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Elden Ring: Shadow of the Erdtree: vale a pena?

Mais do que só uma expansão, é um conteúdo massivo, robusto e de alta qualidade!

por Raphael Batista
Elden Ring: Shadow of the Erdtree: vale a pena?

Sem enrolação, Shadow of the Erdtree é tudo aquilo que os fãs da FromSoftware esperavam! Na verdade, a expansão vai além: os novos conteúdos não somente dão boas horas adicionais em Elden Ring, mas trazem adições que afetam a própria estrutura do jogo. É como se o diretor Hidetaka Miyazaki estivesse flertando com o gênero de aventura enquanto não abre mão da essência raiz do RPG.

Aquilo que já era uma experiência sólida e robusta na campanha original, ganha um potente conteúdo adicional capaz de entreter os jogadores por mais de 30 horas. É como se fosse um jogo dentro do próprio jogo, com chefões memoráveis, novas áreas encantadoras, equipamentos que mudam drasticamente o estilo de gameplay e muito mais.

Shadow of the Erdtree não somente é uma das melhores expansões já produzidas pela FromSoftware, como entra no panteão dos melhores conteúdos adicionais já existentes.

De volta para as Terras Intermédias… mais ou menos

Os jogadores estão de volta para as Terras Intermédias, quer dizer, mais ou menos. Após derrotar Mohg, é possível interagir com a pedra que tem um braço estendido. A guerreira Leda faz um convite para o Maculado: vasculhar o Reino das Sombras para seguir os passos de Miquella, O Bondoso.

E a nova região do game traz muita variedade de áreas: são lugares fechados, florestas abissais, terrenos elevados, campos coloridos e desertos de sangue. Outro fator que promove ainda mais diversidade é a verticalidade da exploração. A FromSoftware criou um mundo que existe em vários planos e encontrar um buraco pode resultar em uma tumba secreta ou em outra área interligada subterraneamente a outros pontos.

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A direção do jogo sabe novamente como gerar aquele sentimento potente ao descobrir uma nova área. Fonte: Raphael Batista.

Por mais que o mapa da expansão seja menor que a campanha original, ele não fica muito para trás. Os jogadores encontram facilmente mais de 30 horas de conteúdo para enfrentar os chefes, explorar calabouços com recompensas especiais e descobrir áreas secretas que exigem atenção aos detalhes.

E vale uma menção para o level design ainda mais primoroso. Em Elden Ring, a intuição da exploração era um ponto forte da experiência. Contudo, era comum ficar perdido diante de tantos lados para explorar. O DLC Shadow of the Erdtree traz uma pegada um pouco menos aberta, embora haja muitos caminhos e possibilidades de exploração, mas favoreceu a busca de rotas. Checando o mapa ou visualizando os terrenos, o jogador sabe para onde pode ir ou por onde já passou.

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O Reino das Sombras traz muito o que fazer e muito para explorar. Fonte: Raphael Batista.

O que era bom, ficou melhor

Se Elden Ring já apresentou uma seleção de chefões memoráveis, Shadow of the Erdtree faz questão de adicionar nomes de peso ao panteão. Não daremos spoilers, mas há boss battles de tirar o fôlego por toda a construção: ambiente, design dos personagens, trilha sonora e dificuldade do combate.

Inclusive, o gameplay do RPG da FromSoftware ganhou mecânicas curiosas. Não estamos falando aqui de equipamentos, armas ou magias que o estúdio já detalhou sobre as novidades, mas sim, de itens colecionáveis que podem aumentar a força do personagem e ficam restritos somente à região da expansão. É uma forma interessante de incentivar a exploração, além de recompensar os jogadores com mais poder que encontrarão inimigos desafiadores.

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Fragmentos da Umbrárvore estão no Reino das Sombras e elas aumentam o poder do personagem só dentro da área. Fonte: Raphael Batista.

Aproveitando para falar sobre a própria dificuldade, ela segue o mesmo patamar da campanha original. Com exceção dos últimos chefes da história que são extremamente difíceis até mesmo para personagens acima do nível 250 (o meu caso), todos os outros inimigos, monstros e chefes exigiam das habilidades dos jogadores, mas em uma curva de aprendizado bastante justa e equilibrada.

E aqui devemos louvar a criatividade da FromSoftware na criação de criaturas e na expansão da lore. Não há informações se George R.R. Martin também colaborou com Shadow of the Erdtree, mas parece que Miyazaki deixou mais a sua marca na expansão. Em vários momentos, inclusive, existem cenários e monstros que possuem aquela pegada lovecraftiana que o diretor soube explorar muito bem em Bloodborne. Quem sabe não estamos vendo uma referência daquilo que o próprio Miyazaki tem muitas saudades?!

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Chefes, monstros e inimigos de Shadow of the Erdtree são bizarros, esquisitos e gostamos disso! Fonte: Raphael Batista.

Além disso, a mente por trás dos jogos Souls parece ter se importado mais com a jogabilidade do que propriamente narrar uma nova história. Este é um dos pontos que pode incomodar. O DLC não segue os eventos finais de Elden Ring, mas abre um parêntesis. É uma jornada que vem para somar com a campanha original – e por isso que ela é acessível mesmo sem terminar o jogo.

É como se o Maculado ainda estivesse em sua missão de se tornar um Lorde Prístino e acabou no Reino das Sombras. Por isso que o último chefão não dá uma sensação de conclusão, porque, bem, o game não acaba ali. E é uma pena que o fechamento tenha este gosto amargo, pois a última batalha é facilmente uma das mais épicas e memoráveis da história do estúdio.

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Um universo dentro de outro universo! Fonte: Raphael Batista.

Uma expansão que faltou pouco para ser um jogo

Como dito anteriormente, a narrativa de Shadow of the Erdtree se coloca no meio dos eventos de Elden Ring, o que gera um estranhamento em razão da falta de uma conclusão. Afinal, ali não é uma história à parte, ela continua como parte da campanha e expande o universo do jogo.

Outra coisa que faltou são os troféus. Especificamente nos jogos soulslike, os troféus são mais do que apenas conquistas, mas também funcionam como uma espécie de guia para o jogador saber quem ele enfrentou ou por onde já passou. Sem novas conquistas, o Reino das Sombras fica demasiadamente grande e os players podem perder chefes opcionais muito bons porque erraram uma entrada. Os troféus ajudavam a ter uma noção do que faltava e até mesmo os caminhos que eram possíveis de explorar.

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Sem troféus, há uma grande chance de perder confrontos que estão ocultos. Fonte: Raphael Batista.

Mais uma situação que poderia ser melhor aproveitada era a atuação dos novos NPCs inseridos justamente para justificar os motivos da narrativa. Embora esse elemento não seja o forte de Elden Ring, é inegável a marca que personagens da Mesa Redonda, além de outros heróis e vilões como Ranni, Blaidd, Alexander, etc.

Na expansão, há novos NPCs tão peculiares quanto os do jogo base. Contudo, eles são deixados de lado e pouco explorados, o que é uma pena, pois eles fazem parte da narrativa e tinham elementos muito interessantes.

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O Reino das Sombras está disponível no meio da campanha original de Elden Ring e, por isso, a expansão é um grande parêntesis da campanha. Fonte: Raphael Batista.

Elden Ring: Shadow of the Erdtree: vale a pena?

Mais do que uma expansão, Shadow of the Erdtree se assume como um conteúdo tão robusto que era capaz de se tornar um jogo à parte. O projeto pode ser considerado como uma das melhores expansões já produzidas na indústria.

Como um DLC que faz parte da história principal, o final do conteúdo gera uma sensação de estranheza por ter um dos chefes finais mais épicos do gênero. No entanto, a conclusão mista não tira o brilho da obra-prima que Miyazaki entregou mais uma vez.

A ausência de troféus é até um ponto negativo, especialmente para quem os usa como fonte de informação para descobrir locais e chefes secretos. Entretanto, isso não diminui em nada a experiência — na verdade, torna a exploração ainda mais legal.

O preço de R$ 199,90 na PS Store pode assustar por ser um DLC, no entanto, levando em consideração todos os pontos que colocam o conteúdo no patamar de uma experiência massivo, robusta e completa, o jogador tem a chance de incrementar uma jornada para um novo nível, trazendo mais equipamentos, mais áreas exploráveis e mais momentos épicos.

Veredito

Elden Ring: Shadow of the Erdtree
Elden Ring: Shadow of the Erdtree

Sistema: PlayStation 5

Desenvolvedor: FromSoftware

Jogadores: 1

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100 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Novas áreas exploráveis encantadoras
  • Chefões mais memoráveis
  • Variedade de equipamentos e armas
  • Level design ainda mais criativo e intuitivo
  • Mecânicas de aventura linear
Desvantagens
  • Uma história "sem final"
  • Ausência de novos troféus
Raphael Batista
Raphael Batista
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Jogando agora: Dredge | Shadow of the Erdtree
Formado em Teologia e apaixonado por PlayStation desde sempre. Jogos preferidos são The Witcher 3, Metal Gear Solid, God of War e Marvel's Spider-Man.