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The Lord of the Rings: Gollum: não vale a pena

Se você achava que Gollum seria a coisa mais feia do jogo, não está preparado para o que virá...

por André Custodio
The Lord of the Rings: Gollum: não vale a pena

Não teve adiamento que deu jeito: The Lord of the Rings: Gollum é uma mancha na história de “O Senhor dos Anéis” nos games. Oferecido como uma reimaginação original da trama de J.R.R. Tolkien, o título faria o lendário autor se revirar em seu túmulo, caso isso viesse a ser possível.

Bom, essa não é uma boa forma de se iniciar uma análise, mas não houve outra maneira. Mesmo assim, a suavização foi pouca diante de tamanha frustração e decepção em relação ao pouco cuidado aplicado em uma marca tão relevante para a cultura popular.

the lord of the rings: gollum
Fonte: André Custodio

Há pontos positivos? Sim, o nome “The Lord of the Rings” e só. Os problemas enfrentados durante a curta jornada de The Lord of the Rings: Gollum são tão grandes, que é impossível sequer lembrar das coisas boas. Porém, é preciso esfriar a cabeça; vamos contar um pouco mais sobre o projeto da Daedalic Entertainment.

De volta a Mordor

The Lord of the Rings: Gollum conta – tenta contar – a história das personalidades do corrompido Sméagol e cobre o período narrativo entre “O Hobbit” e “A Sociedade do Anel”. Interrogado por Gandalf sobre o destino do Um Anel, ele deve revisitar seus momentos na Terra-Média e contar como se tornou o braço de Sauron.

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Fonte: André Custodio

Nesse aspecto, vale a pena frisar: o título abdica do envolvimento narrativo. A história é basicamente contada por diálogos com NPCs e surge com detalhes que muitas vezes não agregam em absolutamente nada para a trama, mesmo com o universo fantasioso bastante incorporado.

Os primeiros capítulos têm um ritmo desanimador e levam os jogadores para uma experiência no automático; enquanto caminha por Mordor em busca de comida e de seu “Precioso”, Gollum é capturado pelos infames Nazgûl e é forçado a servir em uma penitenciária mineradora de Barad-dûr.

the lord of the rings: gollum
Fonte: André Custodio

Dessa forma, os quatro primeiros capítulos, por exemplo, obrigam o protagonista a escalar, cumprir minigames, escalar, andar por corredores, escalar, se esconder de orcs e escalar um pouco mais. Tudo com uma trilha sonora levemente nostálgica e ainda capaz de prender por alguns segundos.

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Fonte: André Custodio

Gollum é praticamente um bot que pula, corre, se esgueira e aparece como justificativa para a existência de um jogo qualquer. Nem suas decisões baseadas nas duas personalidades — algo que poderia agregar bastante — conseguem ser eficazes, pois não há consequências efetivas para elas.

the lord of the rings: gollum
Fonte: André Custodio

Utilizar as sombras para escapar de inimigos e planejar abordagens para buscar colecionáveis pode ser legal em um primeiro momento, mas se torna cansativo logo nos capítulos iniciais. Sem habilidades adicionais, ferramentas extras, melhorias de atributos… não há estímulo para ir até a conclusão.

Desperdício de mundo em The Lord of the Rings: Gollum

As escolhas do roteiro não foram satisfatórias, mas tudo piora muito quando vemos a qualidade do mundo. “O Senhor dos Anéis” traz um universo rico em detalhes, histórias, reinos e criaturas, porém tudo em The Lord of the Rings: Gollum é desperdiçado de forma tão grotesca que é impossível ignorar.

A qualidade gráfica dos cenários, a pobreza de texturas e a ausência da identidade da franquia são nítidas em basicamente todos os mapas. A impressão final é de um game que rodaria em um hipotético PlayStation 2.5, salvo alguns efeitos de partículas e técnicas de iluminação.

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Fonte: André Custodio

Além disso, The Lord of the Rings: Gollum não é uma experiência contemplativa. Não há estímulo visual que faça o jogador gastar alguns minutos girando a câmera para vislumbrar o mundo. A linearidade absurda do game também limita as opções de cenários, pois todo o visível já está diante de seus olhos.

O game passa uma impressão de reciclagem, com alguns ajustes pontuais em level design e muita repetição. Cavernas, abismos, poços de lava, florestas, grandes castelos… Tudo é ignorado devido às baixas ambições dos produtores, e aparecem mais como um papel de parede do que áreas imersivas.

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Fonte: André Custodio

Quem jogou a série Sombras de Mordor se decepcionará em dobro, especialmente ao lembrar que o primeiro game data de 2014. The Lord of the Rings: Gollum é um retrocesso em todos os aspectos centrais, caso haja a comparação: história, dinâmica do mundo, qualidade de vida e técnicas gerais.

Mesmo para os fãs, haverá o desafio de identificar onde o protagonista está situado. Se não fossem as CGIs extremamente datadas, seria impossível determinar locais importantes, como a torre de Sauron, o palácio de Thranduil e outras regiões acolhedoras da Terra-Média.

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Fonte: André Custodio

Os mapas também chamam a atenção pela falta de recursos de acessibilidade. O básico, por exemplo, que seria alguns indícios de progressão durante escaladas — como cores, desgastes e outros meios —, é ofuscado pela densidade das sombras. O mundo parece estar imerso em uma escuridão eterna.

Gollum é um galã na frente dos NPCs

Se a Daedalic Entertainment planejou Gollum para ser a grande atração do jogo, conseguiu. O hobbit corrompido pela vontade do Um Anel é facilmente o que há de mais bonito em todo o universo do game. Os modelos de personagens chegam a ser risíveis e, muitas vezes, algo inacreditável de se ver.

Nesse ponto, vale um desabafo: donos de PS5 podem se revoltar com a falta de zelo ao criar expressões cuidadosas, traços de corpos suaves, fios de cabelo menos densos… Chega a ser ofensivo lidar constantemente com tais defeitos visuais, especialmente por se tratar de um jogo caro e exigente com hardware.

The Lord of the Rings: Gollum trata todos os personagens como iguais: humanos, orcs, feras e elfos conseguem ser tão feios, que fica difícil diferenciar. Para um jogo adiado tantas vezes, os desenvolvedores precisariam ainda de um bom tempo para polimento, tendo em vista todos os aspectos desagradáveis.

Um game de baixíssima qualidade

O superlativo absoluto sintético se encaixa perfeitamente em cada característica de The Lord of the Rings: Gollum, mas é no termo “qualidade” que o grau deve ser utilizado sem dó. A aventura de “O Senhor dos Anéis” é, definitivamente, um jogo de baixíssima qualidade.

Durante a campanha, os jogadores enfrentarão quedas de FPS, crashes a cada cinco minutos e, até mesmo, corrompimento de arquivos salvos. O game pode quebrar durante o autosave e destruir permanentemente toda a experiência. A solução? Começar do zero e torcer para não ocorrer novamente.

O PS5 – acredite se quiser – sofre para executar as exigências técnicas de The Lord of the Rings: Gollum. Engasgos acontecem em áreas com pouca densidade de objetos. Mensagens de erro aparecem a qualquer momento e sem razão aparente. Em relação à otimização, o título é um completo desastre.

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Fonte: André Custodio

Como resultado, a impressão que fica é de um game longe de estar 10% completo (isso mesmo, 10%). Existem estágios alfas, de gerações passadas, mais caprichados. O game possui apenas 10 capítulos para serem concluídos em no máximo 10h. Mas, infelizmente, esse tempo pode até triplicar se os jogadores insistirem.

The Lord of the Rings: Gollum: vale a pena?

Em um ano com tantos games de cair o queixo, The Lord of the Rings: Gollum é a mancha com água sanitária em uma camisa recém-comprada. Frustrante, problemático, cansativo e pouco original, o Styx com grife da Daedalic Entertainment não transmite nada ao jogador além de decepção.

A comunidade esperou até o meio do ano para ver um dos piores jogos de 2023. Infelizmente, os desenvolvedores não conseguiram assumir tamanha responsabilidade com a marca “O Senhor dos Anéis” e trouxeram algo que baixou substancialmente a régua. As expectativas para o futuro devem baixar.

São tantos problemas técnicos, que ficaria difícil listá-los por aqui. Mas o mais grave deles: o jogo “quebra” a cada cinco minutos. Você começa…controla o personagem e puff…o aplicativo fecha abruptamente, mostrando aquela tela da morte pedindo para enviar um feedback para Sony. Sério…os japoneses devem ter recebido mais de 20 informes meus sobre este game…coitados.

Fora os muitos defeitos, The Lord of the Rings: Gollum custa R$ 299,90 na PS Store em sua versão mais básica. A mais cara, que adiciona alguns itens digitais e linhas de voz em Sindarin, nem de longe compensa o custo altíssimo de R$ 349,90.

The Lord of the Rings: Gollum está disponível para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series e PC.

Veredito

The Lord of the Rings: Gollum
The Lord of the Rings: Gollum

Sistema: PlayStation 5

Desenvolvedor: Daedalic Entertainment

Jogadores: 1

Comprar com Desconto
15 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Legendas em PT-BR
Desvantagens
  • Jogo graficamente datado, especialmente em modelos de personagens
  • Texturas pobres em basicamente todos os mapas
  • Modo desempenho com muitas quedas de FPS
  • Modos de qualidade totalmente disfuncionais
  • Otimização no PlayStation 5 está horrorosa
  • MUITOS problemas com crashes e saves corrompidos
  • Jogo linear e surpreendentemente repetitivo
  • Péssimas escolhas narrativas, com sistemas de escolha que nada agregam
  • Mapas escuros e com baixa acessibilidade de progressão de level
André Custodio
André Custodio
Redator
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Jogando agora: Very Bad Dreams
Fã de jogos de terror e desbravador de soulslike vez ou outra. Consegui me livrar de FIFA por motivos pessoais (ruindade) e hoje me sinto uma pessoa melhor. Também curto platinas, mas não vou atrás de algo que me tira do sério.