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Padre Gascoigne: a trágica história do chefão de Bloodborne

Primeiro chefe obrigatório de Bloodborne é marcado por uma história triste e profunda

por André Custodio
Padre Gascoigne: a trágica história do chefão de Bloodborne

Em Bloodborne, poucos encontros capturam a essência cruel de Yharnam como Padre Gascoigne, o primeiro grande obstáculo obrigatório no caminho do Caçador. Porém, mais do que um simples chefão, ele é um personagem marcado por uma trágica história.

O licantropo é uma figura cuja história reflete os temas centrais do jogo: a corrupção do sangue, a perda da humanidade e o peso de um destino inevitável. Mas quem foi esse homem antes de se tornar a fera que enfrentamos na Tumba de Oedon?

Um padre de uma terra estrangeira

Padre Gascoigne não nasceu em Yharnam. A descrição de sua vestimenta em Bloodborne revela que ele era um clérigo em uma terra distante, onde o título de padre era comum entre sacerdotes — algo que a Igreja da Cura de Yharnam não adotava.

Especula-se que Gascoigne tenha vindo à cidade em busca da lendária ministração de sangue, talvez para curar uma doença ou cumprir um dever religioso. Ele não era um nativo, mas um forasteiro que chegou com esperança, carregando uma fé que logo seria testada.

Ao chegar, ele encontrou um novo propósito como caçador da Igreja da Cura, uma organização que combatia a praga bestial que assolava Yharnam. Ele se juntou a Henryk, um caçador mais velho, formando uma dupla eficiente e quase imparável.

Henryk, conhecido por sua vida “tragicamente longa”, provavelmente foi mentor de Gascoigne, ensinando-o a manejar o Machado de Caçador e a Pistola de Caçador — armas que ele usa com maestria em Bloodborne.

A família perdida

Gascoigne não veio sozinho. Ele trouxe uma esposa, Viola, e ao menos uma filha. A jovem garota encontrada em Central Yharnam, perto do viaduto, pede ao Caçador para encontrar sua mãe, que saiu em busca do pai com um broche vermelho.

Ela entrega a Pequena Caixa de Música, um item que Viola tocava para Gascoigne quando ele “esquecia quem era”; um sinal precoce de que o sangue já corroía sua mente. A música era um lembrete de sua família, um fio frágil que o conectava à humanidade.

Bloodborne
Fonte: Reprodução

Mas essa conexão não resistiu. A praga bestial, alimentada pela ministração de sangue da Igreja, transformou Gascoigne aos poucos. Sua roupa, se impregnou de um “cheiro bestial pungente”, e a transformação começou muito antes de seu confronto final.

Seja pelo sangue que ele caçava ou pelo que consumia como cura, o padre estava condenado.

A noite do cataclismo

A tragédia atinge seu ápice na noite em que enfrentamos Gascoigne em Bloodborne. Viola, preocupada com o marido, saiu para encontrá-lo, mas esqueceu a Pequena Caixa de Música. Sem o som familiar, Gascoigne, já perdido na sede de sangue, não a reconheceu.

O corpo de uma mulher com um broche vermelho jaz no topo da Tumba de Oedon — é quase certo que Viola morreu pelas mãos do próprio marido. O Caçador o encontra cortando cadáveres, um eco de sua antiga missão agora distorcida em insanidade.

Gascoigne
Fonte: Reprodução

Em Bloodborne, a luta tem três fases. Primeiro, Gascoigne nos enfrenta como caçador, com ataques ágeis e disparos precisos de sua pistola, uma versão modificada que funciona como um Blunderbuss.

Na segunda fase, ele transforma o machado em duas mãos, mostrando força bruta. Por fim, com a saúde baixa ou após o uso excessivo da caixa de música, ele se torna uma besta selvagem — maior, mais rápido e com garras que destroem túmulos.

Bloodborne
Fonte: Reprodução

Se você ouvir com atenção ao derrotá-lo, um grito abafado de “perdoe-me” escapa, talvez um último lampejo de lucidez enquanto ele percebe o monstro em que se transformou.

O legado de Gascoigne em Bloodborne

A morte de Gascoigne abre a Tumba de Oedon e concede a chave do local, permitindo acesso ao Bairro da Catedral. Mas seu impacto vai além disso.

A Pequena Caixa de Música é uma ferramenta contra ele, atordoando-o ao lembrar sua família perdida, e Henryk, seu antigo parceiro, pode ser enfrentado mais tarde na quest de Eileen, a Corvo, mostrando como a praga afetou até mesmo os mais resilientes.

A jovem garota, se enviada ao Refúgio de Oedon, encontra um fim trágico com o Javali Devorador de Homens, ou vira um minion celestial na Clínica de Iosefka — não há final feliz para essa família.

Gascoigne é mais que um chefão inicial; ele é um aviso. Em Bloodborne, os caçadores são tão vulneráveis à praga quanto suas presas, e sua história reflete o ciclo de esperança, corrupção e ruína que define Yharnam.

Ele veio como padre, tornou-se caçador e caiu como fera, deixando um legado de tristeza que ressoa pelos becos da cidade. Sua asa nunca voou, mas seu peso ainda marca os fãs do game.

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