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Crysis Remastered Trilogy: vale a pena?

A icônica trilogia da Crytek traz gráficos ainda mais bonitos, fator pelo qual ficou conhecida

por Valdecir Emboava
Crysis Remastered Trilogy: vale a pena?

Em 2007, o primeiro Crysis tornou-se um ícone instantâneo e serviu como parâmetro para ver quem tinha o PC mais potente da época. Hoje, 14 anos depois, a Crytek decidiu agraciar os fãs de longa data, ao remasterizar não apenas o primeiro (que já foi retrabalhado no ano passado), mas toda a trilogia com Crysis Remastered Trilogy.

O projeto do estúdio alemão era extremamente ambicioso e a CryEngine fazia os computadores da época “chorarem”. O tempo passou, as máquinas tornaram-se mais poderosas, a história virou lenda e a lenda se transformou em mito. Mas será que essa coletânea está à altura para os fãs veteranos, enquanto tenta conquistar uma nova parcela do público?

O game design da franquia ainda é extremamente divertido de explorar. Mesmo se perdendo nas mecânicas enferrujadas do primeiro game, é notável que a série evoluiu a passos largos. Descubra muito mais nesta análise de Crysis Remastered Trilogy. Então, prepare seu traje, pegue sua melhor arma e “Cloak Engaged”!

Crysis se mantém esbelto, mas mecânicas estão enferrujadas

Sejamos justos: para um jogo de 2007, o visual de Crysis envelheceu muito bem. É como assistir a um bom filme de Steven Spielberg, como Jurassic Park, por exemplo. A franquia marcou época nos anos 90 e até hoje ainda é reverenciada pelos seus efeitos especiais da época, mesmo que para os padrões atuais eles estejam “ultrapassados”.

As primeiras impressões da jornada de Nomad pelo epicentro de uma invasão alienígena são ótimas. O visual da ilha é tão charmoso quanto em um PC com processador Dual Core e placa de vídeo GeForce 9500 GT — lá de 2009. Mas, claro, ainda melhor com o tempero da nova geração.

Crysis Remastered Trilogy
(FONTE: reprodução/Crytek)

Mas ele não é perfeito, tá? Existem algumas quedas de FPS, travadas bruscas em todo checkpoint e visual granulado quando as miras das armas são ativadas. Mas quem liga para esses pequenos empecilhos quando o pacote completo justifica todo o resto?

O que realmente incomoda neste primeiro jogo de Crysis Remastered Trilogy foi o gameplay, que envelheceu mal. Dirigir carros militares e aviões é tão desafiador quanto terminar a campanha no modo mais difícil. A direção dos transportes não é 100% responsiva aos comandos do jogador, além de bugar em algumas partes e atrapalhar totalmente a progressão.

Controlar a mira também deveria ser uma ação mais simples, mas demanda adaptação. Em alguns momentos no início, ao lidar com muitos inimigos de uma vez, o sistema é tão engessado que quebra o ritmo do jogo. Mas essa curva de aprendizado é bem flexível — Nomad morre muitas vezes até o jogador se adaptar 100%.

Crysis 2 traz uma evolução muito bem-vinda

Trazendo toda aquela evolução natural necessária para a franquia, Crysis 2 também tem visuais espetaculares e soube explorar muito bem cenários urbanos e destruição em massa. Em Crysis Remastered Trilogy, o game de 10 anos mantém toda a graciosidade de outrora, agora com gráficos melhorados.

O segundo jogo oferece uma estrutura linear, que permite maior liberdade de movimento em algumas áreas semiabertas. Por outro lado, também existe mais precisão no gameplay. Diferente do primeiro título, aqui foi fácil pegar o jeito, pois o sistema de mira responde melhor.

Crysis Remastered Trilogy
(FONTE: reprodução/Crytek)

Isso sem mencionar a complexidade de algumas estruturas exploráveis de uma metrópole destruída do tamanho de Nova Iorque. É realmente fascinante ver os prédios caindo, enquanto naves alienígenas desovam soldados Ceph aos montes em cada esquina, forçando o protagonista a criar estratégias das mais diversas para diferentes situações.

Mesmo trazendo evolução, Crysis 2 ainda tem seus defeitos. Apesar da ambientação rica em detalhes, a trama não chega nem aos pés do primeiro jogo. Alcatraz, o personagem principal, não fala um “A” durante todo o progresso.

A transição de uma fase para outra também não é das melhores. Quando chegamos ao fim de um estágio, o outro começa em um lugar totalmente diferente e não dá para saber como fomos parar lá. A inteligência artificial também continua tão limitada quanto o game original, de 2011. É realmente muito fácil costurar caminho entre os inimigos só usando a invisibilidade do traje.

Por fim, desconsiderando o game design que se manteve praticamente o mesmo, para uma remasterização (que foca apenas na experiência visual) o game é bastante competente.

Crysis 3 envelheceu como um bom vinho

Crysis 3 é, indiscutivelmente, o mais criativo dos três em termos de ambientação. A história se passa pouco mais de duas décadas após os acontecimentos do segundo game, então a mãe natureza se encarregou de tornar Nova Iorque um jardim gigante.

É comum pensar que estamos em uma selva durante a jogatina, mas, na verdade, são as ruas de NYC. Isso permitiu novas ideias — trazendo um game design mais sólido e robusto. A terceira aventura herdou as melhores qualidades dos irmãos mais velhos: uma história bacana, gameplay sólido e gráficos de cair o queixo.

As missões de Crysis 3 são muito mais longas se comparadas aos jogos anteriores, porém, isso faz a narrativa se desenvolver com calma. Além disso, o jogo também dá um tempinho necessário para o jogador respirar entre uma fase e outra. Mas todo cuidado é pouco, pois agora os campos de batalha são mais abertos e os inimigos também podem chamar reforços.

Crysis Remastered Trilogy
(FONTE: reprodução/Crytek)

O terceiro game é um pouco mais acessível em termos de dificuldade. Porém, o cenário de uma Nova Iorque pós-apocalíptica e os desfechos das histórias de Prophet e Psycho, ambos do primeiro jogo, compensam a falta de desafios complexos. Da coletânea Crysis Remastered Trilogy, Crysis 3 foi, de longe, o que melhor envelheceu.

Há um avanço gráfico, mesmo que menor se comparado do primeiro para o segundo. A estrutura de luzes e god rays (raios de luz solar que parecem irradiar a partir de um único ponto) refletem nos objetos de forma tão realista que parece até cena de filme.

Mais uma vez, o desempenho de Crysis Remastered Trilogy é competente no seu propósito. É evidente que a franquia tenha sentido um pouco o peso do tempo, isso é fato. Porém, a intenção de um remaster é preservar a experiência com gráficos otimizados, e não alterar toda a estrutura dele. Se fosse um remake, a conversa seria diferente.

Crysis Remastered Trilogy: vale a pena?

Crysis Remastered Trilogy vale a pena, principalmente para os fãs de longa data que querem reviver essa icônica trilogia — mas também é muito bem-vindo para novatos. Porém, vale o adendo: talvez, seja o caso de esperar por uma promoção na PS Store. O valor de R$ 264,90 praticado atualmente não é muito atrativo, mesmo que a coletânea seja vendida separadamente.

Crysis Remastered Trilogy
(FONTE: reprodução/Crytek)

Outro motivo para aguardar uma promoção: a coletânea não acompanha nenhum extra que justifique a compra no momento — na verdade, não acompanha nenhum extra.

É simplesmente inadmissível que um jogo não tenha, pelo menos, legendas em PT-BR em 2021 — sendo o caso aqui. Se a intenção de um remaster é atrair novos públicos para a franquia, já começa com o pé esquerdo se não tiver localização. Por fim, ele não acompanha o multiplayer.

Veredito

Crysis Remastered Trilogy
Crysis Remastered Trilogy

Sistema: PlayStation 4

Desenvolvedor: Crytek

Jogadores: 1

Comprar na Amazon
70 Ranking geral de 100
Vantagens
  • Evolução do gameplay de um jogo para o outro é perceptível
  • Enredo continua muito interessante
  • Gráficos que já eram lindos ficaram ainda mais bonitos, mas com pequenas ressalvas
  • O meme "roda Crysis?" está, definitivamente, enterrado
Desvantagens
  • Não acompanha o multiplayer
  • Não tem legendas em PT-BR
  • Os três jogos travam por um momento na hora do checkpoint
  • Gameplay do primeiro é bem engessado para os padrões atuais
  • IA é muito limitada (nos três jogos)
Valdecir Emboava
Valdecir Emboava
Redator
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