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RIDE 2: Vale a Pena?

por Hugo Bastos
RIDE 2: Vale a Pena?

RIDE 2 carrega o legado de seu antecessor, e o expande a um nível satisfatoriamente alto. Com melhorias em todos os aspectos, e a inclusão de inúmeras novas características, o game se consolida como um dos expoentes no gênero. Não é exagero dizer que este pode ser considerado um “Gran Turismo” sobre duas rodas.

RIDE 2

Desde o início, o jogador já pode sentir a imersão a que o título se propõe. Apesar de não ser um game baseado em competições oficiais, não deixa a desejar em qualquer quesito. O jogador cria seu piloto, personalizando até mesmo pequenos detalhes de sua vestimenta, e corre em diversos tipos de provas, em dezenas de campeonatos.

A velocidade é o ponto alto do jogo. Ela é traduzida por máquinas raivosas, que destilam toda sua fúria nas sinuosas curvas dos famosos trajetos que, apesar de não ser destacarem graficamente, oferecem uma sensação gloriosa de pilotagem.

Com mais de 200 motos, 30 diferentes localidades, 18 das mais famosas pistas, um arsenal invejável de possibilidades de personalização, e totalmente localizado no nosso idioma, RIDE 2 se mostra um jogo completo. Que peca em apenas alguns detalhes.

Acompanhe nossa análise e saiba porque este jogo é, de fato, recomendado.

Demônios da Velocidade ao Gosto do Jogador

RIDE 2 não se trata apenas de velocidade. É a epítome da relação piloto/motocicleta. Desde o início do jogo, é possível notar que seu foco não é apenas fornecer um simulador de corrida. Basicamente todas as opções disponíveis podem ser personalizadas. A começar pelo próprio piloto.

Apesar de fornecer menos opções que seu antecessor, no que toca à características físicas (não é possível, por exemplo, modificar o rosto ou cabelo – nem mesmo ver o piloto sem capacete), existe um nível de imersão poucas vezes visto em outros jogos de moto-velocidade. Ou mesmo de simulação, seja ele qual for.

É possível personalizar quase tudo. Até mesmo o estilo de roupa para cada tipo de prova/moto.

Dessa forma, partes específicas da vestimenta podem ser modificados. O jogador sente-se como aquele corredor virtual. E isso é apenas o começo. Ao ser dada a opção de escolha da moto, com a qual correrá as primeiras provas, o game mostra que neste título, tudo transcorre “ao gosto do freguês”.

Mas não pára por aí. A integração online do jogo, com novos atributos presentes, tornaram a experiência ainda mais interessante. A interação social (algo parecido com o Autolog dos jogos da série Need for Speed) foi expandida. As voltas em cada circuito, por exemplo, agora são registradas, para comparar com os recordes mundiais.

Agora, você compete não apenas contra os oponentes na pista, mas contra corredores reais ao redor do mundo, pelos melhores tempos.

Corra Sério ou Vá para Casa

Mas mesmo com tanto foco na personalização e imersão do jogador, as protagonistas do jogo ainda são as lendas sobre duas rodas. Assim como o piloto, as motos também podem ser personalizadas, com mais de 20 modificações diferentes em 5 áreas principais. E é na pista que elas se destacam.

Assim como outros diversos jogos de corrida, é possível escolher pista, moto (dentre as disponíveis), e de divertir descompromissadamente. Um grande ponto para o título é o fato de existir opção de multiplayer local, o que o torna ainda mais atrativo. Algo meio relegado nos dias atuais.

O número de pistas aumentou significativamente. Com novas localidades e variações das já existentes.

Mas é no modo da Turnê Mundial que o verdadeiro conteúdo está esperando. Existem diversos campeonatos diferentes, para as diversas classes de moto disponíveis. Obviamente, nem todas as provas e motos estão disponíveis. E o jogador precisa provar ser bom o suficiente para avançar nas diversas classes.

Além das provas clássicas, foram adicionadas outras, como a “trajetória perfeita”. Nela, o jogador precisa percorrer um trajeto pré-determinado por cones delimitadores. E não pode contar com a ajuda da opção de trajetória ideal (aquela que marca na pista qual o melhor trajeto para percorrer). Dessa forma, não há aquela sensação de “reciclagem”. Como se tudo fosse trazido do jogo anterior.

As provas de “Trajetória Perfeita” são bastante complicadas, mesmo nas dificuldades mais baixas.

O jogo é feito para todos. O nível de dificuldade pode ser definido antes de cada corrida, na forma de ajustes na forma da física, opção de freios conjuntos, nível da IA dos pilotos concorrentes, entre outros.

Assim, aqueles que gostam de um verdadeiro desafio pode se deleitar com a dificuldade absurda que o jogo proporciona. Os mais novos, ou aqueles que prezam mais pela diversão, também a terão. Mas o jogo premia os mais ousados com uma porcentagem adicional do prêmio relativa às opções ativas (ou não). Ou seja: quem se arrisca mais, ganha mais.

Os ajustes da corrida tem uma relação risco/recompensa interessante.

O modo online também não deixa a desejar. Os servidores se comportam bem e as corridas são estáveis, mesmo em velocidades mais baixas.

Um (Quase) Show Audiovisual

Para que um jogo de corrida seja agradável, ele deve passar sensação de velocidade. RIDE 2 não decepciona. Mostra a que veio, com um impressionante trabalho audiovisual.

Diferente dos simuladores de corrida atuais, o jogo oferece uma trilha sonora tanto dentro quanto fora das corridas. Apesar de ela não ser a mais inspirada durante as provas, não é maçante nos menus. É empolgante e prazerosa de se ouvir.

A sonoplastia do game também impressiona. Cada moto possui seu ronco próprio, mesmo aquelas da mesma fabricante. É sublime ouvir o rugido crescente dos motores à medita em que a moto alcança velocidades cada vez mais ferozes. Como se uma fera fosse posta livre, e mostrasse a todos: “Aqui, eu sou a lei”.

Cada um dos “monstros” presentes no jogo possui sua própria lista de informações detalhadas.

No entanto, o mesmo não pode ser dito da sensação de impacto. Talvez para manter a classificação indicativa mais acessível, mas o fato é que o trabalho sonoro deixa a desejar quando a moto sai da pista, por exemplo. Ou ao colidir contra obstáculos, fazendo o jogador cair. É estranho, e soa como se as motos e a pista não funcionassem sob as leis normais da física.

Eventos como este destacam ainda outro ponto negativo. Os gráficos, apesar de serem melhores que o seu antecessor, deixam a desejar. Não tem a beleza observada em jogos do gênero, mesmo os mais antigos. Não que sejam ruins. Apenas não são tão bem trabalhados como deveriam.

Correr na chuva adiciona novas estratégias e traz um diferencial a mais para o jogo. Os gráficos, contudo, ainda não são os melhores.

Mas eles apresentaram uma evolução significativa. Agora, é possível observar detalhes antes desconsiderados, como as ranhuras dos pneus, as rachaduras na pista, entre outros. São meros detalhes, como dito. Mas que, para os amantes de jogos de corrida, faz toda diferença.

O Diferencial dos Detalhes

Dizer que RIDE 2 é um grande jogo pelo seu conjunto de detalhes bem executados não é exagero. Além dos pontos já listados, o título traz ainda alguns outros detalhes que o engrandecem ainda mais.

A localização completa ao nosso idioma é algo que já vinha desde o jogo anterior. Então, não é surpresa aos jogadores. Não significa que ela não deva ser mencionada. O nível técnico é absurdo. A narradora possui uma bela voz, que pronuncia um português correto e sem vícios. Os menus não apresentam falhas nas informações e se destacam por exibir até mesmo detalhes técnicos que, normalmente, não são localizados.

Um dos mais bem executados trabalhos de localização já feitos para jogos do gênero.

A simulação, apesar de não ser o foco principal do jogo (visto que o jogador pode, simplesmente, relegar tais condições e ignorar os aspectos mais complexos em favor da diversão), é muito bem implementada. Não existem muitas opções de ajustes. Mas aquelas disponíveis certamente farão o gosto dos jogadores.

O modo foto também merece elogios. Com diversas opções e ajustes, torna-se possível chegar próximo a fotos profissionais.

Criar fotos com ar profissional não é complicado com os recursos do Modo Foto.

E talvez uma das mais aguardadas melhorias do jogo: as demoradas e irritantes telas de loading, a principal reclamação do jogo anterior, foram corrigidas.

“RIDE 2 – The Real Motorbike Simulator”

No final, RIDE 2 é um jogo que peca muito pouco. Apesar do seu valor parecer um tanto exagerado, possui conteúdo de sobra para justifica-lo. E não apenas isso: logo no lançamento já foram disponibilizados alguns DLCs gratuitos, com novas motos e capacetes, para a felicidade dos jogadores.

Muitos fabricantes voltaram, e outros foram adicionados. Agora, são mais de 200 motos, apenas esperando para correr.

Adicionalmente, os caçadores de troféus devem considerar esta platina na lista. Ridiculamente fácil (assim como seu antecessor), não requer tarefas complicadas, como vencer uma corrida com todas as assistências desligadas, ou contra oponentes com nível de IA no máximo. É certo dizer que não será uma caçada rápida. Mas certamente será acessível.

Muito jogo no pacote. Troféus, desafios diários e… Bonus RIDE para desbloquear!

RIDE 2 está para os jogos de moto-velocidade assim como Gran Turismo está para os jogos de corridas automobilísticas. Sem eufemismos, é o melhor jogo da sua estirpe, até agora.

Hugo Bastos
Hugo Bastos
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Jogando agora: Nada no momento.
Hugo Bastos e revisor do Meu PS4, apreciador de uma boa comida, e de platinas difíceis. E viciado em Rogue Legacy, OlliOlli2, Dead Cells, e não dispensa uma boa noite de jogatina.