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Trials of Mana
Trials of Mana

Trials of Mana: vale a pena?

As séries Final Fantasy e Mana tem muitas coisas em comum. Ambas são RPGs, praticamente todos os jogos são independentes – não contam com conexões narrativas diretas – e possuem boas histórias. Curiosamente, dois grandes clássicos ganharam releituras neste mês de abril. E, novamente, as fantasias caminham lado a lado. As duas são ótimas.

Após lançar Final Fantasy VII Remake, a Square Enix também trouxe uma versão repaginada de Trials of Mana. O jogo original foi lançado em 1995 para o SNES e era conhecido no Japão como Seiken Densetsu 3. O gameplay action-RPG pixelado e com visão aérea era um bom atrativo para a época, e agora o estilo foi atualizado sem deixar a essência para trás.

É possível encontrar boas semelhanças entre o game de 1995 e este remake. A história dos personagens segue a mesma premissa, jogabilidade continua focada na ação e se apropriam de elementos estratégicos. No entanto, a Square Enix não se acomodou e criou um novo conteúdo, dando – mais um – exemplo de como se deve fazer uma recriação.

Déjà vu

A Square Enix decidiu em “reprisar” Trials of Mana. Ou seja, muitas das coisas vistas no original estão no “novo”. A diferença está no visual mais próximo das tecnologias atuais. Os gráficos não estão no nível de Final Fantasy VII Remake, já que a ideia é ter algo mais desenhado, mas mesmo assim, em certos momentos é possível se encantar com o colorido das paisagens.

A história de Trials of Mana é, como os títulos da saga, uma aventura de heróis em jornadas pessoais que resultam num escopo muito maior. O jogador pode escolher três personagens no início da aventura (de um total de seis) para formar a party. Cada herói conta com uma história única com proporções maiores.

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Escolha seus personagens livremente!

É interessante como as histórias se conectam (mesmo tratando de reinos e personagens diferentes). O mais legal é que, dependendo de quem for o personagem principal e da formação, a narrativa muda drasticamente, oferecendo visões exclusivas dos heróis. No entanto, não espere por cenários inéditos.

Enquanto cada personagem tem um enredo único, por outro lado, o geral é o mesmo e recheado de clichês. Os dilemas individuais levam ao embaraço maior: vilões querem usar as Pedras Mana para absorver seu poder, erguer a Espada de Mana e dominar a terra. O mundo perde a magia (ou a vida) conforme há essa absorção das Pedras. E cabe aos protagonistas a missão de impedir a destruição.

É a típica história de herói versus vilão. As reviravoltas são bem óbvias (pelo menos na história de Duran, Angela e Charlotte) e os momentos de surpresa são “OK”. Ainda sim, o desfecho aquece o coração dos fãs. Como todo bom clichê, o bem vence o mal e os personagens superam seus problemas com muitas lágrimas e gritos ao céu.

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Outra “repetição” no remake de Trials of Mana é o mapa. Quem experimentou o original terá muita familiaridade com os cenários e com os inimigos. Não é preciso relembrar que os visuais mudaram, mas o design em si das regiões permanece o mesmo.

Os jogadores viajarão por áreas selvagens, lugares de gelo, um território rodeado por lava e muitos outros pontos. São locais já vistos no game de 1995 que reaparecem neste e trazem uma sensação de nostalgia.

O mesmo vale para os inimigos. Não há muita variação durante o gameplay. Eles ficam mais fortes dependendo da progressão, mas chega um momento onde a rotação chega ao fim, ficando só uma diferença de cores entre as criaturas.

Square Enix, brilha

Embora o núcleo principal de Trials of Mana tenha sido resgatado sem maiores alterações, também é evidente as mudanças propostas pelos desenvolvedores. Começando pela jogabilidade, o estilo 2D foi deixado de lado para uma ótima perspectiva em três dimensões.

O jogo é um action-RPG, ou seja, os jogadores controlam os personagens em um combate em tempo real. É um estilo bastante parecido com novo FFVII. É possível alternar entre os membros da party, executar movimentos especiais, aplicar magias, usar itens, realizar ataques básicos e esquivar.

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O combate é simples e divertido!

O 3D favorece bastante nos combates, traz mais diversão e protagonismo. No entanto, o próprio gênero carrega problemas inerentes do estilo como, por exemplo, dificuldade de posicionar a câmera em um ponto favorável em algumas situações com inimigos maiores.

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Tem horas que resta apenas torcer estar acertando o alvo.

Apesar dos pesares, os combates seguem um ótimo padrão de qualidade. É um pouco repetitivo e, às vezes, torna-se desnecessário, mas os confrontos contra os chefões são muito divertidos e vale a pena passar pelos inimigos mais fracos até chegar no grande desafio. Destaque para o capítulo cinco, com uma sucessão de batalhas incríveis.

Um dos detalhes mais legais do gameplay de Trials of Mana é o elemento estratégico. É possível configurar o comportamento dos membros da party na hora dos combates. Atribuir funções de suporte ou ofensivos, ajustar a frequência de magias e habilidades especiais. As opções não são profundas, mas o suficiente para personalizar de um modo satisfatório.

E, por fim, há uma grande surpresa. A campanha de seis capítulos possui em torno de 20 a 25 horas no modo normal. No entanto, a Square Enix adicionou um belo endgame. Sem spoilers, mas envolve personagens conhecidos da trama e classes exclusivas, dando uma vibe de novidade ao jogo e atribuindo mais horas para serem investidas.

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O mapa é digno de muita exploração e propício para encontrar os poucos colecionáveis.

Trilha sonora e visuais dignos

A trilha sonora do original Trials of Mana já era divertida. Cada cenário contava com temas específicos que embalavam o ritmo de action-RPG. O remake não ficou para trás e conseguiu melhorar a sonoplastia. Os novos arranjos trouxeram melhorias para a experiência em conjunto. Não fique surpreso se você se flagrar cantarolando as canções do game.

A equipe usou diversos recursos, como uma flauta transversal e instrumentos de corda, para produzir sensações únicas. Em ambientes mais claros, como praias, é possível perceber uma batida mais calma, simulando as ondas dos mares. Em regiões escuras ou gélidas, a guitarra com distorção assume o controle das emoções. Um belo espetáculo.

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Um jogo que tem um estilo bonito.

Mas mesmo não contando com visuais de cair o queixo, a otimização deixa um pouco a desejar. Houve um momento de muita intensidade visual onde o PlayStation 4 – padrão – chegou a travar. Além disso, várias das texturas demoram a carregar por vezes.

Outro acerto

Vivemos dias difíceis e Trials of Mana é uma daquelas experiências que nos trazem esperanças de dias melhores. Ainda que o enredo não seja lá muito inovador e sem reviravoltas, as interações de personagens e evolução são ótimas.

O gameplay também não fica devendo em nada. Leve, descompromissado e sem complicações, entrega diversão, momentos de muita ação, fantasia e desafios na medida certa.

Este é um remake que quem não se acomodou no sucesso. Traz a essência do original, aposta em novidades e cria uma experiência divertida capaz de atrair novos fãs para a série e agradar a ala mais veterana. Outro acerto da Square juntamente com Final Fantasy VII Remake.

Na dúvida, você pode baixar uma demo gratuita de Trials of Mana na PlayStation Store para testar o game.

Veredito

80

Ficha Técnica

Data de lançamento

18 de Março de 2020

Desenvolvedor

Square Enix

Consoles

PlayStation 4

Jogadores

1

Vantagens do jogo Trials of Mana

Vantagens

  • Evolução visual
  • Trilha sonora criativa
  • Jogabilidade descomplicada
  • Conteúdo inédito
Desvantagens do jogo Trials of Mana

Desvantagens

  • Câmera em posições complicadas
  • Desempenho sofrível em batalhas intensas
  • História clichê

Veredito

80

capa do jogo Trials of Mana

Jogo

Trials of Mana

Autor

foto do author do artigo Raphael Batista

Raphael Batista

Produtor de conteúdo em vídeo no MeuPlayStation, com atuação voltada à cobertura de jogos e tendências da indústria. Tem preferência por experiências narrativas e franquias marcantes, como The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel’s Spider-Man, trazendo uma visão próxima da comunidade e do dia a dia dos jogadores.

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