Review

FIFA 22: vale a pena?

Nova edição do jogo de futebol é a mais realista desde que a engine Frostbite chegou

por Thiago Barros
FIFA 22: vale a pena?

FIFA 22 é a experiência de futebol mais realista que a EA Sports já desenvolveu. Isso não quer dizer que seja um game perfeito, ou 100% fiel ao futebol que você assiste (ou joga) todo fim de semana. Mas, sim, que os desenvolvedores parecem ter entendido a importância de uma jogabilidade que aproxime o virtual do real.

Os últimos anos foram de duras (e justas) críticas à Frostbite, engine que a EA Sports usa na série FIFA desde 2016. Exceto no FIFA 17, considerado até agora o melhor dessa era, todos os outros tiveram problemas graves. Principalmente do 19 em diante. Os gols e dribles bugados, defesa automática, opções táticas apelonas… Quando parecia que uma coisa era melhorada, outra piorava.

Agora, o jogo parece que foi realmente refeito, do zero, com base na tecnologia HyperMotion. E, sim, é bem comum surgirem nomes de funcionalidades bem pomposos só para impressionar, mas que na verdade não mudam em (quase) nada. Dessa vez, não é assim. Com o machine learning e a captura de movimentos em jogos de 11 contra 11, FIFA 22 pegou na veia.

Só que, claro, nem tudo é perfeito. Os goleiros, por exemplo, estão extremamente desbalanceados, e atacar está muito mais fácil do que defender (diferente do que é no campo). Visualmente, as novas animações de movimento são bacanas, mas os gráficos em geral são do mesmo nível que vimos nos últimos anos. Ainda assim, é possível notar que o novo FIFA é um bom passe em direção ao gol.

“Nunca antes na história desse jogo…”

Essa é “a maior atualização da história” da série em termos de animações. São cerca de 4 mil, feitas graças a um algoritmo de aprendizado de máquina proprietário, que analisou simplesmente mais de 8,7 milhões de quadros de captura de correspondência avançada para maior fluidez e realismo. Isso é a HyperMotion, que se traduz em cada lance.

Hypermotion modificou o estilo de FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Hypermotion modificou o estilo de FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Bola parada, chutes, movimentos de habilidade, passes, movimento do jogador, reações do jogador, comemorações, controle da bola, cabeceios de dois jogadores, quedas, recuperações, dribles, movimentos de animação, jogo de ombro, proteção de bola e muito mais. Realismo, graças à captura de imagens em partidas com 11 jogadores em cada time, não só simulando tudo com uma pessoa só.

O problema é que nem tudo foi aplicado de forma correta. Nos goleiros, por exemplo, há alguns problemas. Eles estão “pegando tudo” dentro da área e “aceitando” bolas fáceis de fora. Especialmente com um movimento que deveria ser característico de cortar bolas que cruzam para a área, mas são executados em chutes, principalmente na diagonal. Isso é um dos principais erros de FIFA 22 hoje.

Outro ponto é a “movimentação em bloco” dos jogadores, o famoso “balanço” na linguagem da bola. Ele está muito, muito melhor. Não existe dúvida disso. A equipe agora, realmente, defende como uma unidade. Mas alguns posicionamentos acabam se perdendo, o que é um prato cheio para o ataque. Inversões de bola e passes com o triângulo entram com muita facilidade.

Jogo está ainda mais disputado em FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Jogo está ainda mais disputado em FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

A não ser que você consiga defender muito bem. Uma dica é tentar usar o novo recurso, do R3, que permite que você selecione de uma forma mais rápida exatamente o jogador que quer controlar. Além disso, o R1, para dobrar a marcação, está mais eficiente – e também funcionando de maneira diferente, com limitação de stamina do segundo marcador.

Vale ressaltar ainda que os cruzamentos estão mais intuitivos e que há novos dribles – apesar de eles não serem mais tão “roubados” como no FIFA 21. Isso é um ponto de destaque: o ritmo mais cadenciado. O jogo está mais inteligente, mais tático, valorizando a construção das jogadas e não só a correria. Esperamos apenas que não venha uma atualização para mudar tudo, como já aconteceu outras vezes.

Game tem seleções, mas Brasil não está licenciado (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Game tem seleções, mas Brasil não está licenciado (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Afinal, é a melhor jogabilidade que vemos na franquia desde FIFA 17. Obviamente, sempre levando em conta que é um jogo de futebol, com a imprevisibilidade do esporte, com bolas espíritas entrando, com passes indo pro lado errado e por aí vai… E, sim, você ainda vai perder para times muito piores do que o seu e pessoas que você acha que são horríveis. É do jogo.

O que mudou nos modos de jogo?

Visualmente, o game é idêntico ao FIFA 21. Torcida, estádios, jogadores… Nada mudou. A localização perfeita para o Brasil continua, a trilha sonora tem pontos altos e baixos, e a narração de Gustavo Villani com comentários de Caio Ribeiro também cumpre o seu papel, mantendo o nível em FIFA 22.

Variedade de modos é um atrativo de FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Variedade de modos é um atrativo de FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Dito isso, hora dos modos de jogo. E, sim, houve alterações relevantes. A começar pelo Ultimate Team, a “galinha dos ovos de ouro” da franquia. Um novo sistema de premiação e de jogo no Division Rivals e no FUT Champions promete deixar tudo mais dinâmico – e dar também uma chacoalhada no mercado de transferências, que já está bem instável. Cuidado com o trade!

Mas o FUT é o que tem menos novidades. Além disso, só mais opções de personalização de estádio (que também foram levadas para a Carreira e o Pro Clubs) e um lobby para jogar co-op com algum desconhecido. E por falar em Carreira, é verdade, finalmente a EA deu aquela atenção ao modo. Ainda não está perfeito, mas evoluiu bastante no FIFA 22.

Criamos o MeuPS no FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Criamos o MeuPS no FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Mais liberdade, mais controle e a possibilidade de criar um time do zero e colocá-lo em uma liga. Totalmente customizável, desde seu nome e uniforme até quanto dinheiro vai ter para transferências. Uma experiência bem interessante e que certamente vai agradar aos jogadores que curtem o offline e essa pegada mais “manager” do game.

No Pro Clubs, há um novo sistema de progressão e badges que dão boosts em determinadas habilidades. O objetivo é deixar as partidas ainda mais imprevisíveis e com jogadores que sigam à risca o estilo de jogo que você quer. Ele ainda continua sendo um modo bastante divertido, só que relativamente limitado, mesmo com as melhorias nos últimos anos.

Volta foi repaginado no FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Volta foi repaginado no FIFA 22 (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

E o que mudou mesmo foi o Volta. Agora, sem aquelas historinhas, mais focado na diversão mesmo. Os jogos online e offline continuam lá, mas também foi adicionada uma grande novidade: Volta Arcade. Com minigames super divertidos, ele é o ideal para desestressar um pouco do FIFA competitivo e só brincar com os amigos.

FIFA 22: vale a pena?

Sabe aquela enfiada (roubada) com o triângulo que corta a zaga no meio? Então, FIFA 22 é tipo isso. Porém, o atacante que vai finalizar não é um Cristiano Ronaldo da vida, e o goleiro na frente é o Neuer. Ou seja, fazer o gol não é fácil. Para balançar as redes, a EA Sports, sem dúvidas, ainda precisa evoluir.

Jogadores brasileiros fazem falta (Foto: Reprodução/Thiago Barros)
Jogadores brasileiros fazem falta (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Mas não dá para reclamar de uma grande chance criada, não é mesmo? Depois de três anos caóticos, especialmente com FIFA 19 e 20, “tomando pressão”, os desenvolvedores, enfim, “desestacionaram” o ônibus e foram pro contra-ataque. Quando parecia que o jogo já estava perdido com a Frostbite, entrou a promessa HyperMotion, com “alegria nas pernas” para dar uma nova esperança à torcida.

O nível maior de realismo, a boa ambientação, a localização em português, o número de licenças (mesmo que, infelizmente, sem atletas do Brasil – o que não é novidade), a variedade de modos de jogo… Tudo isso faz com que FIFA 22 seja um game completinho para quem ama futebol. Ainda longe da perfeição, mas com uma experiência justa e divertida (estressante de vez em quando).

Ultimate Team está ainda mais viciante (Foto: Reproduçaõ/Thiago Barros)
Ultimate Team está ainda mais viciante (Foto: Reproduçaõ/Thiago Barros)

Agora, sim, o preço é bem alto, ainda mais para os jogadores que acham que “FIFA é tudo igual, todo ano a mesma coisa”. Para quem tem nele sua principal diversão no console, ou pelo menos a mais duradoura, os R$ 300 “pesam menos”. E esse é o ponto principal: vai jogar, se dedicar e gastar horas e horas e horas de game? Vale muito! Não? Então espere uma promoção!

Mas pode ter certeza FIFA 22 é o melhor que a Frostbite já entregou, desde o FIFA 17, em um título do “esporte mais amado do Brasil”. E, caso a EA ajuste alguns detalhes (e não mexa no que está dando certo) nas atualizações seguintes, tem tudo para entregar uma temporada bastante positiva para os seus fãs.

Veredito

FIFA 22
FIFA 22

Sistema: PlayStation 4 | PlayStation 5

Desenvolvedor: EA Sports

Jogadores: 1-4

Comprar na Amazon
80 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Tecnologia HyperMotion aumenta o nível de realismo
  • Modos de jogo estão ainda mais completos
  • Ritmo cadenciado merece elogios (será que fica assim?)
  • Novas cutscenes ajudam a melhorar a imersão
  • Localização e narração continuam cumprindo o trabalho
Desvantagens
  • Goleiros estão bem desbalanceados
  • Alguns problemas de gameplay não foram corrigidos
  • Atacar está muito mais fácil do que defender
  • Não houve evolução gráfica no game
Thiago Barros
Thiago Barros
Editor-Chefe
Publicações: 1.922
Jogando agora: Ghostwire Tokyo
Jornalista, teve PS1, pulou o 2, voltou no 3 e agora tem o 4, o 5 e até o PSVR. Acha God of War III o melhor jogo da história do PlayStation.