Review

Tales of Arise: vale a pena?

Título traz novos ares para a franquia com sucesso

por Raphael Batista
Tales of Arise: vale a pena?

A franquia de jogos Tales of existe desde 1995 e já teve seus altos e baixos. Com títulos independentes e quase repetitivos entre si, a série passou anos desgastada com a pouca criatividade. Contudo, o lançamento de Tales of Arise traz novos ares à saga muito bem implementados, oferecendo um novo norte.

O próprio produtor, Yusuke Tomizawa, disse que o nome “Arise” também é um codenome para a evolução da fórmula Tales of. De cara, é perceptível a melhoria pelo uso da Unreal Engine 4, mas as mudanças também chegaram na construção da história, no gameplay dinâmico e desafiador e até mesmo no tom da aventura.

Tales of Arise é um ótimo JRPG, entregando novidades para os fãs de longa de data e abrindo portas para curiosos ou entusiastas do gênero.

Uma história convincente

Tales of Arise funciona como uma grande metáfora sobre a segregação e o preconceito entre raças. Os rehnianos oprimem os dehnianos e poucos destes escolhem lutar contra a tirania, mas totalmente incapazes de lidar com os recursos e equipamentos daqueles.

Nesse contexto, surge o Máscara de Ferro, o protagonista do jogo, que tem esse nome por não lembrar de seu passado e utilizar uma… máscara de ferro. De repente, sua vida toma um rumo drástico ao conhecer Shionne, uma rehniana que está fugindo do seu próprio povo e tem a missão de derrotar os cinco lordes do planeta.

As cinemáticas do game são muito bem construídas.

A partir deste momento, os dois reúnem forças para cumprir os objetivos individuais. A história desenrola com uma pegada legal porque foge ao máximo do clichê bem versus mal. Enquanto o Máscara de Ferro quer libertar o seu povo, Shionne luta contra os seus irmãos por uma razão específica. Além disso, novos personagens surgem com motivações únicas.

A Bandai Namco acertou no tom do enredo pois essa construção de universo seria propícia para narrativas extremamente dramáticas – como vemos em animes. No entanto, o humor compensa em momentos precisos e a interação entre os protagonistas é ácida e envolvente. Os próprios diálogos contra os chefões e NPCs não são enfadonhos, mas sim, curiosos a ponto de envolver o jogador na história.

A história e o universo do jogo são bem convincentes.

Estruturas que não funcionam mais

Enquanto a narrativa é bem construída, algumas estruturas não funcionam em um jogo do porte de Tales of Arise. Os diálogos com NPCs aleatórios no mapa são marcados por grunhidos e sons. Talvez fosse melhor somente a exibição de textos.

Já na hora da exploração dos mapas, a falta de uma trilha sonora causa estranheza. Nos combates, as músicas embalam e funcionam perfeitamente, mas enquanto o jogador passa a escalar os cenários ou procurar pelos materiais, o áudio é quase esquecido.

As conversas entre os personagens são bem “ultrapassadas” para um game atual

Tratando-se de uma parte mais técnica, a disposição dos menus é pouco intuitiva. Para um JRPG é uma questão importante, afinal, se comparar com títulos do mesmo gênero como Ni no Kuni II: Revenant Kingdom e até mesmo Final Fantasy VII Remake, os jogadores se localizam facilmente nas opções para melhorar armas, atribuir magias e colocar acessórios.

Em Tales of Arise, o muito simples ficou precário – citando até o fato de ser impossível reconfigurar os botões de comando do jogo.

Nenhum dos menus de Tales of Arise são intuitivos e práticos.

A verdadeira evolução em Tales of Arise

O combate e a jogabilidade no geral foram as grandes mudanças para o título. As mecânicas são bem fluidas e há opções para os mais variados gostos. É possível configurar a party dos personagens para agirem automaticamente ou manual. Além disso, o comportamento dos membros são alterados para modos agressivos, suporte ou recuados.

A movimentação dos combates é dinâmica. Com simples comandos, os jogadores podem realizar ataques com efeitos especiais bacanas ou alternar entre os lutadores da party. O Máscara de Ferro e a Shionne são os protagonistas, mas as opções de batalha não ficam limitados a eles.

Os combates sempre são divertidos, mas desafiadores também!

O gameplay de Tales of Arise se apropria de características do jogo hack and slash, mas pune quem gosta de “só esmagar botão”. Nas opções de dificuldade mais elevadas, entrar nas batalhas sem preparo é garantir de fracasso. É necessário se atentar aos níveis de magia, atribuir magias novas, colocar equipamentos corretos e sempre desbloquear as habilidades dos personagens.

Além disso, há buffs concedidos pelas alimentações feitas em acampamento. Fazer um rango é benéfico por liberar atributos e status elevados, e nesse caso, o jogador é incentivado a explorar os mapas para coletar ingredientes e recursos para melhorar as armas.

É muito importante explorar os pontos fortes dos personagens para obter a vitória.

A Bandai Namco também investiu muito bem no design dos mapas. São cinco regiões diferentes que se aproveitam das forças da natureza e possuem criaturas específicas, ambientes próprios e características únicas. É verdade que muitos monstros seguem um padrão de design, mas nada que cause a sensação repetitiva, afinal, cada ambiente necessita de elementos específicos para lidar com os desafios.

O que acontece em todo JRPG

Tales of Arise é uma evolução e isso é inegável, mas era praticamente impossível o abandono de alguns vícios típicos do gênero. O primeiro é a sua duração excessiva.

Embora a narrativa tenha um tom divertido e maduro, sendo bem desenrolada com os eventos, é perceptível os momentos baixos. Há missões e quests que poderiam ser facilmente cortadas e estão ali para inchar o tempo da campanha – que leva em torno de 40 a 50 horas.

Certas partes da história se desenrolam em uma espécie de HQs. Embora sejam cômicas, são bem secundárias.

As missões secundárias são todas simples e existem apenas para subir o nível dos personagens controláveis. Elas não possuem nenhum apelo à história ou sequer ao universo construído. Os objetivos são resumidos a: colete tal item ou mate bichos específicos.

E por fim, possivelmente em razão do tamanho e do foco no gameplay, o visual do título ficou um pouco abaixo das expectativas. Não são gráficos feios e os efeitos especiais compensam, mas o trailer de anúncio aparentava algo mais bonito. Para se ter uma comparação, o universo de Final Fantasy XV é mais belo do que Tales of Arise.

Tales of Arise vale a pena?

O novo título da Bandai Namco traz o que há de melhor da franquia e acerta os erros do passado. A jogabilidade dinâmica e fluida é o grande destaque com poderes, magias e elementos estratégicos no grupo.

Há uma certa exaustão após um período de tempo, mas a desenvolvedora fez um ótimo trabalho para amenizar a fadiga com os reinos, a jogabilidade e com a história.

É um prato cheio para fãs da franquia e para quem curte o gênero. É uma ótima porta de entrada para os novatos e dá uma nova visão para os próximos títulos da saga.

Veredito

Tales of Arise
Tales of Arise

Sistema: PlayStation 4 | PlayStation 5

Desenvolvedor: Bandai Namco

Jogadores: 1

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80 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Gameplay dinâmico
  • Universo imersivo
  • Elementos estratégicos e divertidos
  • História envolvente com temas reais
  • Variedade de armas e cenários
Desvantagens
  • Missões secundárias descartáveis
  • Configurações limitadas
  • Visual abaixo do esperado
Raphael Batista
Raphael Batista
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Jogando agora: Diablo II Resurrected | F.I.S.T. | Tales of Arise
Estudante de Teologia e apaixonado por PlayStation desde sempre. Jogos preferidos são The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel's Spider-Man.