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Uncharted: The Lost Legacy: Vale a pena?

Chloe e Nadine brilham em novo jogo da Naughty Dog.

por Daniel dos Reis
Uncharted: The Lost Legacy: Vale a pena?

É difícil não se tornar um fã da Naughty Dog após experimentar seus jogos. O estúdio first-party da Sony sabe como poucos a criar uma narrativa que impressiona do início ao fim. E mais uma vez a equipe entrega um masterpiece de alto nível.

Não seria ufanismo afirmar que The Lost Legacy poderia, facilmente, ser considerado um Uncharted 5, tamanha é sua profundidade com elementos inteligentes de quebra-cabeças, boas doses de exploração e o mais importante: é um jogo completo com início, meio e fim, sem arestas soltas.

E logo de início, o storytelling já refuta uma das principais objeções quanto a expansão. Chloe Frazer é instigante, misteriosa e uma escolha mais que acertada. A indo-australiana desfila charme e assume com pulso firme o bastão de protagonista. Você não vai sentir (tantas) saudades de Nathan Drake.

Embora já soubéssemos como é a personalidade de Nadine, elas se completam. Enquanto Frazer é mais calculista e paciente, Ross é explosiva e de pouca conversa. A química provoca situações bem inusitadas, com discussões e trocas de farpas.

O que era pra ser um simples DLC, acabou por ser uma surpresa muito gratificante. Valeu a pena a ousada decisão do estúdio – preferir contar uma história nova, preferir contar uma história nova, e não seguir o modelo tradicional.

Se juntas já causam, imagine juntas

O meme-título talvez não sirva como uma explicação filosófica decente, mas nos ajuda a partir de um ponto. Se enquanto personagens desconectadas, uma sedutora Chloe de Uncharted 2, e uma vilão implacável em Uncharted 4, não tinham nada a acrescentar além dos limites das suas participações, neste, o entendimento é outro.

Não é exatamente um relacionamento perfeito. Elas estão sempre discutindo abordagens, fazendo objeções e entrando em conflito. Mas são justamente estes contra-pontos que fazem com quê o relacionamento dê certo.

Na busca por um artefato indiano, Chloe se une a ex-líder da Shoreline como uma forma de maximizar seus resultados. Na busca, elas se deparam com Asav, um sanguinário líder rebelde que também quer colocar suas mãos sujas na relíquia.

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Chloe e Nadine se deparam com Asav, um vilão arrogante.

Asav, por sinal, convence como vilão. Mesmo que no começo pareça apenas um figurante, ele se desenvolve bem e causa muitos problemas no decorrer da jogatina.

Mas o drama não é superficial. A busca da indiana vai revelando a verdadeira história por traz das cortinas. As conexões entre o tesouro e seu pai vão dando corda, instigando e amarrando o enredo com a investigação. E não só ela, Ross também é peça importante e conta com suas motivações íntimas.

E você, enquanto jogador, conjuntamente, vai se conectando com a narrativa, tentando antever quais serão os próximos desdobramentos. O bacana é que para explicar como as duas acabaram se encontrando, a Naughty Dog não precisou, dessa vez,  fazer uso daqueles esquemas de flashback e flashforward, muito utilizados em Uncharted 4. Aqui a história é contínua e evita aquela ‘quebra de ritmo’.

A obra também está toda localizada em nosso idioma, com legendas e dublagem muito boas por sinal. As interpretações convencem e refletem muito bem todas as cenas, sejam as mais emocionantes ou aqueles momentos de bate papo descompromissado.

Em time que está ganhando…

Não se mexe! A fórmula de Uncharted 4 foi bem aplicada aqui. Talvez este seja, ao mesmo tempo, um ponto positivo e negativo.  Se funcionou tão bem no anterior, não há muitas razões para mudar agora…certo? Por outro lado, a falta de inovação pode não ser um grande diferencial. Ou seja, se você jogou A Thief’s End, não vai se impressionar tanto.

Você vai passar por belíssimas florestas, explorar locais em buscas de tesouros escondidos, se proteger dos inimigos, agir em furtividade – os matagais agora estão mais estratégicos e você pode aplicar melhor os ensinamentos de Big Boss –  fugir em perseguições alucinantes, balançar com cordas, escalar e resolver puzzles.

Talvez por ser um DLC, os quebra-cabeças são mais simplificados. Não vai sair fumacinha da sua cabeça para resolver os enigmas. Na verdade, a solução será clareada com rapidez, mas eles são legais.

As adições ficam por conta de algumas armas novas, baús que exigem destraves e novas possibilidades de abordagem, principalmente nos níveis mais amplos, onde a critividade pode ser posta à prova: entrar tocando o terror ou agir mais na surdina para evitar os confrontos diretos? A escolha continua sendo sua.

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Baús oferecem boas recompensas.

Entretanto, há aqui um desenho de níveis um pouco diferente. Mesmo que o jogo ainda seja linear, sem caminhos alternativos, a maneira como os jogadores poderão desfrutar de certos momentos pode ser bem variada.

Assim como em Uncharted 4, The Lost Legacy oferece uma sensação de open-world. E a Naughty Dog foi além de Madagascar (nível de Uncharted 4 onde era possível explorar de jipe uma grande área). Boa parte do game é em uma imensa área, com vários locais de visitação, sendo até necessário um mapa para navegação. E você pode fazê-la a pé, ou de jipe (novamente). Tesouros, pontos de interesse e até tumbas opcionais – que exigem a resolução de um enigma – são as recompensas que certamente agradarão aos fãs de exploração.

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Áreas abertas de The Lost Legacy são bem grandes.

É Uncharted

É um legítimo jogo da franquia Uncharted. Poderia ser ‘apenas’ um DLC, mas é algo muito maior. Você vai encontrar aqui todos aqueles sublimes momentos: visual estonteante – em vários momentos você vai simplesmente parar saborear a ambientação -, as cenas cinematográficas, com ação desenfreada de tirar o fôlego, trama com boas surpresas e aquele desfecho que traz tranquilidade…o sol se pondo no horizonte, com o protagonista todo estrupiado, mas com a sensação do ‘dever cumprido’.

Houve ainda um cuidado do estúdio em tentar repassar realmente a sensação de aventura-solo de Chloe. Apesar de contar com referências aos jogos anteriores, você não vai ouvir por exemplo, a música tema da série, talvez como forma de evitar comparações.4

No fim você vai perceber que a franquia pode sim ter continuidade sem Drake, porque o que realmente importa não é quem você controla, mas a própria aventura em si, com todos aqueles caprichosos elementos que fazem os corações dos fãs pulsarem com mais intensidade. O show não pode parar.

Ahh…e se você está curioso quanto a duração do game. Gira em torno de oito a dez horas de jogatina. Além disso as opções de multiplayer estão todas presentes e não há divisão de jogadores. Aqueles que possuem só The Last Legacy podem jogar com aqueles que possuem só o Uncharted 4.

Veredito

Sistema:

Desenvolvedor:

Jogadores:

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Daniel dos Reis
Daniel dos Reis
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Jogando agora: Call of Duty: Vanguard | Battlefield 2042
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