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Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin: vale a pena?

Square Enix e Team Ninja inovam com gameplay agradável para um RPG de ação, mas pecam na localização e em outros aspectos

por Jean Azevedo
Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin: vale a pena?

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin é uma proposta ousada da Team Ninja e da Square Enix, com data de estreia marcada para o dia 18 de março. As empresas entregam um RPG de ação com um gameplay de respeito e mecânicas de classe inovadoras para a IP.

A equipe do MeuPlayStation teve a chance de experimentar o game. Jogamos no PS5, onde o DualSense foi devidamente aproveitado, entretanto, ainda existem escorregões, como a falta dos menus e legendas em PT-BR.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin se inspira no combate de Final Fantasy Dissidia 012 e, diferente dos demais games da franquia, o foco não foi o desenvolvimento do carisma dos personagens e suas motivações, mas sim em derrotar Chaos e salvar o mundo.

A narrativa de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin

A história de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin tem elementos padrões de uma aventura: um protagonista com personalidade forte, um mundo correndo perigo e um motivo para inserir o personagem principal na busca por uma solução.

Os jogadores controlam Jack, um guerreiro respeitado e reconhecido, mas que aparentemente não se lembra muito bem de seu passado. A aventura começa com ele se juntando a outros dois exploradores na cidade de Cornelia.

Jack - stranger of paradise
(Fonte: Jean Azevedo)

O trio é guiado até lá por cristais negros e logo entendem o motivo da reunião. Todos eles precisam derrotar Chaos, e uma profecia deixa claro que eles precisam de mais um “escolhido” pelas pedras especiais para cumprirem seu destino e dar um fim à escuridão.

Quando a escuridão cobrir o mundo, quatro Guerreiros da Luz surgirão.

Não demora muito até entenderem mais sobre o principal vilão da trama, mas o restante da história é sobre descobertas. Chaos existe? Esses cristais negros precisam ser purificados para combatê-lo, mas será o suficiente? Qual o preço a se pagar para salvar o mundo?

Com isso em mente, eles partem para derrotar os quatro guardiões de Chaos e recuperar o domínio sobre os quatro elementos da natureza — cada um é protegido por um lacaio poderoso do antagonista. Assim, acreditam ter chance de acabar de vez com a escuridão para cumprirem a profecia.

Stranger of Paradise Final Fantasy Origin - Chaos
(Fonte: Jean Azevedo)

Para fechar a história por completo, precisamos de 32 horas. O tempo poderia ter sido menor, porém, os chefões dão um certo trabalho — alô, fãs de lutas difíceis!

Gameplay envolvente e sem cair na mesmice

O combate é um ponto positivo de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin por diversos fatores. O primeiro deles é a fluidez do estilo hack and slash. Logo no início, o jogo te ensinará a atacar, defender, bloquear, revidar e utilizar as skills especiais de Jack. Inicialmente, ele será apenas um guerreiro com uma espada grande, mas isso muda rapidamente.

O game tem um sistema dinâmico, onde a classe dos personagens muda e evolui de acordo com os itens equipados. O que isso significa na prática? Se a espada for removida e uma maça for utilizada, a árvore de habilidades é completamente alterada.

Stranger of Paradise Final Fantasy Origin - jack mago
Sem a espada, Jack pode ser moldado pelo jogador para se tornar qualquer tipo de herói (Fonte: Jean Azevedo)

Além de influenciarem nas skills, os armamentos e demais cosméticos da obra têm níveis pré-definidos, utilizados como um medidor para cada missão. O jogo é linear e nada te impede de avançar em uma quest onde você esteja abaixo do nível recomendado. Entretanto, equipar os itens mais fortes altera o poder de Jack e deixa a tarefa menos desgastante.

A diversidade no gameplay não para por aqui. Das 27 classes, algumas são desbloqueadas de acordo com os itens, enquanto outras só ficam disponíveis após avançar com uma determinada profissão. Cada um dos jobs vai até o nível 30, liberando combos e poderes especiais.

Grupo de Jack em Stranger of Paradise Final Fantasy Origin
(Fonte: Jean Azevedo)

Para melhorar, Jack e os outros dois membros do grupo — a party só suporta três heróis por vez — podem usar até duas classes principais, bastando apertar triângulo durante as batalhas para o set ser trocado inteiramente.

Jack possui uma mecânica de estourar os adversários com seu poder especial e transformá-los em cristal, e a Team Ninja adicionou uma animação exclusiva para cada monstro. Ao executá-los e juntar essência para as skills especiais, cada tipo de inimigo é exterminado de uma forma diferente — um belo capricho do estúdio.

A desenvolvedora colocou quatro modos de dificuldade no game, mas dá para alterá-los no meio do gameplay ao acessar os cubos — uma espécie de checkpoint. No entanto, quem busca o troféu platina precisa cumprir todas as missões na categoria Chaos, a mais desafiadora de todas.

No geral, a jogabilidade de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin é completa. Não há mistério para aprender a lidar com os comandos, a execução das habilidades é clara, e um minitutorial implementado na skill tree de cada classe mostra como fazê-las funcionar in-game.

Modo multiplayer é outro destaque

O modo coop de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin é outro atrativo do jogo. As configurações feitas no modo offline, como seleção de classes, itens e demais customizações permanecem, mas nem sempre em Jack.

Stranger of Paradise Final Fantasy Origin - coop
Jed aparece com todo o equipamento utilizado por Jack na classe Swordsman. (Fonte: Jean Azevedo)

É possível utilizar todo o seu arsenal, mas apenas o host da sessão tem controle sobre o protagonista. Os demais usuários podem jogar com os outros personagens da trama, porém, não terão acesso aos jobs e suas evoluções conquistadas.

Sem problemas de desempenho, mas os gráficos poderiam ser melhores

Durante o gameplay não notamos nenhum problema grave de desempenho, no entanto, alguns pontos poderiam ser melhor explorados pelos desenvolvedores. A parte gráfica se manteve a mesma das últimas demos, embora a iluminação tenha prejudicado a experiência.

Nos diálogos, a renderização dos personagens secundários não está das melhores, pois apresentam quedas de FPS. Faltou um pouco de atenção nesse quesito, mesmo que as conversas com os NPCs sejam algo raro no título.

Resumindo, caso as texturas tivessem sido um pouco mais trabalhadas, e os cenários contassem com uma iluminação adequada para cada situação in-game, o tema obscuro e caótico do game poderia ser transmitido de uma melhor forma.

Em áreas ensolaradas como a da imagem abaixo, a transição para a parte com sombras não é feita de forma tão natural assim. É muito iluminado ou é extremamente escuro. Fica difícil enxergar os heróis às vezes.

Stranger of Paradise - grupo
(Fonte: Jean Azevedo)

Apesar dos apesares, jogar o título no PS5 foi divertido. O DualSense ativa os gatilhos adaptáveis quando as habilidades estão prontas, as vibrações variam de acordo com as situações e, claro, podemos aproveitar carregamentos rápidos através do poder de processamento do console.

Onde a Team Ninja e a Square Enix erraram

Além da iluminação citada acima, a ausência da localização em PT-BR é uma pena. Nem todos dominam uma segunda língua e experiências como essa precisam ser ofertadas a públicos maiores.

Apesar do gameplay se destacar, a narrativa fica pobre em conteúdo em determinados momentos do jogo. Faltou tentar, pelo menos com Jack, achar uma forma de explorar o passado do guerreiro e entender mais sobre suas motivações. Isso ajuda a criar empatia pelo personagem, como acontece com os demais heróis da franquia.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin: vale a pena?

A Team Ninja entregou o que prometeu em Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin. Se você curtiu as demos disponibilizadas anteriormente, com certeza vai se divertir com o jogo. No entanto, se esperava melhorias avassaladoras na versão final, é melhor segurar os ânimos.

Stranger of Paradise Os guerreiros da Luz
(Fonte: Jean Azevedo)

Os gráficos não são o principal atrativo. O gameplay é o foco das atenções, e os desenvolvedores entregaram uma experiência capaz de prender o jogador graças ao sistema de classes. É uma aventura Final Fantasy sem aquele apego à história dos personagens, mas vale a pena pela ação — e para quem tem R$ 299,90 para investir na PS Store.

Veredito

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin
Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin

Sistema: PS4/PS5

Desenvolvedor: Team Ninja

Jogadores: 1-3

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80 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Gameplay não enjoa e está em constante mudança
  • Sistema de classes é de fácil entendimento e adiciona variedade ao game
  • É possível sentir a progressão do personagem com itens mais fortes
  • Sem crashes ou problemas de desempenho durante as sessões
  • Consegue utilizar bem o DualSense
  • Multiplayer é divertido e simples
Desvantagens
  • Não há localização para o PT-BR
  • Iluminação mal otimizada prejudica experiência
  • Gráficos poderiam ser melhores
Jean Azevedo
Jean Azevedo
Redator
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Jogando agora: Returnal
Talvez eu goste mais de Marvel's Spider-Man do que deveria.