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Dandy Ace: vale a pena?

Com um inteligente sistema de cartas, esse roguelike do estúdio brasileiro Mad Mimic pode te surpreender

por Valdecir Emboava
Dandy Ace: vale a pena?

O gênero roguelike tem sido muito bem explorado nesses últimos tempos, com games que vem dando o que falar por conta de desafios complexos. Nomes como Returnal, Hades e Deathloop são as maiores provas dessa exaltação. No páreo, Dandy Ace, uma aventura produzida pelo estúdio brasileiro Mad Mimic, também bebe dessa fonte e surpreende ao trazer mecânicas sólidas e inteligentes de gameplay.

Aqui, os jogadores assumem o papel do protagonista Dandy Ace, um mágico talentoso que foi aprisionado no universo de um espelho mágico. Com alguns truques na manga, ele precisará derrotar um número incontável de inimigos para sobreviver aos desafios e acabar com o Ilusionista dos Olhos Verdes, Lele, seu arqui-inimigo.

O roguelike é um dos gêneros mais ingratos, pois sua enganosa simplicidade pode abrir caminho para uma jogatina realmente difícil e exaustiva. Dandy Ace não escapa muito disso, mas traz um sistema variado de poderes, que são bastante fáceis de pegar com o tempo.

Roguelike honesto

Durante o percurso da jogatina, os jogadores estarão limitados à visão isométrica em 2D, com muitos combates desafiadores, mas justos. Criaturas bizarras e quatro chefes serão os obstáculos aqui. Como todo bom roguelike, morrer reseta a rodada, aí é necessário recomeçar com uma combinação diferente de cartas aleatórias.

Cada vez que uma fase é concluída, o jogador vai para uma espécie de “purgatório”, onde é possível comprar itens dos mais variados — com buffs e mobilidade, redução de dano inimigo, etc. Esse é mais um ponto positivo, pois além da variedade de cartas, também existem esses itens para dar uma apimentada a mais no gameplay.

Os oponentes vêm em uma variedade pequena e ataques distintos. A dica valiosa aqui é registrar com atenção cada padrão para conseguir completar as runs. É realmente muito divertido superar os desafios nesse universo, mas Dandy Ace também não é perfeito.

A aventura é refém de um grande problema do gênero roguelike: a repetitividade. O progresso é desgastante às vezes. Enfrentar ondas e mais ondas dos mesmos inimigos é um pouco massante e demanda paciência.

Chefões de Dandy Ace
(FONTE: reprodução/Marcos Kenji Uchima)

Por outro lado, as batalhas contra chefes oferecem mudanças no ritmo de jogo, pois trazem uma nova variedade de ataques, além de dar aquela diversificada necessária — mas continua demandando ainda mais paciência.

O simples que funciona muito bem

O design um tanto infantil e a temática um pouco “boba” camuflam o verdadeiro destaque de Dandy Ace: seu inteligente e sólido gameplay. O sistema de cartas adotado pela Mad Mimic proporciona um leque com mais de 1.000 combinações. Isso, por si só, abre espaço para uma infinidade de combos dos mais variados.

Durante o percurso, os jogadores poderão usar quatro cartas principais, cada qual com uma habilidade diferente, e quatro secundárias, que dão efeitos sobre as principais. Elas estão divididas em três cores: azul, roxa e dourada.

As cartas azuis funcionam como movimentos de deslocamento ou evasão, sendo as melhores opções para mobilidade. As roxas servem para ataques primários de curta duração entre os usos. Por último, as douradas têm ataques mais pesados ​​e poderosos, que tendem durar mais entre os usos — mas causam muito dano, principalmente em área.

A qualquer momento, é possível trocá-las por outras a partir de drops ou compras — algo bem-parecido com Dead Cells. Embora o sistema de cartas seja muito simples, também é surpreendentemente profundo, oferecendo centenas de combinações diferentes e exclusivas, consequentemente proporcionando situações das mais distintas possíveis. Ponto para a Mad Mimic.

Dandy Ace: vale a pena?

Sem muitas delongas, Dandy Ace vale muito a pena. É um jogo extremamente divertido e desafiador na medida certa, que oferece um sistema justo de gameplay até para os jogadores não tão habituados com roguelikes. Outro ponto bastante positivo do game é o preço na PS Store: R$ 48,50. Por esse valor, a aventura realmente vale o seu tempo.

Ah, e também vale lembrar que o game foi dublado por um elenco de criadores e youtubers brasileiros, como Eduardo “BRKsEDU” Benvenuti, João Paulo “Patife” Pereira, Luis “Ljoga” Gouveia, Gabriela “Gabi” Catuzzo, Maethe “Maethe” Lima, Vinicius “Vinie” Mattos e Camila “Kalera” Vieira.

Curtiu a análise de Dandy Ace, caro leitor? Já teve a oportunidade de jogá-lo? Comente na sessão abaixo!

Veredito

Dandy Ace
Dandy Ace

Sistema: PlayStation 4

Desenvolvedor: Mad Mimic

Jogadores: 1

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80 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Gameplay sólido de um bom roguelike
  • Ótimo sistema de cartas, com mais de 1.000 variações
  • Arte divertida e com cores vibrantes
  • Variedade inteligente de combos
  • Acessível para novatos e um deleite para veteranos
Desvantagens
  • A dublagem pode ser um pouco irritante depois de um tempo
  • Em comparação à ação, a história não oferece a mesma qualidade
  • O mal de todo roguelike: a repetitividade excessiva
Valdecir Emboava
Valdecir Emboava
Redator
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Jogando agora: Life is Strange 2