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Sonic Frontiers: vale a pena?

Sonic Frontiers busca inovar a série com uma proposta de "Zona Aberta" e consegue divertir

por Vinícius Paráboa
Sonic Frontiers: vale a pena?

Quando pensamos em Sonic, as primeiras coisas que vêm na cabeça dos fãs são: velocidade, fases cheias de obstáculos que vão dos pontos A ao B, anéis, Esmeraldas do Caos, etc. Mas e se todas essas coisas fossem colocadas em um mundo aberto misterioso? Com essa proposta nasce Sonic Frontiers, o novo jogo da saga.

O game mescla elementos clássicos da saga e tenta inovar, ao trazer o ouriço para uma “Zona Aberta” (como definem os devs da Sonic Team), onde há puzzles para resolver, itens para coletar e personagens para interagir. Bastante divertido, o título até consegue prender a atenção dos jogadores, mas peca em certos aspectos, como nas lutas contra chefões e em problemas técnicos.

Aventura nas Ilhas Starfall

A narrativa de Sonic Frontiers começa com Sonic, Amy e Tails viajando em um avião, em busca das poderosas Esmeraldas do Caos. Entretanto, sem muita explicação, os três amigos são sugados por um portal e vão parar no “Ciber Espaço”, uma dimensão digital, por assim dizer. Para sorte deles, no entanto, o ouriço azul escapa desse mundo paralelo e acorda nas Ilhas Starfall, o local da aventura.

A partir daí, cabe a ele descobrir o paradeiro de Amy e Tails, enquanto percorre a “Zona Aberta” das ilhas. Nada é explicado inicialmente: o jogador precisa ir atrás das respostas por si mesmo, característica que lembra um pouco Zelda: Breath of the Wild — embora a SEGA jure que ambos jogos não são parecidos.

A história é um dos pontos fortes do game, principalmente por conta desse mistério que a cerca. Não só Amy e Tails, mas outros personagens clássicos como Dr. Eggman e Knuckles também se encontram envolvidos no Ciber Espaço — e é seu dever entender o papel deles nas ilhas. Por fim, há Sage, garota que tenta impedir Sonic de salvar seus amigos por razões desconhecidas no início.

Sonic Frontiers
Sage é um dos pontos centrais da história de Sonic Frontiers (Foto: Vinícius Paráboa)

Sonic Frontiers aposta em uma narrativa mais madura, embora busque uni-la com características já vistas em outros jogos da série, como laços de amizade, piadas e rivalidade — estes sendo traços mais “infantis”, por assim dizer. Apesar disso, certos eventos são até surpreendentes e fazem o player querer jogar mais, para buscar entender o que está acontecendo.

Explore, colete itens, derrote inimigos e progrida

Combate de fácil domínio, mas boss fights são confusas

Sonic Frontiers mescla o gameplay clássico e o coloca em um mundo aberto, no qual o ouriço azul pode encontrar inimigos dos mais variados (pequenos, médios e grandes). Aliás, um dos focos do game é o sistema de combate: a SEGA, aparentemente, quis diminuir a velocidade que se derrota os adversários, para dar golpes novos ao protagonista.

O título conta com uma árvore de habilidades: nela, o jogador gasta pontos (adquiridos ao derrotar máquinas ou fazer truques no ar), para obter skills inéditas. A principal delas é o Ciberloop, este garantido logo no início da aventura. Com isto, Sonic deixa um rastro brilhante no chão e ao completar um círculo, ele causa dano (ou até resolve quebra-cabeças e revela itens escondidos durante a exploração).

Conforme se obtém mais habilidades, o arsenal de Sonic fica mais completo. E o melhor de tudo é os combos serem de fácil execução, com combinações de botões nada complexas (L1/R1 + quadrado, R2 + quadrado/círculo/triângulo/X, etc.).

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Sonic possui truques bem legais para lidar com seus oponentes (Foto: Vinícius Paráboa)

Nem tudo no sistema de combate, entretanto, são rosas. As lutas contra os chefões principais deixam a desejar, pela facilidade e pela confusão em entender o que está acontecendo. Em uma das boss fights, por exemplo, havia tantos elementos na tela que era difícil distinguir uma coisa da outra. Porém, quando o jogador supera esse obstáculo, derrotar a máquina gigantesca é tão simples quanto tomar doce de criança.

O mundo aberto de Sonic Frontiers

Em Sonic Frontiers, o jogador atravessará cinco ilhas distintas, todas recheadas de inimigos, itens, quebra-cabeças, portais e personagens. Explorar é essencial no game, pois é assim que não só se entende a história, mas também se revela o mapa e se progride.

As Ilhas Starfall possuem muitos “desafios” para serem cumpridos — que vão desde ir de ponto A ao ponto B até simplesmente correr em uma espécie de roda de exercícios para hamsters (a variedade dessas provas é bem grande). Ao completá-los, uma parte do mapa se revela, mostrando as coisas escondidas naquela área (acredite, você vai querer saber o que tem por ali).

A principal revelação proporcionada por esses “desafios” é a existência de portais. Ao entrar neles, Sonic é transportado para uma fase no estilo clássico (os designs variam de 2D para 3D), onde precisa cumprir quatro metas: terminá-la, conseguir um tempo de ranking “S”, obter todos os rings de estrela vermelhos escondidos e reunir uma quantidade ‘X’ de anéis.

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Sim, a Green Hill Zone está de volta! (Foto: Vinícius Paráboa)

Cumprir pelo menos um desses objetivos lhe proporciona uma chave — concluir todos lhe dá quatro delas, mais uma chave extra. Esses objetos servem para abrir cofres que contém Esmeraldas do Caos, estas essenciais para derrotar os chefões.

O mundo aberto de Sonic Frontiers também tem os chamados “Itens Mnemônicos”, que precisam ser coletados para progredir na história. A cada mapa, Sonic achará esses itens distintos, que fazem referência às personalidades dos personagens que lá estão — ele reunirá corações para Amy, medalhas para Knuckles ou chaves inglesas para Tails.

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Corações são uns dos “Itens Mnemônicos” do game (Foto: Vinícius Paráboa)

Muitas vezes, os “Itens Mnemônicos” são encontrados em sessões de plataforma 2D/3D espalhadas pelo mapa. Basta o ouriço azul subir em um corrimão ou se jogar em um jumper para começar uma espécie de “minifase”. Ao final dela, ele obterá o prêmio em questão.

Embora os mapas de Sonic Frontiers incentivem a exploração, o grind necessário para conseguir uma quantidade ‘X’ de “Itens Mnemônicos” e, consequentemente, progredir na história pode irritar os mais impacientes. Apesar disso, a experiência é bastante divertida, ainda mais se você for um fã da saga.

Além disso, atravessar o cenário gera certa confusão, porque o design deles não te leva onde você espera chegar. Um exemplo desse fator é o terceiro mapa, um arquipélago: para ir da ilha A para a B, não há pistas ou indicativos de como atravessá-las. O jogador perde vários minutos correndo e estudando o local até, finalmente, achar para onde deve ir. Inclusive, tem a ver com um problema gráfico bem chato que falaremos a seguir.

Sonic Frontiers tem problemas técnicos

Como já mencionado, a SEGA construiu as Ilhas Starfall ao colocar elementos clássicos em uma “Zona Aberta”. Isso significa que o jogador encontrará as já mencionadas “minifases” em todo o mapa, estas sessões de plataforma (em 2D ou 3D) que servem para obter itens, alcançar locais mais altos ou atravessar ilhas.

Conforme Sonic corre pelo cenário, não é raro haver o “pop-in“, bug no qual um objeto antes inexistente simplesmente surge. Lembra quando mencionamos o problema de atravessar o arquipélago do terceiro mapa? Por muitas vezes, o player não conseguirá observar essas sessões de plataforma ao longe. Ele precisa se movimentar, chegar perto e “tcharam!”: um corrimão aparece bem diante dele.

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É preciso se aproximar bastante para enxergar alguns dos elementos do cenário, por causa do “pop-in” (Foto: Vinícius Paráboa)

As falhas gráficas não param por aí. Em cutscenes e no gameplay, é possível ver pequenos pontinhos pretos na paisagem em determinados momentos — tirando a beleza do cenário. O lado positivo é justamente o estilo de arte adotado para o jogo, com as arquiteturas das construções antigas em destaque.

Outro problema que deve irritar quem joga no PlayStation 5 é a grande quantidade de telas de loading no título — embora sejam rápidas. Em contrapartida, enquanto o jogo carrega, o player consegue treinar as habilidades de Sonic em pequenos tutoriais.

Sonic Frontiers: vale a pena?

Sonic Frontiers é, certamente, uma proposta bastante diferente em relação à saga completa. Embora reúna diversos elementos clássicos — fases de plataforma em 2D e 3D, coleta de anéis e velocidade — também traz um sistema de combate novo e uma história mais madura. É impossível dizer que a SEGA não tentou reinventar a franquia, com este produto.

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Sonic Frontiers tem “minifases” em 2D e 3D em meio à “Zona Aberta” (Foto: Vinícius Paráboa)

É verdade que ainda faltou um capricho a mais em elementos importantes do título. As boss fights são chatas e o polimento está abaixo do esperado. Por outro lado, a experiência é divertida e, pela primeira vez na história, conta com legendas em PT-BR.

Totalmente single-player, Sonic Frontiers tem uma campanha que dura cerca de 15h e ocupa apenas 23 GB do SSD. Se você for um fã, certamente vale a pena. Se não for este o caso, o melhor é esperar uma promoção (e correções).

Veredito

Sonic Frontiers
Sonic Frontiers

Sistema: PlayStation 5

Desenvolvedor: Sonic Team

Jogadores: 1

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75 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Experiência divertida
  • União de Sonic clássico com mundo aberto
  • História mais madura e misteriosa
  • Sistema de batalha de fácil domínio
  • Legendas em PT-BR
Desvantagens
  • Boss fights fáceis e confusas
  • Problemas técnicos, principalmente de pop-in
  • Grind pode irritar
Vinícius Paráboa
Vinícius Paráboa
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Jogando agora: Final Fantasy VII Rebirth, A Plague Tale: Requiem, Dragon's Dogma 2
Editor no MeuPlayStation. Fanático por Crash Bandicoot, God of War e pelo Grêmio.