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A carta é uma resposta direta às declarações de Frances Townsend, executiva do alto escalão da empresa que descredibilizou as acusações
Mais de mil funcionários e ex-funcionários da Activision Blizzard assinaram uma carta a respeito da resposta de seus chefes ao recente processo pelo estado da Califórnia, que acusa a empresa de promover um ambiente hostil para mulheres há anos.
A carta é uma resposta direta às declarações de Frances Townsend, ex-consultora de Segurança Interna do ex-presidente George W. Bush, que agora é executiva do alto escalão da empresa há menos de um ano.
Quando o processo veio à tona na semana passada, Townsend descreveu sua própria experiência positiva como uma mulher dentro da empresa, considerando as alegações no processo como “apressado”, “distorcido” e “falso” — consequentemente, descredibilizando os relatos graves de assédio na Activision Blizzard.

Conforme relatado pelo Bloomberg, os signatários consideram as declarações da empresa “repulsivas e insultuosas para tudo o que acreditamos que nossa empresa deveria representar”. Além de um pedido de renúncia, a carta também pede o reconhecimento, a “seriedade” das acusações e “demonstre compaixão pelas vítimas de assédio e agressão”.
Leia abaixo na íntegra a carta com as mais de 1.000 assinaturas:
Para os líderes da Activision Blizzard,
Nós, abaixo assinados, concordamos que as declarações da Activision Blizzard, Inc. e seu consultor jurídico sobre o processo DFEH, bem como a declaração interna subsequente de Frances Townsend, são abomináveis e insultuosas para tudo o que acreditamos que nossa empresa deveria representar. Para colocá-lo de forma clara e inequívoca, nossos valores como funcionários não são refletidos com precisão nas palavras e ações de nossa liderança.
Acreditamos que essas declarações prejudicaram nossa busca contínua por igualdade dentro e fora de nosso setor. Categorizar as alegações feitas como “distorcidas e, em muitos casos, falsas” cria uma atmosfera empresarial que descrê as vítimas. Também lança dúvidas sobre a capacidade de nossas organizações de responsabilizar os agressores por suas ações e de promover um ambiente seguro para que as vítimas se manifestem no futuro. Essas declarações deixam claro que nossa liderança não está colocando nossos valores em primeiro lugar. Correções imediatas são necessárias do mais alto nível de nossa organização.
Os executivos de nossa empresa alegaram que ações serão tomadas para nos proteger, mas em face das ações legais — e das respostas oficiais preocupantes que se seguiram — não confiamos mais que nossos líderes colocarão a segurança dos funcionários acima de seus próprios interesses. Afirmar que este é um “processo verdadeiramente sem mérito e irresponsável”, ao mesmo tempo que ver tantos funcionários atuais e ex-funcionários falarem sobre suas próprias experiências em relação a assédio e abuso, é simplesmente inaceitável.
Solicitamos declarações oficiais que reconheçam a seriedade dessas alegações e demonstrem compaixão pelas vítimas de assédio e agressão. Pedimos a Frances Townsend que cumpra sua palavra de renunciar como patrocinadora executiva da Rede de Mulheres Funcionárias da ABK como resultado da natureza prejudicial de sua declaração. Apelamos à equipe de liderança executiva para trabalhar conosco em esforços novos e significativos que garantam que os funcionários — assim como nossa comunidade — tenham um lugar seguro para falar e se apresentar.
Apoiamos todos os nossos amigos, companheiros de equipe e colegas, bem como os membros de nossa comunidade dedicada, que sofreram maus-tratos ou assédio de qualquer tipo. Não seremos silenciados, não ficaremos de lado e não desistiremos até que a empresa que amamos seja um local de trabalho do qual todos possamos nos sentir orgulhosos de fazer parte novamente. Nós seremos a mudança.

Por fim, a carta pedia à equipe de liderança executiva que trabalhasse com o time da empresa em maneiras de tornar a Activision Blizzard um “lugar seguro para se manifestar e se apresentar”.
Na última quinta-feira (22), uma agência governamental da Califórnia (DFEH) processou a Activision Blizzard pela prática do “frat boy” (menino de fraternidade, em tradução livre), nome usado para classificar comportamento tóxico de empregados do sexo masculino no ambiente de trabalho.
O termo está atrelado à discriminação de gênero e ao constrangimento envolvendo diversas funcionárias do sexo feminino em situações de “assédio sexual constante”. A reportagem original foi publicada pela Bloomberg Law e os relatos são chocantes. Veja aqui os detalhes do caso!
Fonte: PlayStation LifeStyle
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