tudo bem — amá-los parece ser um conceito universal.

Stray: vale a pena?

Ao lado de SIFU, Stray é uma das boas surpresas de 2022. É uma aventura cativante com um conceito bastante diferente que te oferece muito “quentinho” no coração. Há poucas ressalvas, como a física um tanto bugada de alguns objetos e travamentos em cantos específicos — mas esses problemas passam longe de prejudicar a experiência.

O jogador constantemente se surpreenderá ao explorar a cidade futurista, onde conhecerá “pessoas” com diferentes hábitos e costumes. É um universo realmente fascinante que prende a sua atenção do início ao fim.

As limitações do gameplay são totalmente compreensíveis. O foco de Stray é que o jogador faça coisas de gato, mas ele te entrega muito mais. O estilo de arte também torna os cenários do jogo muito peculiares — seja na Favela, no Centro da Cidade ou em qualquer outro lugar.

Apesar de o suporte ao DualSense ser um pouco limitado e não haver modo foto, todo o conjunto da obra, alinhado aos gráficos em 4K e taxa de quadros consistente, torna a experiência uma ótima pedida.

Se você assina o plano Extra/Deluxe do novo PS Plus, melhor ainda: Stray chegará ao catálogo no dia 19 de julho sem nenhum custo adicional aos membros do serviço. Então não há desculpas para não aproveitar o “jogo do gatinho”!

Veredito

Stray
Stray

Sistema: PlayStation 4 | PlayStation 5

Desenvolvedor: Annapurna Interactive

Jogadores: 1

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88 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Conceito diferente e muito bem executado
  • Game design simples, mas que cumpre muito bem o seu papel
  • História que te prende do início ao fim
  • Visual charmoso e único em cada um dos cenários disponíveis
  • O protagonista é um gato
  • Localização em PT-BR
Desvantagens
  • Pequenos bugs na física de alguns objetos
  • A Aventura poderia ser um pouco maior
  • Modo foto fez MUITA falta no jogo
Valdecir Emboava
Valdecir Emboava
Jornalista
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Jogando agora: Stray
Jornalista de games desde 2017. Amo uma boa experiência, independente do gênero.