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Monster Harvest: vale a pena?

Um simulador de fazenda que traz novidades muito bem-vindas para o gênero, mas a falta de polimento na versão de PS4 atrapalha a experiência

por Valdecir Emboava
Monster Harvest: vale a pena?

Grandes aventuras fantasiosas, battle royale, multiplayer… essa é a receita padrão de jogos vendidos pela indústria todos os anos. Apesar de não ter nada de errado com isso, chega uma hora que alguns jogadores só querem gastar seu precioso tempo em algo diferente, sem se preocupar com “dificuldades”. Bom, para esta demanda, simuladores de fazenda como Monster Harvest acabam se encaixando bem.

Mas para cuidar de uma fazenda, o jogador precisará se preocupar com muitos de seus recursos para manter tudo em ordem. Mas ainda sim, é uma experiência totalmente diferente se comparada aos contratempos de um gênero mais frenético que pune o jogador — como um soulslike, por exemplo.

Monster Harvest traz uma proposta um pouco diferente dos habituais simuladores de fazenda, entregando uma experiência mista que pode agradar até as maiores exigências— apesar dos pesares. Caso seja fã de Stardew Valley e Pokémon, melhor ainda — pois é exatamente esse o gostinho.

Entendendo o universo de Monster Harvest

A princípio, a história é basicamente o arroz e feijão dos jogos do gênero: um personagem cansado da correria da cidade grande decide viajar até a fazenda de algum parente para fugir das obrigações urbanas, optando por uma vida mais pacata e tranquila no meio do mato.

Em Monster Harvest, seu personagem também segue esse raciocínio. Ele viaja até a cidade de Planimália, um local onde até pouco tempo mal havia civilização. Seu tio, o Professor Spark, fez uma grande descoberta criou planimais (monstrinhos) a partir de plantações e gosmas encontradas no lugar. O progresso foi tanto, que em pouco tempo muitos moradores foram atraídos para a cidade.

Cena de Monster Harvest.
(FONTE: Valdecir Emboava)

Esse é, de longe, o ponto mais forte do game: além de te colocar de frente com as obrigações da vida rural, ele também te oferece batalhas e gerenciamento desses monstrinhos que Spark criou — porém, ao invés de capturá-los, o jogador terá de cultivá-los.

Os moradores de Planimália o ajudarão nesta empreitada enquanto uma verdadeira conspiração acontece no plano de fundo. Uma empresa rival recém-chegada ao lugar, chamada “Slime Co.” quer aproveitar das descobertas do cientista e dominar a região.

Cena de Monster Harvest.
(FONTE: Valdecir Emboava)

Sem dúvidas, a ideia caiu muito bem neste estilo de jogo e põe Monster Harvest um passo a frente de outros simuladores do gênero, criando uma proposta que vai muito além do gerenciamento da fazenda. Aqui, também terá de evoluir monstrinhos, batalhar com outros moradores de Planimália e descobrir as facetas da corporação “do mal”.

Mecânicas de planimais se destacam, com poréns

Ok, então é possível ter planimais só plantando uma semente de legume ou fruta e adicionando o slime em seguida? Bom, é mais ou menos por aí que Monster Harvest funciona, mas existem variáveis nessa equação.

Planimália possuí três estações: seca, úmida e escura. Em cada uma delas, é permitido plantar até quatro tipos diferentes de sementes — na quantidade que desejar. A segunda parte do processo está ligada aos slimes, encontrados nas cores verde, vermelho e azul. Cada semente plantada pode receber uma dessas gosmas, resultando em uma raça diferente de monstrinho.

Por exemplo, caso plante um rabanete e adicione um slime vermelho em seguida, o cultivo será de um planimal chamado “Cruzbanete”. São mais de 70 combinações diferentes, incluindo alguns que podem virar gado ou até montaria para o seu personagem.

Cena de Monster Harvest.
(FONTE: Valdecir Emboava)

Existe uma mecânica muito legal em Monster Harvest que permite o jogador decidir quanto tempo o seu dia terá — basta acessar a cama para escolher a parte da noite ou o dia seguinte.

Geralmente, o dia é usado para exercer atividades da fazenda e socializar com habitantes locais. Já a noite é usada para farmar recursos na dungeon localizada ao norte de Planimália. Lá, é possível batalhar contra planimais selvagens — e existe até um pézinho no roguelike aqui. É simples, mas ainda sim é uma mecânica que jogos do gênero não oferecem.

Todo o conjunto do sistema é legal e funciona, mas demanda um pouco de gerenciamento. Seus monstrinhos podem simplesmente morrer durante as batalhas, pois não há poções e nem um “centro de planimais” para curá-los — além de não ser possível acessar a dungeon sem um companheirinho desses.

Isso seria um lado negativo, mas não demora muito para entendermos o motivo de não existir recursos de cura. Se o planimal morrer, é possível tirar proveito da situação usando os “restos mortais” como adubo para subir o nível do seu solo — aí os que forem cultivados em seguida nascerão com o mesmo nível.

Os únicos pontos negativos disso tudo são a demora para seus monstrinhos crescerem e a falta de uma aba com informações mais específicas sobre eles — isso prejudica as estratégias, pois não é possível saber quais as fraquezas cada um tem. Neste quesito, é tudo um pouco superficial.

A arte pixelizada é charmosa, mas a versão de PS4 precisa de polimento

Não existem ressalvas para os aspectos in-game. A arte baseada em pixels é um charme a parte, com cores vivas e vibrantes, assets que contribuem muito para a ambientação e o design divertido dos personagens. No entanto, a interface e os menus de Monster Harvest no PS4 são um desastre e remetem a uma versão de PC mal adaptada para os consoles.

O menu é impreciso e de acesso um pouco complicado — com ações que não respondem 100% aos comandos do jogador. É possível driblar tudo isso, mas ainda sim, existe outro ponto extremamente negativo que pode causar um impacto considerável na experiência: crashes constantes, bugs e problemas com saves.

Cena de Monster Harvest.
(FONTE: Valdecir Emboava)

Durante a jornada por Planimália foi preciso resetar o jogo algumas vezes por conta de bugs — mas houve situações em que isso não bastou, então foi necessário reiniciar até o console para voltar tudo ao normal.

Os problemas mais comuns estão ligados ao comando de picareta e machadinha: às vezes, o personagem simplesmente executa ações sem o jogador pedir — gastando toda a estamina disponível. Isso sem mencionar quando havia bugs que prendiam o personagem em algum lugar, e consequentemente também forçando a reinicialização do jogo.

Cena de Monster Harvest.
Um dos bugs de Monster Harvest que me fizeram reiniciar o jogo (FONTE: Valdecir Emboava)

Talvez o ponto que mais decepcionou em Monster Harvest tenha sido um problema com o primeiro save. Ele já estava com cerca de 10 horas de jogo, na metade da segunda estação e tinha uma lista generosa de planimais conquistados. Em um dia qualquer, ele simplesmente não carregava — forçando a criação de um novo.

Monster Harvest: vale a pena?

Monster Harvest cumpre bem com a sua proposta e oferece opções que vão muito além do gerenciamento da fazenda. Por mais que o sistema de batalha não seja tão robusto, a ideia está ali e funciona. Outro ponto positivo é a localização em PT-BR.

Cena de Monster Harvest.
(FONTE: Reprodução)

Por outro lado, a falta de informações sobre os planimais, a interface problemática e, sobretudo, os constantes problemas mencionados acima envolvendo crashes e saves levantam o questionamento sobre sua viabilidade. Foi realmente muito frustrante perder o primeiro progresso — e isso impactou negativamente na experiência.

No geral, se esses problemas receberem atenção e carinho em uma atualização no pós-lançamento, aí sim, Monster Harvest valerá (e muito) o seu tempo. O jogo foi lançado nesta segunda-feira (31) para PS4, Xbox One, Nintendo Switch e PC.

Veredito

Monster Harvest
Monster Harvest

Sistema: PlayStation 4

Desenvolvedor: Maple Powered Games

Jogadores: 1

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65 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Proposta diferente de outros simuladores de fazenda
  • Estilo de arte pixelizado é um charme à parte
  • Mecânicas divertidas de gerenciamento e batalhas
  • Localização em PT-BR
Desvantagens
  • Interface mal otimizada
  • Crashes e bugs
  • Problema com saves
  • Menus pouco intuitivos
  • Falta de informações de batalha para os planimais
  • Falta de polimento
Valdecir Emboava
Valdecir Emboava
Redator
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