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Diablo II Resurrected: vale a pena?

Diversos problemas técnicos ofuscam o brilho da celebração do game

por Raphael Batista
Diablo II Resurrected: vale a pena?

Lançado em 2000, Diablo II é considerado como um dos melhores RPGs de todos os tempos. A história, gameplay e universo apresentam uma experiência memorável e nada mais justo do que “ressuscitar” o título em uma versão com gráficos e taxa de quadros melhorados, além de todos os seus conteúdos adicionais. Em Diablo II Resurrected, os jogadores são desafiados a embarcar numa imersiva aventura role playing.

Contudo, o que era para ser uma comemoração, torna-se um pesadelo em razão dos diversos problemas técnicos. Suas boas características de combate clássico e exploração são facilmente ofuscadas, o que faz a Blizzard perder uma boa oportunidade de fazer as pazes com os fãs.

Diablo II Resurrected relembra a bela história original

A história do game dá continuidade aos eventos finais do primeiro título. O Diablo, Lorde do Terror, foi contido no corpo de um herói desconhecido, mas o Senhor das Trevas começou a corromper seu receptáculo. O herói tentou se controlar, mas ficou insano e trazia involuntariamente hordas de criaturas demoníacas por onde passava.

Um novo salvador desconhecido surge — controlado pelo jogador — para destruir Diablo de uma vez por todas e lidar com a manifestação de monstros. É nesse game que a lore é expandida, ao apresentar seres como Baal, Mefisto e antagonistas do submundo ainda mais poderosos.

Esteja preparado para muitos monstros variados

É necessário parabenizar a Blizzard pelo excelente trabalho de localização. Além dos textos em PT-BR, todas as cutscenes e vozes dos NPCs estão dubladas. É uma produção primorosa que dá muito valor ao enredo, se tornando cada vez mais envolvente pela pegada sombria.

Quem não jogou o primeiro game, não ficará muito perdido. Há poucas referências diretas aos eventos antepassados e todo o arco de Diablo II é completo por si só. No entanto, faltou o cuidado especial de oferecer um grande resumo, afinal já faz mais de 20 anos desde o lançamento dos títulos originais da série, e o público gamer é bem diferente daquela época.

Tudo está localizado e com vozes únicas para cada NPC.

A sequência também conta com uma maior variedade de monstros e classes. As builds e habilidades de um Bárbaro são bem diferentes de um Mago, e os desafios variam para cada personagem. Além disso, cada um dos cinco Atos possuem cenários únicos, que auxiliam no ritmo e transição dos momentos do jogo.

RPG com R de raiz

Parece proposital a falta de um background em Diablo II Resurrected, pois a Blizzard sequer adicionou tutoriais básicos ao game. Assim como no título original, essa nova versão não pega o jogador pelas mãos. Tudo depende apenas das ações do protagonista. Pegou uma joia e não sabe como utilizá-la? Descubra. Quer saber onde conversar com um NPC? Explore.

Essa “dificuldade natural” é divertida e força o jogador a procurar pelas respostas. Não é muito complicado se habituar aos comandos, até porque todos são bastante simples, mas é necessário sempre farmar por itens novos, descobrir outras habilidades e procurar pela build correta. Este não é um jogo de aventura, portanto, o personagem não pode ser o mesmo do início ao fim.

Para os mais ousados, ainda há a possibilidade de experimentar o Modo Hardcore, que impede o personagem de reviver caso leve dano fatal. São tentativas perigosas e recomendadas para os experientes na arte de expurgar os demônios.

Raiz até mesmo na organização de itens.

O combate é mais estratégico, mas tem os elementos de tempo real embutidos. Por exemplo, é possível esquivar-se dos disparos inimigos ao mover o personagem para o lado certo. No entanto, os ataques são como jogos de tabuleiro: aproxime-se do alvo e “gire o dado” — ou aperte só o botão — e aí há a chance de acertá-lo ou de errar o golpe.

Em razão dessa estrutura mais clássica, o jogador é limitado aos modos offline ou online. Criar um personagem em um deles impede de transferi-lo para o outro. Um Paladino desconectado dos servidores da Blizzard não pode dividir ou participar do mesmo gameplay de um Necromante criado no online.

Escolha sabiamente! Os personagens não podem alternar para o outro modo.

Que inferno!

Infelizmente, os problemas técnicos de Diablo II Resurrected ofuscam os pontos positivos. A análise foi feita no PlayStation 5, mas seguintes críticas também foram encontradas no PC e Xbox.

Quanto à adaptação do clássico para os consoles de mesa, há uma grande falta de recursos importantes nas configurações do jogo. Não é possível modificar o zoom da câmera, não há suporte ao mouse e teclado, o chat não funciona e os lobbies personalizados estão ausentes — opções todas disponíveis no PC.

O game poderia contar com mais opções de visualizações e melhorias no sistema online.

Outra situação que agrava a experiência são os constantes crashes. É muito comum o jogo travar e fechar sozinho. A situação fica ainda pior quando volta para o game e o jogador se depara com o progresso perdido. No modo offline, a evolução inteira do personagem é descartada — aconteceu duas vezes durante o período da análise — e, no caso do modo online, o mapa reseta e obriga o jogador a matar os mesmos monstros e a procurar o novo caminho.

Ainda há problemas de lag devido à instabilidade dos servidores. As criaturas estão o tempo todo se “teletransportando” de um ponto para outro sem nenhuma explicação ou o personagem voltando ao local de origem.

Crashes interrompem frequentemente a jogatina
Crashes interrompem frequentemente a jogatina

Todos esses problemas trazem uma grande sensação de frustração pelo tempo investido que não retorna mais. Diablo II Resurrected já está disponível há uma semana e, até então, a Blizzard não estipulou uma previsão para atualizações de correções. A companhia promoveu algumas manutenções nos servers, mas os defeitos ainda persistem. Provavelmente isso será corrigido futuramente, mas prejudica a imagem da desenvolvedora pelo tratamento sobre uma de suas maiores franquias.

Diablo II Resurrected: vale a pena?

No atual momento, a Blizzard tem muito trabalho para fazer. Os problemas que impedem a progressão e até congelam os personagens são críticos. O game, que por si só possui muita qualidade, fica manchado devido ao mau desempenho técnico.

Embora esteja mais barato que muitos AAA, Diablo II Resurrected está disponível na PS Store por R$ 200,00 e pode decepcionar os jogadores dos consoles. Eles se divertirão quando enfrentarem os demônios ou explorarem as dungeons, mas a frustração é garantida.

Vale a pena esperar até os servidores ficarem estáveis e não houver mais problemas de perda de progresso. Por enquanto, o melhor é apenas torcer para esse diabo ser exorcizado.

Veredito

Diablo II Resurrected
Diablo II Resurrected

Sistema: PlayStation 4 | PlayStation 5

Desenvolvedor: Blizzard

Jogadores: 1

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65 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Boa história
  • RPG clássico e desafiador
  • Dublagem PT-BR de alto nível
Desvantagens
  • Falta de opções importantes que estão no PC
  • Servidores no modo online inconstantes
  • Crashes que impedem ou zeram o progresso
  • DualSense sem nenhum recurso
  • Nenhum tutorial ou ambientação para novatos
Raphael Batista
Raphael Batista
Publicações: 6.220
Jogando agora: Diablo II Resurrected | F.I.S.T. | Tales of Arise
Estudante de Teologia e apaixonado por PlayStation desde sempre. Jogos preferidos são The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel's Spider-Man.