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Demon’s Souls: vale a pena?

Remake da Bluepoint Games é uma primorosa estreia no PS5

por Daniel dos Reis
Demon's Souls: vale a pena?

Você morreu. Essa frase resume bem a experiência com Demon’s Souls. Você morreu porque não era experiente o suficiente e não sabia que um único golpe poderia matá-lo. Porque tentou enfrentar vários inimigos ao mesmo tempo. Porque não se esquivou no momento correto. Porque, após boas horas de jogatina, já se achava o próprio Rei Arthur e foi mortalmente ferido por um monstrengo escondido.

Você morreu.

Mas não desistiu. Aprendeu que cada luta é uma batalha diferente e exige cautela. Soube ler o cenário e já traçar uma rota de fuga se fosse necessário. Desenvolveu suas habilidades, forjou seu guerreiro com sangue, suor, lágrimas e almas, muitas almas.

Demon’s Souls coloca à prova os jogadores e finca uma lâmina em quem achava que a tal nova geração não seria lá essas coisas. Não só isso. O remake alça a Bluepoint ao patamar de um dos melhores estúdios de videogames da atualidade.

A Bluepoint Games

Após os sucessos de Uncharted: The Nathan Drake Collection e Shadow of the Colossus, a Bluepoint nos brinda com uma recriação, possivelmente, melhor que o original. Quase tudo é bem impressionante. 

De gráficos muito bonitos, passando por uma sonoplastia tocante, chegando a uma mecânica de gameplay instigante. É uma belíssima obra, fiel ao original, para o bem e para o mal.

Se você experimentou o clássico de 2009, se lembrará dos padrões dos inimigos, dos segredos das passagens escondidas, dos itens, das armas, cenários… De tudo. Salvo alguns detalhes, o jogo é o mesmo.

Reforçando o quão respeitosos foram os desenvolvedores, é semelhante a Shadow of the Colossus. Apenas refinamentos – modernização – de alguns comandos e melhorias.

Mas aqueles velhos incômodos com uma câmera às vezes te colocando em situações ruins – como se a dificuldade já bastasse -, menus pobres e uma narrativa que não faz nenhuma questão de ser clara, também vieram no pacote.

Só não se deixe enganar. O remake é brilhante.

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Ele oferece uma experiência next-gen bem bacana, com um visual de encher os olhos, carregamentos muito rápidos e os recursos do DualSense, embora não tão imersivos como em Astro’s Playroom.

O nível de detalhes está incrível, a começar pelas expressões faciais logo no começo da criação do personagem. Cicatrizes, marcas de expressão, pele e tudo mais… Muito vistosos no PS5. Agora é possível fazer um herói com uma aparência digna.

E não é só isso, o desempenho técnico está muito otimizado. Demon’s Souls é aquele jogo que você coloca para mostrar aos seus amigos os gráficos de nova geração. O cartão de visitas.

Há duas opções: cinemático, com jogo rodando em 4K nativo a 30 FPS, ou 4K dinâmico a 60 FPS. A primeira parece tentadora, por ser visualmente muito chamativa. É, definitivamente, o título mais bonito do PS5 até aqui.

Mas quando você seleciona o desempenho, e joga a 60 FPS, nunca mais vai cogitar a outra possibilidade. A diferença é gritante. O jogo é muito mais fluído, responsivo e prazeroso.

Só faltou mesmo uma aplicação de ray tracing. Infelizmente, o game não conta com esta opção. 

Alma

Apesar de ter toda uma lore repleta de nuances, a trama de Demon’s Souls não é merecedora de um Oscar. Assim como nos demais jogos da FromSoftware (estúdio original), a narrativa é muito mais centrada na jornada do que no storytelling.

Um dos Reis de Boletaria abusou do uso das almas para tentar tornar seu reino próspero e vistoso, mas um estranho nevoeiro cobriu todas as terras, trazendo consigo corrupção e monstros terríveis.

Aqueles que ousaram enfrentar a névoa nunca voltaram. Apenas uma pessoa conseguiu sair e revelar o que estava acontecendo. Na realidade, o Rei acabou despertando uma antiga besta e cabe a você, o escolhido, entrar na névoa, vencer todos os demônios e colocar ordem nas coisas.

São cinco “mundos” para explorar, vencendo aberrações, juntando almas, coletando armas e incrementando suas habilidades. E todos absolutamente maravilhosos, com construções, pântanos, cenas desoladas, daquelas que você simplesmente fica admirando.

Só não espere encontrar uma sexta Archstone. O remake não conta com adições. Uma boa diferença entre os pares soulslike é que os jogadores podem explorar os mundos em ordens diferentes. Não é como em Bloodborne, onde se segue uma rota.

Mas a despeito dos visuais e da história, a alma deste jogo está na sua jogabilidade visceral. Ele faz com que o jogador teste seus limites de resiliência, persistência e vontade de vencer. Não é tipo de jogo para descontrair. É para vencer, para superar não só os oponentes, mas a si próprio.

E ele não traz exatamente uma movimentação primorosa ou bonita. É duro, pesado; carrancudo. Parece que tudo foi feito para este fim.

Na realidade, Demon’s Souls conta com menus pobres, não bem dispostos, falta de clareza em como construir as melhores combinações e em evoluir o personagem. Mas isso também é parte da experiência. Descobrir como as coisas funcionam e extrair dali algo que possa lhe ser útil na jornada é quase uma diversão sadomasoquista.

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Vale a pena?

No fim, sempre acabamos chegando a pergunta: vale? Demon’s Souls é inquestionável na sua proposta. É uma jornada intimidante, de aprendizado e superação – quase uma conversa de coach.

Seus gráficos são incríveis, sua sonoplastia é ressonante e a jogabilidade hipnotizante. É praticamente uma mosca azul te picando. Depois de um tempo, o jogador está completamente envolvido em tentar avançar.

Se você comprar um PS5 e estiver disposto a um baita desafio, sem dúvida vai valer muito.

Veredito

Demon's Souls
Demon's Souls

Sistema: PlayStation 5

Desenvolvedor: Bluepoint Games

Jogadores: 1 Jogador

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92 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Visuais incríveis
  • Modo desempenho maravilhoso
  • Sonoplastia irretocável
  • Visceral (apesar de difícil)
Desvantagens
  • Menus ruins
  • Jogabilidade um pouco travada