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Hideo Kojima revela como uma entrevista inesperada o fez mudar de rumo
Quem vê Hideo Kojima como uma das mentes mais criativas dos videogames talvez não imagine que tudo poderia ter sido bem diferente. Em um ensaio publicado na revista japonesa An An, o criador de Metal Gear e fundador da Kojima Productions contou que quase seguiu outro rumo e só não o fez graças a uma entrevista de emprego onde decidiu ser totalmente honesto.
Durante sua juventude, nos anos 1980, Kojima tentou se encaixar nos moldes tradicionais do mercado. Formado por uma universidade considerada de “segundo nível” no Japão, sem experiência internacional ou esportiva, ele enfrentava dificuldades nas entrevistas. Chegou a esconder sua verdadeira ambição, seguir uma carreira criativa, só para se adequar ao que as empresas esperavam.
Ele descreve a busca por emprego como um processo onde candidatos e entrevistadores costumam mentir para atender a expectativas institucionais. É um lugar onde as mentiras se encontram, resume.
Foi durante uma entrevista com uma empresa de equipamentos médicos que tudo mudou. Em vez de repetir frases prontas, Kojima resolveu contar a verdade: queria trabalhar com algo criativo. Para sua surpresa, o diretor de RH não apenas aceitou sua sinceridade como o incentivou a buscar oportunidades na indústria de brinquedos e videogames. Esse momento se tornou o ponto de virada.

A partir daí, ele deixou de esconder seus interesses e passou a mostrar seus projetos e ideias originais. Pouco tempo depois, foi chamado para uma entrevista na Konami, em Kobe. Mesmo tendo que passar por mais de cinco entrevistas e até fazer um teste de desenho, Kojima foi contratado para uma vaga de planejamento. Era 1986 e começava ali uma trajetória que mudaria a história dos games.
Na Konami, Kojima deu vida a Metal Gear, jogo que viria a se tornar uma das franquias mais emblemáticas da indústria. Mais tarde, com a fundação da Kojima Productions, ele também criaria títulos como Death Stranding e Death Stranding 2, sempre apostando em experiências ousadas e narrativas fora do comum.
Segundo ele, a lição daquela época continua viva. Hoje, ao conduzir entrevistas em sua própria empresa, valoriza a honestidade e tenta aconselhar jovens da mesma forma que aquele gerente fez por ele décadas atrás.
Eu também ouço as mentiras dos candidatos, disse, mas tento ser sincero e dar conselhos úteis. Como fez aquele homem cujo nome nem me lembro, mas que mudou minha vida.
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