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Sea of Stars: vale a pena?

Com uma jogabilidade moderna e um pixel art hipnotizante, Sea of Stars é o grande nome para jogo indie do ano

por Raphael Batista
Sea of Stars: vale a pena?

Há certas experiências nos videogames que nos marcam profundamente. Seja pela história, como em God of War, ou pela jogabilidade, como em Zelda. Independentemente do motivo, esses jogos compartilham um fator único: é possível perceber que foram feitos com carinho. Isso fica evidente nos detalhes, na criação do mundo e no sentimento que o jogador experimenta durante o gameplay. E é muito gratificante observar que Sea of Stars se insere nesse mesmo patamar.

Isso não quer dizer que o jogo da Sabotage Studio seja o melhor do ano, mas com certeza está entre os mais cuidadosamente produzidos. Com um forte apelo ao clássico Chrono Trigger e, ao mesmo tempo, modernizando o estilo de jogabilidade, o título apresenta uma história simples e envolvente, uma jogabilidade atualizada com combates por turnos e uma ampla quantidade de conteúdo para explorar.

Sea of Stars é “um verdadeiro jogo”, como alguns diriam. Ele não se preocupa em ser um espetáculo narrativo como The Last of Us, nem em oferecer liberdade de decisões de gameplay como Tears of Kingdom. No entanto, ele cativa o jogador de maneira única e tem o potencial de ser um dos melhores jogos que você jogará neste ano.

A magia da amizade

Em Sea of Stars, acompanhamos a jornada de Zale e Valere, duas crianças com a capacidade de manipular magia, que se tornaram Guerreiros do Solstício, uma organização responsável por eliminar as criações do mal chamadas de Residentes. Quando os heróis completam o treinamento, precisam chegar à Ilha Espectral para pôr fim ao grande perigo que ameaça o mundo e, assim, “cumprir o propósito”.

Não espere por grandes reviravoltas ou por uma narrativa profunda. Na verdade, embora exista até um certo mistério em torno de personagens específicos, o enredo é previsível e o tema da mensagem é bastante claro: a amizade supera todos os obstáculos. Zale e Valere fazem grandes amigos ao longo da jornada, os quais os ajudam a superar obstáculos ou até mesmo se juntam ao grupo.

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A história cumpre seu propósito, mas são os personagens que brilham mesmo.

Nesse ponto, aliás, está um dos grandes acertos da Sabotage. Temos controle total sobre nosso grupo. É possível equipar equipamentos, armas e definir magias. Essa personalização é fundamental, uma vez que os próprios jogadores executam os ataques de todos durante os combates. A constante evolução dos heróis ao longo da aventura também se destaca. Novos combos, habilidades e magias são desbloqueados à medida que exploramos novos locais ou descobrimos segredos nos mapas.

Por último, é relevante enfatizar um elemento presente em Sea of Stars do começo ao fim: o carisma. Existem jogos que apresentam personagens pelos quais sequer nos importamos com suas motivações ou diálogos, mas aqui, no RPG da Sabotage, sentimos o interesse em acompanhar cada linha de diálogo, desde os protagonistas até as pequenas participações. Isso contribui para estabelecer um vínculo honesto e sincero com o jogador.

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Um RPG que dá várias opções para o jogador.

Um RPG moderno

A experiência do jogo não se sustenta apenas pelo charme dos personagens, mas a jogabilidade também é um pilar importante. Sea of Stars entrega um sistema de combate por turnos similar aos clássicos. A cada rodada, o jogador escolhe entre usar ataques normais, mágicos ou itens. Após a ação do jogador, os inimigos retaliam. No entanto, o estilo de jogabilidade adota um modelo mais contemporâneo.

É possível conceder bônus de dano aos ataques ao pressionar o botão no momento certo, antes do movimento ser executado. É como um Quick Time Event, mas sem comandos visíveis na tela. Dessa forma, o jogador se sente compelido a manter os olhos fixos nos personagens para descobrir o timing correto.

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Um combate moderno e dinâmico define Sea of Stars.

Infelizmente, notamos um input lag em algumas ocasiões, principalmente durante as defesas. Assim como é possível causar dano extra no ataque, também é possível executar um parry contra os adversários para reduzir o dano recebido. Nesse caso, acertar o timing é consideravelmente mais difícil devido a um atraso que ocorre ao pressionar o botão.

Outro fator que contribui para um estilo de combate mais moderno são as novas habilidades e combos desbloqueados ao longo do jogo. Existem interações específicas entre certos personagens que resultam em ataques poderosos, que podem ser carregados somente durante o combate. Incorporá-los em uma estratégia de recuperação ou ataque/defesa é crucial, especialmente nas lutas contra chefes.

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Os Combos são ataques especiais que ativam movimentos combinados.

É importante destacar que as batalhas contra os chefes são sempre envolventes. Embora não haja uma mudança na dinâmica de combate – o estilo de combate por turnos permanece constante – o design das criaturas é sempre muito distinto dos inimigos padrões e requer uma estratégia eficaz. Morrer em combates normais é bastante raro, mas os chefes representam uma ameaça real.

Para aqueles que se sentem um pouco intimidados pelos confrontos ou pelos desafios do jogo, existe a opção de ativar as Relíquias, que oferecem recursos de acessibilidade, como a recuperação automática de HP após as batalhas ou indicadores luminosos para os ataques mais eficazes. Os jogadores adquirem novas Relíquias ao longo do jogo, embora elas sejam completamente opcionais para a experiência.

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As lutas contra chefões sempre são um show a parte.

Universo viciante

Sea of Stars apresenta uma campanha direta, sem muita enrolação. É possível concluí-la em até 20 horas, dependendo do seu ritmo de jogo e, principalmente, das atividades secundárias que você optar por realizar. Isso ocorre devido à presença de algumas missões paralelas que não interferem na trama principal, mas permitem ao jogador passar mais tempo imerso nesse universo.

Existem locais para pescar e coletar peixes raros, que fornecem ingredientes especiais para a criação de pratos capazes de recuperar HP ou MP. Além disso, há um mini-game que simula um combate por turnos com um sistema de evolução de níveis em tempo real. É uma espécie de abordagem semelhante a Clash Royale, porém em um ambiente de pixel art hipnotizante.

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O Jogo das Rodas mistura sorte, estratégia e emoção em cada partida.

Ao final da campanha, os jogadores ainda têm mais opções de exploração, pois há puzzles que são resolvidos após um período de exploração mais extenso. Nesse aspecto, a Sabotage optou por uma abordagem diferente. Os quebra-cabeças necessários para a progressão da história são bastante superficiais e pouco desafiadores. No entanto, os puzzles secundários exigem uma exploração mais aprofundada para encontrar itens específicos, a fim de abrir portas ou desbloquear diálogos com NPCs específicos. Embora isso esteja se tornando cada vez mais comum, existe uma disparidade considerável entre os dois aspectos nesse caso.

É claro que sempre é bom ter uma motivação para passar mais tempo imerso nesse universo e, caso os outros elementos não tenham sido suficientes, então o aspecto visual e a trilha sonora devem ser. O pixel art de Sea of Stars é meticulosamente elaborado, permitindo que os jogadores percebam detalhes minuciosos, como a névoa que reflete a luz das magias dos personagens ou os traços distintivos de um personagem. Não é difícil afirmar que o título é um dos jogos mais visualmente impressionantes já criados.

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Cada cenário conta com um estilo único.

Assim como acontece em todo bom RPG, a trilha sonora se manifesta de maneira profundamente marcante. Para aqueles que não estão cientes, Yasunori Mitsuda, o renomado compositor de Chrono Trigger, Legend of Mana e Final Fantasy V, uniu forças com Eric W. Brown para dar vida às composições musicais deste jogo e, de fato, é possível perceber, no vídeo a seguir, como o resultado é de uma qualidade excepcional.

Sea of Stars: vale a pena?

Sea of Stars é indiscutivelmente o principal candidato a conquistar o título de melhor jogo indie de 2023 e não seria surpreendente vê-lo na disputa pela categoria de melhor jogo do ano. Ainda que sua narrativa não aspire à mesma dramaticidade de títulos como Final Fantasy XVI, os temas da amizade e superação são abordados de maneira cativante.

A jogabilidade do jogo e seu universo são encantadores e envolventes. É completamente natural sentir o desejo de explorar cada centímetro do mapa em busca de segredos, experimentar novas combinações de magias e até mesmo solucionar os quebra-cabeças secundários para desvendar os mistérios ocultos.

Melhor ainda, os assinantes do PS Plus Extra têm a oportunidade de baixar o jogo sem qualquer custo adicional. Portanto, não há motivo para não se aventurar nessa experiência. Na verdade, considero Sea of Stars um título imperdível para todos os amantes de videogames.

Veredito

Sea of Stars
Sea of Stars

Sistema: PlayStation 5

Desenvolvedor: Sabotage Studio

Jogadores: 1

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90 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Pixel art detalhada
  • Trilha sonora marcante
  • Personalização do grupo
  • Combates por turnos modernos e dinâmicos
  • Conteúdo secundário divertido
  • Incluso no PS Plus Extra
Desvantagens
  • História previsível
  • Puzzles da campanha são superficiais
  • Pequeno atraso em comandos dos personagens
Raphael Batista
Raphael Batista
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Formado em Teologia e apaixonado por PlayStation desde sempre. Jogos preferidos são The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel's Spider-Man.