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Street Fighter 6: vale a pena?

Street Fighter 6 é a redenção, o retorno do Rei das Lutas. Com um pacote completo, o game é um conjunto de boas ideias executadas

por Daniel dos Reis
Street Fighter 6: vale a pena?

Em uma das fases do modo Arcade de Street Fighter 6, você precisa repelir uma certa quantidade de bolas de basquete com um Parry. Bem bobinho, mas que faz lembrar do filme/documentário “O Time da Redenção”, da Netflix. Ele conta como a seleção americana de basquete buscou a redenção, após fracassos consecutivos, ao conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

Exceto por este estágio bônus, Street Fighter 6 não tem nenhuma relação com Basquete. Mas possui o mesmo DNA da Redenção.

O lançamento de Street Fighter V não foi bom. Apesar das boas ideias, o game chegou às prateleiras com pouquíssimos recursos. Claro, seu estado atual é até aceitável, mas na época não foi. Logo, havia muita desconfiança com esta nova reentrada da série.

Contudo, aos poucos, com os testes beta e a DEMO, já tínhamos percebido que SF6 parecia caminhar para uma direção certa. E sim, ele entrega exatamente o que os fãs esperavam.

São três pilares: World Tour, Fighting Ground e Battle Hub, entregando uma divertida e inusitada experiência single-player, arcade com variedade de opções de treino e um belíssimo pacote online.

O Campeão voltou.

Lutador de Rua

Street Fighter 6 faz jus ao nome, ao pé da letra. Veterano ou novato, vale começar a sua experiência com o modo World Tour. Ele é uma espécie de encontro de Yakuza com Shenmue à moda Capcom.

É o modo história, mas diferente das narrativas cinematográficas scriptadas de Mortal Kombat 11 e até do próprio SFV. Em SF6, existe uma construção muito mais profunda de jogabilidade, com historinhas e crescimento através das lutas.

O início é simples: você é um avatar que começa em uma empresa de segurança liderada por Luke – um dos novos lutadores – e vai em busca de melhorar suas habilidades, com o objetivo quase filosófico de entender a força que move as pessoas a irem em busca de mais.

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Comece como um lutador frango e evolua para se tornar o campeão.

Só que o jogo não se leva tão a sério, e quer saber? Era exatamente disso que Street Fighter precisava para engajar o público. O modo é bem divertido, grande até e cheio de coisinhas para entreter.

Após as instruções, seu personagem é liberado para andar por Metro City, onde é possível desafiar quase qualquer NPC. Assim, do nada você começa a trocar socos com as mais variadas personalidades. Um rapper, executivo, dançarino ou membro de gangue, gerando XP e itens de recompensa.

Mas também não é só isso. Conforme o progresso, há possibilidade de aprofundar seu relacionamento com seu mestre, que no começo é o próprio Luke. Isso vai te levando para vários lugares do mundo, permitindo conversas com figuras lendárias da franquia e habilitando muitas variações.

Aos pouco, é possível descobrir mais, evoluir o brigador em árvores de habilidades, aumentar defesa, energia e barras de Drive… Fica bastante claro que é não só uma opção para fazer volume ou mesmo “resposta” aos concorrentes. É uma experiência Street Fighter.

O mais bacana é poder desbloquear golpes e Master Actions dos mestres e moldar o avatar de uma maneira bem peculiar. Dá para ser, por exemplo, um lutador com postura de Chun-Li, mas golpes de Blanka, Dalshin e Ryu, por exemplo. Criando a sua personalidade.

Adicione um tanto de segredos, exploração, minigames, recompensas, itens consumíveis que podem ser usados durante as lutas, gestos e, pronto, temos um RPG.

 

Até a trama, bem distante de uma narrativa mega complexa, entretém bastante e é divertida de se acompanhar.

Óbvio, os experientes podem querer só cair na porrada. Por outro lado, deixar passar o World Tour é um tremendo desperdício. Vale muito a pena investir umas boas horas aqui.

Treine, Aprenda, Repita

O Fighting Ground é Street Fighter em sua plenitude. Enquanto o World Tour pode ser uma introdução ao universo do game, indicado para quem anda afastado da série, FG é o coração do jogo.

Conservador e atualizado. Treine, aprenda, repita… E então comece a entender como as coisas funcionam. Street Fighter, apesar de ser muito popular, nunca foi fácil de dominar. Há várias nuances que só jogadores experientes sabem: quantidade exata de frames para se executar um combo, cancelamentos, punição, distância…

Em Street Fighter 6, são três tipos de controle:

  • Moderno: Permite executar golpes e ataques especiais (Super Arts) de forma simplificada
  • Dinâmico: Conta com auto ataques e combos
  • Clássico: o esquema tradicional

Parece que as modalidades moderno e dinâmico tornem os combates mais fáceis e ofereçam vantagens, mas não é o que acontece na prática. Afinal, o moderno, por exemplo, é uma ótima maneira para atrair mais pessoas, mas um jogador com um pouquinho mais de experiência vai conseguir, facilmente, equilibrar as disputas.

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Street Fighter 6 – Cammy não está para brincadeiras

E o mais importante: somente o tipo clássico oferece a liberdade e o controle total dos personagens. Então, para dominar Street Fighter 6, não tem jeito, é preciso calejar os dedos.

Só que, felizmente, pela primeira vez um jogo da série te ensina a jogá-lo. Os modos de treinamento são excelentes, com destaque para o Guia de Personagem, que demonstra em detalhes a execução de golpes e combos de todos os personagens.

Parece simples, mas é uma opção de extrema utilidade. Nela, aprende-se os conceitos mais fundamentais de cada lutador. Tempo de resposta, distância necessária para acertar um golpe e do que ele é capaz.

Óbvio que não fica só nisso. Após assistir, há opções com “aulas práticas”, replantas de tutoriais variados e muito, muito completos e complexos. Dominar todas as técnicas do seu main é extremamente desafiador.

Uma opção bem útil é deixar a velocidade do jogo em 50%. Uma excelente maneira de pegar o timing perfeito dos combos. Comece devagar, aprenda, evolua. O Medidor de Frames, por exemplo, é outro recurso estratégico que detalha o tempo que seu boneco leva pra realizar algo e em quantos quadros ele se recupera.

Se você quer se tornar o melhor, tem que saber exatamente como isso impacta no gameplay.

E já que falamos em impacto, é uma boa hora para contextualizarmos não só Drive Impact, mas todo o conceito de “Drive”.

O Drive System é um conjunto de barras utilizado tanto para sair de uma situação de muito perigo, como para potencializar os especiais.

O Drive Impact é ataque poderoso, capaz até de absorver golpes dos oponentes; Drive Parry apara automaticamente investidas adversárias; Overdrive funciona quase como os especiais da série EX (Street Fighter EX 1 e 2); Drive Rush realiza uma corrida veloz; Drive Reversal um contra-ataque capaz de te tirar de situações de pressão (quando um adversário te coloca no canto).

Ficar sem barra Drive pode complicar e muito um combate, já que o lutador fica muito vulnerável aos ataques adversários. Por outro lado, ela se recarrega rapidamente. Então é só saber a hora certa de usá-la.

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Barras de Drive são fundamentais nas lutas

O Fighting Ground não se resume a aprender. Há os modos versus e o Arcade, que permite conhecer um pouquinho mais a história de cada personagem, principalmente os novatos. Só faltou um pouco mais de recompensas desbloqueáveis. Concluir este modo apenas libera ilustrações.

Uma opção divertida e inusitada é o Batalha Extrema. Uma opção com coisas bem aleatórias como touros, bolas e bobinhas que dão choque. É bem divertido, pois possibilita variações engraçadas.

E as batalhas online. Partidas casuais, ranqueadas e customizadas. Todas com crossplay e um sistema de rollback funcional e bem implementado.

Na verdade, quanto mais você experimenta Street Fighter 6, mais descobre. Seja no World Tour, Fighting Ground ou Battle Hub. Como nossa experiência SFV não foi das melhores, você se impressiona com o pacote de lançamento deste sexto capítulo.

Here comes a new challenger

Após treinar, dominar as regras do jogo e estar confiante o suficiente, chega o momento de ir para o ringue online e enfrentar outros players. E que como ele é bem feito!

Ainda que o Fighting Ground conte com algumas opções online bem legais e de fácil acesso, é no Battle Hub que as coisas acontecem de uma forma muito mais completa.

Por lá, é onde os jogadores de todo mundo se reúnem, lutam, disputam campeonatos, se distraem com fliperamas e competem para ver quem tem o avatar mais feio estiloso.

Uma das coisas mais legais é o Gabinete de Batalha. Nada mais que um fliperama. Você entra e, enquanto treina, aguarda outro jogador entrar para um tradicional X1. Ou pode somente assistir uma disputa.

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Enfrente outros competidores nos fliperamas

É o resgate dos tempos áureos em formato digital.

Também é possível usar o seu avatar nas Batalhas de Avatares e fazer uso de tudo que conquistou no World Tour. Uma ótima maneira da sua história não ser esquecida.

Há ainda, local para acompanhar eventos em tempo real, personalizar seu avatar, entrar para clubes de luta, ver rankings e, para os nostálgicos chorarem, jogar os clássicos de fliperama como Street Fighter II e Final Fight. Tudo funciona direitinho como no passado: entra na máquina, coloca fichas e começa a jogar, na jogabilidade da época.

Tudo isso funciona bem, com ótimas conexões e sem muitos problemas. Claro, nossos testes foram limitados em horários específicos. Mas não há muitos motivos para se duvidar do funcionamento quando o game realmente for lançado. Nos testes beta já foi possível testar tudo isso com muito mais pessoas.

Street Fighter 6: vale a pena?

Em resumo simples: é o maior e – possivelmente – melhor Street Fighter em tempos. SF6 conserta muitas coisas ruins do SFV, conta com muitos modos de jogo, um single-player divertido e, por que não, inovador e opções online que prometem prender as pessoas por horas.

Sua jogabilidade é bem ajustada, permitindo a atração de novos fãs, conduzindo-os para as opções mais complexas, ao mesmo tempo em que não abandona seus jogadores mais fiéis. Ainda é um jogo que exige treino para se dominar as técnicas mais complicadas e de fato entender como a revisão dos grabs está afinada, como o famigerado proximity block chega mais honesto. Enfim, é uma aula de redenção.

Há pontos que podem gerar um pouco de discussão por serem mais pessoais. Por exemplo, o estilo gráfico. As cores, foco no grafite e em uma espécie de vibe urbana pode não agradar a todos.

A baixa variação de cenários, a quantidade de selecionáveis (18) e as eventuais toneladas de adições via pacotes DLC são pontos que não devem agradar a todos. Somado a isso, certamente veremos a história se repetir com versões Ultra, Super, Arcade…etc, que vão gerar outras tantas reclamações.

Novos personagens, muitos modos (online e offline) e boas perspectivas de futuro, fazem Street Fighter 6 uma opção para jogadores. Vida longa ao Rei.

Veredito

Street Fighter 6
Street Fighter 6

Sistema: PlayStation 5

Desenvolvedor: Capcom

Jogadores: 1 ou 2 Jogadores

Comprar com Desconto
90 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Modo World Tour é bem divertido
  • Muitos modos de treinamento
  • Opções Online robustas
  • Fácil de aprender, difícil de dominar
  • Visuais incríveis
  • Novos lutadores com personalidade
Desvantagens
  • Poucos cenários
  • Somente 18 lutadores
Daniel dos Reis
Daniel dos Reis
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Jogando agora: The Last of Us Parte II Remasterizado
Manager do MeuPS e um cara de muita sorte por trabalhar com aquilo que gosta.